Por Calvin Santana
Um aplicativo chamou atenção nos Estados Unidos ao oferecer um espaço exclusivo para mulheres compartilharem avaliações anônimas sobre homens com quem saíram. O Tea – Dating Advice surgiu em 2023 e ganhou popularidade no meio digital, mas agora enfrenta críticas e investigação após um grave vazamento de dados pessoais.
Como funciona a plataforma
O Tea foi criado como uma rede de apoio entre mulheres: permite que usuárias publiquem fotos de homens, identifiquem-nos por nome e recebam feedback da comunidade. Podem sinalizar comportamentos usando marcadores de “alerta” (bandeira vermelha) ou “confiável” (bandeira verde).
A proposta é oferecer segurança adicional ao usar apps como Tinder, Bumble ou Hinge, com ferramentas como busca reversa por imagem, verificação de antecedentes e alertas personalizados por nome.
O cadastro exige selfie para verificação de gênero (apenas mulheres são autorizadas), e a plataforma bloqueia capturas de tela para manter o anonimato.
Crescimento explosivo em meio à viralização
Recentemente, o Tea tornou‑se o app gratuito mais baixado da App Store nos EUA, ultrapassando até mesmo aplicativos como o ChatGPT. Recém‑chegaram mais de 900 mil novos cadastros em poucos dias. Segundo a plataforma, a base ultrapassa agora 4 milhões de usuárias.
Vazamento de dados: o que aconteceu
Na última semana, o Tea confirmou ter sofrido um ataque cibernético que expôs cerca de 72.000 imagens de usuárias — incluindo 13.000 selfies de verificação e 59.000 imagens públicas, postagens e mensagens. O incidente afetou dados enviados antes de fevereiro de 2024, armazenados num sistema antigo. Usuárias posteriores não foram afetadas. O conteúdo vazado acabou sendo compartilhado em fóruns como o 4chan, ativando a atenção da mídia e de autoridades. A empresa trabalha com especialistas externos em cibersegurança e notificou autoridades competentes
Reações e controvérsias
Apoio entre mulheres:
Usuárias elogiam a ideia de ter um espaço para denunciar experiências negativas antes do primeiro encontro, classificando o app como uma ferramenta de autoproteção.
Críticas e riscos:
Críticos apontam possíveis abusos, como acusações falsas, exposição indevida e perseguição moral em avaliações sem controle. Grupos com perfil misógino também reagiram ofensivamente ao app
Especialistas ressaltam que, embora o Tea adote políticas contra difamação, falta transparência sobre moderação e recurso para contestação por homens avaliados injustamente.
Questões legais:
Históricos de plataformas similares — como Lulu e grupos “Are We Dating the Same Guy?” — envolvem litígios por divulgação não autorizada. O Tea se apresenta como uma evolução digital dessas redes, mas enfrenta o mesmo dilema ético: segurança coletiva ou justiça amadora?.
Reportagem: Calvin Santana
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