Games movimentaram US$ 175 bi em 2021; veja como investir nessa indústria

Games movimentaram US$ 175 bi em 2021; veja como investir nessa indústria

 

No Brasil, são vários os produtos financeiros que estão atrelados ao setor, dos tradicionais -como ações e fundos de investimentos- aos mais modernos -como os tokens digitais

O valor movimentado em 2021 pelos games revela o tamanho da indústria: US$ 175 bilhões (cerca de R$ 930 bi), segundo o relatório global de mercado da consultoria Newzoo. Esse resultado é uma consequência da alta na procura por jogos eletrônicos nos últimos anos, sobretudo pelo salto registrado durante a pandemia, quando o entretenimento por consoles passou a ser uma das poucas distrações.

Parte desse montante se deve ao impacto que a inovação trouxe ao mundo dos games de uma forma jamais vista até então. Se antes os jogos se limitavam a imagens pixeladas e interações restritas, hoje, questões como definição, opções de títulos e até a integração com plataformas digitais têm garantido o sucesso desses players no cenário mundial.

Estima-se que, ao redor do mundo, cerca de 3 bilhões de pessoas joguem algum tipo de game com regularidade, seja no celular, computador ou videogame. O Brasil, inclusive, é o principal mercado consumidor desses produtos na América Latina, um fato constatado pelo estúdio nacional Aquiris, que viu uma alta na demanda por suas criações a partir de 2020.

“Vimos um aumento no número de jogadores em nossos produtos e, consequentemente, nas nossas vendas”, destaca Maurício Longoni, cofundador da empresa que recebeu um aporte financeiro da Epic Games, desenvolvedora do famoso Fortnite. “Acredito que a demanda por bons jogos vai continuar crescendo, porque o mercado em potencial ainda é muito grande”.

A previsão da Newzoo é que, em 2024, a indústria de games atinja o pico de US$ 222 bilhões ao ano, mantendo a sua responsabilidade por metade do que movimenta o entretenimento no mundo, com uma fatia maior que os segmentos de música e cinema juntos.

E esse resultado não deve se resumir aos games especificamente, mas atingir também outros setores, como o de tecnologia, que tem papel fundamental no desenvolvimento de novos consoles, títulos de games e até na comercialização desses produtos.

Como investir na indústria de games

Por não se limitar à diversão, a indústria de games serve também para compor a carteira de investimentos. No Brasil, são vários os produtos financeiros que estão atrelados ao setor, dos tradicionais -como ações e fundos de investimentos- aos mais modernos -como os tokens digitais.

Mas, antes de apostar em um deles, José Artur Ribeiro, economista e CEO da exchange Coinext, alerta que é preciso ter uma estratégia de investimentos. “O investidor precisa ter um propósito”. Além disso, por serem produtos de renda variável, ele orienta: “Entre com uma parcela pequena do seu portfólio, cerca de 5%. Não coloque todos os ovos na mesma cesta”.

Veja a seguir como funcionam cada uma das opções disponíveis no Brasil:

1- BDRs

Grande parte das empresas de tecnologia para games têm suas ações listadas em bolsas de valores pelo mundo, especialmente em países asiáticos. Alguns desses papéis, porém, estão disponíveis no mercado doméstico na forma de BDRs, que são ações estrangeiras negociadas na bolsa brasileira.

Entre as fabricantes de consoles, a japonesa Sony (SNEC34), responsável pelo Playstation, tem sua cotação atual em torno de R$ 425 por ação. O mesmo vale para a norte-americana Microsoft (MSFT34), fabricante do Xbox, que tem preço médio de R$ 56. Nos últimos dois anos, as ações dessas companhias apresentaram valorização de 58% e 109%, respectivamente.

2- Fundos de investimentos

Há também opções que incluem diversos papéis em único ativo, como é o caso dos fundos de investimentos. O temático Tech Games, fruto de uma parceria entre Vitreo e BTG Pactual, carrega o desempenho de empresas como Nintendo (do Super Mario), Take-Two (do GTA) e Electronic Arts (de FIFA), ao custo de R$ 100 por cota e uma taxa de administração de 0,9% ao ano.

Em seu primeiro ano de atividade, esse fundo apresentou uma valorização positiva de 20%, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). No primeiro trimestre deste ano, porém, ele tem sofrido com uma queda de 24%, seguindo o desempenho de outros ativos da bolsa.

3- ETF

Recentemente, a gestora Investo lançou o ativo JOGO11 que replica o índice ETF ESPO (VanEck Video Gaming & E-sports Index), da Nasdaq. Este produto reúne papéis de 26 empresas, entre elas as fabricantes de hardwares AMD e NVIDIA e as desenvolvedoras de jogos Capcom (Street Fighter) e Ubisoft (Assassins Creed).

O preço atual deste ativo está em R$ 62, mas ele já chegou a valer R$ 95 neste ano. Ao optar por ele, o investidor precisar arcar com uma taxa de performance de 0,3% ao ano, que lhe dá direito de integrar uma carteira mundial de mais de R$ 600 milhões, conforme informa o gestor do índice original, nos EUA.

4- Tokens digitais

Outra maneira de aproveitar o setor de games é por meio dos investimentos digitais atrelados a jogos, como é o caso da Axie Infinity (AXS) e Decentraland (MANA), que integram a modalidade play-to-earn (jogar para ganhar, em português). Esses tokens, que funcionam como moeda corrente nos games, servem também como investimento mesmo para quem só quer aproveitar o crescimento desse negócio.

Assim como a criptoeconomia em geral, esses tokens não estão no seu melhor momento, registrando quedas acentuadas, como parte do que os especialistas chamam de inverno cripto. Apesar disso, essas duas criptomoedas particularmente parecem estar se recuperando, apresentando um avanço médio de 8% nas últimas semanas, segundo o monitor CoinMarketCap.

Para Ribeiro, da Coinext, é preciso entender a dinâmica, fundamentos e o tamanho do token digital que se vai comprar. “A demanda por jogos aumentou muito durante a pandemia, o que levou esses ativos a se supervalorizarem também. Agora, as pessoas estão voltando à vida normal, o que impacta na demanda por jogos”, frisa. “Esse período de correção, então, é um momento de ver esses tokens como uma oportunidade de investimentos”.

epocanegocios.globo.com

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