Captadas por câmera corporal magistralmente expõem como o jovem em situação de rua Jeferson de Souza, de 23 anos, permaneceu rendido e colaborativo antes de ser morto com três tiros disparados por policiais militares no centro de São Paulo.

O que as imagens mostram
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Filmagens anônimas da câmera corporal do soldado Danilo Gehrinh — que atende à Força Tática do 7º BPM — registram Jeferson chorando e executando ordens dos policiais, tomando posições sem qualquer resistência.
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Aproximadamente 20 segundos antes dos tiros, ele estava de costas com as mãos sobre a cabeça. Logo em seguida, vira-se lentamente para frente e coloca as mãos à frente do corpo — como se oferecesse para ser algemado — sem movimentos bruscos.
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Sob mira do fuzil, Jeferson chora enquanto tenta dialogar com os agentes. Ele morre um minuto depois, às 21h24, na noite de 13 de junho.
A versão dos policiais
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Os PMs, identificados como Allan Wallace dos Santos Moreira (tenente) e Danilo Gehrinh (soldado), afirmaram em depoimento que Jeferson teria tentado tomar a arma de um dos agentes, justificando os disparos.
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Porém, os vídeos contrariam essa narrativa: Jeferson estava calmo, não gesticulava de forma brusca e seguia instruções dos policiais.
Reação das autoridades
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O Ministério Público denunciou os policiais por homicídio doloso, qualificando o crime como motivado por “mero sadismo” e desprezo pela vida humana, uma vez que a vítima já estava rendida e sem possibilidade de defesa.
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A Corregedoria da Polícia Militar afastou os dois agentes e foi solicitada pela Justiça a prisão preventiva, decretada e cumprida em 22 de julho de 2025.
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A gestão do governador Tarcísio de Freitas declarou que providências cabíveis foram adotadas imediatamente após o ocorrido, mas não esclareceu detalhes sobre as causas reais do episódio.
| Elemento | Versão Oficial dos PMs | Imagens da câmera corporal |
|---|---|---|
| Conduta da vítima | Tentou tomar arma | Colaborava, obedecia ordens |
| Estado da vítima | Supostamente alterado | Chorava e estava rendido |
| Uso da força | Necessário | Desproporcional e inesperado |
| Momento dos tiros | Reação a suposta agressão | Abrupta, sem aviso e em posição vulnerável |
Arte: Portal Mídia
O papel do vídeo na justiça
A filmagem teve importância central na apuração do caso. A câmera do tenente Moreira estava descarregada. Já Gehrinh tampou propositalmente seu equipamento principal para interromper a gravação antes do crime ser registrado com som.
O caso revela uma execução de um homem vulnerável, que não ofereceu resistência e confiou na autoridade policial. Em vez disso, foi submetido à brutalidade. A denúncia criminal, apoiada em imagens explícitas, coloca em xeque a integridade de procedimentos policiais e abre espaço para debates urgentes sobre violência institucional.
vídeo completo: clique aqui
Reportagem: Calvin Santana
Imagens: Metrópoles
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