Portal Mídia

Home / Economia / Reforma tributária: especialistas explicam como empresas devem lidar com fase atual

Reforma tributária: especialistas explicam como empresas devem lidar com fase atual

A reforma tributária entrou, em 2026, na sua fase prática. Após anos de discussões e regulamentações, o novo modelo começa a ser testado na rotina das empresas, marcando uma mudança concreta na forma de registrar, apurar e organizar os tributos sobre o consumo. Especialistas alertam que, embora o período seja considerado experimental, as exigências já impactam sistemas, processos internos e a atuação das áreas fiscal e contábil.

Desde janeiro, o foco deixou de ser apenas o debate sobre a reforma e passou a ser a adaptação operacional. Para empresas e profissionais da contabilidade, 2026 representa um ponto de virada: mesmo com a transição completa prevista até 2033, as mudanças que já estão em vigor exigem atenção imediata e planejamento.

Passaram a valer as novas regras para emissão de documentos fiscais eletrônicos, que agora precisam contemplar campos específicos relacionados ao novo modelo de tributação sobre o consumo. Também entrou em operação a fase experimental da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), com alíquotas reduzidas, 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS.

Nesse período de testes, os valores recolhidos podem ser compensados e não há aplicação de penalidades em caso de divergências, desde que as empresas cumpram corretamente as exigências de emissão e escrituração fiscal. O objetivo é permitir que contribuintes e Fisco validem sistemas, fluxos de informação e processos antes da implementação mais ampla do novo regime nos próximos anos. A etapa atual é decisiva para as rotinas de cadastro de produtos e serviços, classificação fiscal, emissão de NF-e e NFS-e e integração com o SPED (Sistema Público de Escrituração Digital). Erros agora não geram multas, mas funcionam como alertas importantes para correções estruturais.

“A reforma saiu do campo teórico e entrou na prática. Mesmo sendo um ano de testes, as empresas já estão lidando com novos registros, novos campos nas notas fiscais e critérios diferentes de apuração. Quem não se adapta agora corre o risco de enfrentar problemas maiores quando a cobrança for efetiva”, afirma Terezinha Carvalho, sócia-fundadora da Sercon Serviços Contábeis. “Com a reforma já em operação, as demandas de adaptação tornaram-se concretas e as empresas precisam ter atenção redobrada na hora de repassar as informações para a contabilidade. A revisão dos sistemas fiscais e contábeis precisam estar atualizados para emitir corretamente os documentos fiscais conforme o novo modelo. Também ganha importância o treinamento das equipes internas, especialmente nas áreas fiscal, contábil e administrativa, para lidar com as novas rotinas e exigências de compliance”, complementa Terezinha.

Outro ponto crítico é o ajuste dos processos de emissão de notas fiscais eletrônicas, tanto de mercadorias quanto de serviços, considerando os novos códigos e campos exigidos. Além disso, especialistas recomendam que as empresas realizem simulações de impacto financeiro e operacional, antecipando efeitos sobre custos, preços e margens à medida que a transição avance.

Segundo Wagner Arnaud, sócio-proprietário da Pontual Assessoria Contábil e da PontualMed, o ano de 2026 exige uma postura mais estratégica das empresas. “Mesmo com alíquotas reduzidas e caráter experimental, o novo modelo já muda a lógica de controle e apuração dos tributos. Empresas de todos os portes precisam revisar seus sistemas de gestão, treinar equipes e alinhar processos desde já, para não serem surpreendidas mais adiante”, destaca.

“A integração entre tecnologia, processos e conhecimento técnico é o caminho para atravessar essa fase com mais segurança. Não se trata apenas de cumprir uma obrigação legal. Quem entende agora como a reforma impacta seus preços, contratos e planejamento tributário consegue reduzir incertezas e tomar decisões mais conscientes”, conclui Wagner.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *