Ex-mulher de Bolsonaro e candidata a deputada, Ana Cristina diz que ‘não deve satisfação’ sobre compra de mansão de R$ 3 milhões

Aquisição foi alvo de pedido de investigação da Polícia Federal após Coaf detectar transações atípicas.

A ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro Ana Cristina Valle divulgou hoje um vídeo em que abordou pela primeira vez a compra de uma mansão em Brasília avaliada em R$ 2,9 milhões, imóvel do qual ela disse ser apenas locatária num primeiro momento. Embora seja candidata a deputada distrital pelo PP do Distrito Federal, ela não deu explicações sobre o negócio, alegou que “não deve satisfação a ninguém” e disse ter “fonte de renda” suficiente para honrar com seus gastos.

— O que eu posso fazer? Eu tenho 30 anos de trabalho na política, sou advogada, tenho meu meio, minha fonte de renda, que eu não devo satisfação a ninguém. (…) Eu não tenho que dar satisfação pra ninguém do que eu faço — afirmou na gravação, divulgada nas redes sociais.

Como postulante a um cargo eletivo, Ana Cristina é obrigada a entregar à Justiça Eleitoral a relação de bens que possui. Inicialmente, ela informou que alugava a casa, mas, ao registrar sua candidatura, declarou ser dona do imóvel, localizado no Lago Sul, área nobre da capital. Na ocasião, ela informou que a mansão valia R$ 829 mil. A escritura atesta, contudo, que a casa foi vendida no ano passado por R$ 2,9 milhões.

— Hoje eu estou aqui pra falar pra vocês por que que eu não dou entrevista, por que que eu não falo nada sobre a casa, sobre os bens, sobre os imóveis. Porque eu não tenho o que falar. Se eu falar com a mídia, ela vai escrever exatamente o que ela quer — disse na gravação, em que faz diversos ataques à imprensa.

A Polícia Federal pediu a abertura de um inquérito para investigar o caso, conforme revelou O GLOBO no início deste mês, após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar transações financeiras suspeitas envolvendo Ana Cristina. Ainda não houve decisão da 10ª Vara Federal de Brasília a respeito do caso.

A PF suspeita de que Ana Cristina usou um laranja para pagar R$ 2,9 milhões pelo imóvel, sendo R$ 580 mil de entrada e o restante por meio de um financiamento. Relatório do Coaf detectou que ela fez um pagamento de R$ 867 mil a uma empresa, valor que foi usado para quitar o adiantamento da casa. Para a PF, isso seria uma tentativa de ocultar o patrimônio e poderia configurar crimes de lavagem de dinheiro e contra o sistema financeiro.

Após se estabelecer na capital federal no ano passado, a ex-mulher de Bolsonaro ganhou um cargo de assessora parlamentar da deputada federal Celina Leão (PP-DF). Permaneceu no posto de março de 2021 até junho deste ano, recebendo remuneração bruta de R$ 8.116,08. Ela deixou a função para concorrer a deputada distrital pelo PP, partido da base aliada do governo federal.

Ana Cristina é mãe de Jair Renan Bolsonaro, o filho 04 do presidente, que foi alvo de investigação por tráfico de influência mas foi inocentado pela Polícia Federal. Foi nessa investigação que surgiram os indícios contra Ana Cristina.

O Globo

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