EUA enviam caças F-15 à Polônia, que faz fronteira com Ucrânia e Rússia

A Força Aérea dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (10) o envio de caças F-15 à Base Aérea de Łask, na Polônia, para “melhorar a defesa coletiva da Otan e apoiar a missão de policiamento aéreo”.

 

A Polônia faz parte da aliança militar e faz fronteira, ao leste e ao norte, com UcrâniaBelarus e um pequeno pedaço da Rússia na Europa, além da Lituânia.

O anúncio ocorre dias após caças F-15 interceptarem aeronaves russas no mar Báltico e soldados americanos começarem a desembarcar na Romênia, país que também é o membro da Otan e também faz fronteira com a Ucrânia.

Caça F-15 da Força Aérea dos EUA decola do aeródromo militar de Amari, na Estônia, em 1º de fevereiro de 2022 — Foto: Ints Kalnins/Reuters

“Os F-15 Eagles fazem parte 48ª ala de caça da Royal Air Force Lakenheath, no Reino Unido, vão trabalhar ao lado das aeronaves F-16 polonesas e dinamarquesas que já executam a missão de policiamento aéreo da Otan na Base Aérea de Siauliai, na Lituânia“, afirmou a Força Aérea americana.

“Os caças extras reforçarão a prontidão, a dissuasão e a defesa dos aliados, à medida que a Rússia continua o acúmulo militar dentro e ao redor da Ucrânia“, segundo o comunicado.

 

“A implantação de F-15s dos EUA na Polônia eleva as capacidades de defesa coletiva no flanco leste da Otan e a missão de policiamento aéreo”, disse o general Jeff Harrigian, comandante do Comando Aéreo Aliado e Comandante das Forças Aéreas dos EUA na Europa e Forças Aéreas na África.

 

Militares da Força Aérea dos EUA inspecionam caças F-15 no aeródromo militar de Amari, na Estônia, em 1º de fevereiro de 2022 — Foto: Ints Kalnins/Reuters

Militares da Força Aérea dos EUA inspecionam caças F-15 no aeródromo militar de Amari, na Estônia, em 1º de fevereiro de 2022 — Foto: Ints Kalnins/Reuters

Também nesta quinta, a Rússia começou a fazer exercícios militares com 30 mil soldados na vizinha Belarus e, em resposta às atividades, os ucranianos iniciaram dez dias de exercícios militares no país, com drones e mísseis antitanque.

Belarus (antiga Bielorrúsia) fica ao norte da Ucrânia e sua fronteira é perto da capital Kiev, o que pode indicar uma possível rota de uma nova invasão russa — a região ucraniana da Crimeia foi invadida e anexada pelo país em 2014.

Além disso, a Rússia enviou navios de guerra para o Mar Negro. Toda a costa da Ucrânia está voltada para o Mar Negro — inclusive a Crimeia (veja no mapa abaixo).

O governo ucraniano criticou duramente os exercícios navais perto de sua costa, dizendo que a presença russa tornou a navegação no Mar Negro e no Mar de Azov “praticamente impossível”.

“Essas ações agressivas da Federação Russa como parte de sua guerra híbrida contra a Ucrânia são inaceitáveis”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores ucraniano.

O que a Rússia quer?

 

A Rússia já reuniu mais de 100 mil soldados perto da fronteira com a Ucrânia, mas nega que vá invadir o país e diz que quer apenas que os países ocidentais respeitem sua “área de influência”.

Comboio de veículos blindados russos em rodovia na Crimeia, região da Ucrânia que foi invadida e anexada pela Rússia em 2014, em foto de 18 de janeiro de 2022. Rússia concentra mais de 100 mil soldados, com tanques e outras armas pesadas, perto da fronteira com o país vizinho, no que países ocidentais temem que possa ser um prelúdio de uma nova invasão. — Foto: AP

Comboio de veículos blindados russos em rodovia na Crimeia, região da Ucrânia que foi invadida e anexada pela Rússia em 2014, em foto de 18 de janeiro de 2022. Rússia concentra mais de 100 mil soldados, com tanques e outras armas pesadas, perto da fronteira com o país vizinho, no que países ocidentais temem que possa ser um prelúdio de uma nova invasão. — Foto: AP

Ela exige mudanças nos arranjos de segurança da Europa, incluindo a promessa de que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) nunca aceitará a entrada da Ucrânia, na aliança militar.

Exige também que a Otan garanta que mísseis nunca serão posicionados perto das fronteiras da Rússia e que a aliança ocidental reduza suas tropas em países do leste europeu (que alega ser a sua área de influência).

Desde o fim da União Soviética, vários países da região passaram a fazer parte da Otan e/ou da União Europeia — o que os russos não aceitam. Mas os países ocidentais se negam a aceitar as exigências russas.

G1

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