BRASÍLIA – O ministro Marco Aurélio Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), oficializou nesta terça-feira (10) um pedido de licença médica para se afastar de suas funções por 90 dias. A decisão ocorre em um momento crítico, onde o magistrado enfrenta graves acusações de importunação sexual que sacudiram os bastidores da Corte em Brasília.
O Estopim da Crise
O pedido de afastamento, acompanhado de um atestado psiquiátrico, foi apresentado pouco antes de uma sessão extraordinária do STJ que discutiria o seu afastamento compulsório. Buzzi já estava em licença curta desde o início do mês, mas a pressão interna de colegas e órgãos de controle tornou a permanência no cargo insustentável.
As Denúncias
O ministro é alvo de duas frentes principais de investigação:
- O caso de Balneário Camboriú: Uma jovem de 18 anos, filha de amigos do ministro, relatou episódios de assédio ocorridos em janeiro de 2026, enquanto passava férias na casa de praia de Buzzi. O depoimento foi formalizado no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
- Abuso de Autoridade no Gabinete: Uma ex-funcionária também recorreu ao CNJ, alegando investidas inapropriadas e comportamentos recorrentes no ambiente de trabalho durante o período em que atuou na equipe do magistrado.
Defesa e Tramitação Jurídica
Em nota e cartas enviadas aos pares, Marco Aurélio Buzzi nega veementemente qualquer irregularidade e afirma que as acusações são infundadas. Apesar da negativa, o cerco jurídico se fecha em três instâncias:
- STF: Um inquérito criminal corre sob sigilo devido ao foro privilegiado.
- CNJ: Investiga a conduta ética e pode aplicar sanções administrativas, como a aposentadoria compulsória.
- STJ: Realiza sindicância interna para avaliar o impacto na imagem da instituição.
Próximos Passos
O afastamento de 90 dias interrompe a atividade jurisdicional de Buzzi, e seus processos devem ser redistribuídos ou aguardar o desfecho das investigações. Juristas apontam que este é um dos momentos mais delicados para a imagem do STJ nos últimos anos.





