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Com média de 110 atendimentos por dia, clínicos gerais são a linha de frente da urgência no Hospital Regional de Guarabira

Quando um paciente chega ao pronto-socorro do Hospital Regional de Guarabira (HRG), gerenciado pela Fundação Paraibana de Gestão em Saúde (PB Saúde), o primeiro médico a avaliá-lo quase sempre é o clínico geral. É ele quem decide, em minutos, se aquela pessoa terá alta, ficará em observação ou precisará de um especialista. Em janeiro de 2026, o HRG registrou 3.384 atendimentos clínicos, uma média de 110 pacientes por dia.

Entre esses mais de três mil atendimentos está o de Jéssica Mendes da Silva, de 31 anos, moradora de Araçagi. Ela chegou à unidade nesta segunda-feira (16), Dia do Médico Clínico Geral, sem conseguir nem se levantar da cama, tomada por uma forte crise de vesícula. Atendida pela médica clínica Larissa Leal, saiu com diagnóstico, tratamento e orientações claras. “Eu vim porque eu estava sentindo muita crise de vesícula e achei ótimo, a médica me atendeu bem, explicou direitinho o que estava acontecendo e agora já estou sendo medicada”, conta.

Por trás desses números está uma especialidade que é responsável por manter o fluxo hospitalar funcionando: a clínica médica. Para o médico Renan Pordeus, Coordenador Médico da Urgência e Emergência do HRG, a função do clínico geral vai muito além do senso comum.

“O clínico formula hipóteses diagnósticas, solicita exames e inicia o tratamento imediato. Sem esse profissional, o fluxo hospitalar ficaria comprometido. Em um plantão de 24 horas no HRG, um clínico geral atende, em média, 100 pacientes, volume que exige agilidade, raciocínio rápido e alta capacidade de priorização”.

*Dor, infecção e coração: os casos que dominam a urgência*

O sintoma mais frequente na unidade é a dor, seja abdominal, na coluna ou no peito. A dor torácica, segundo Renan, exige atenção redobrada: o hospital conta com um protocolo atualizado para estratificação cardíaca, capaz de identificar e dar seguimento ágil a casos de infarto agudo do miocárdio.

Infecções de vias aéreas superiores, pneumonias, gastroenterites e infecções urinárias também figuram entre os atendimentos mais comuns. Casos de sepse, infecção com disfunção orgânica, são tratados com protocolo específico desde a triagem, cobrindo focos pulmonar, abdominal, urinário e cutâneo.

Doenças cardiovasculares como insuficiência cardíaca descompensada, arritmias e AVC completam o perfil da urgência. “Na medicina de urgência, o tempo é determinante para o prognóstico. Condutas rápidas podem reduzir a mortalidade em casos de infarto ou AVC, evitar complicações na sepse e diminuir o tempo de internação”, reforça Renan Pordeus.

*Diagnóstico, tratamento e alta no mesmo atendimento*

Uma das marcas da clínica médica no HRG é a capacidade de oferecer uma resposta completa ainda dentro da urgência. A maior parte dos pacientes que chega à unidade recebe diagnóstico, tratamento e alta no mesmo atendimento, sem precisar ocupar um leito hospitalar.

Isso só é possível porque o clínico geral atua com avaliação rápida, critério técnico e visão clara sobre quem precisa de internação e quem pode se recuperar com segurança em casa, com orientação adequada e acompanhamento ambulatorial quando necessário. Dessa forma, os leitos ficam preservados para os casos que realmente exigem internamento.

Para Rosicler Pinheiro, Diretora Geral do HRG, o desempenho da clínica médica reflete diretamente na qualidade assistencial de toda a unidade.

“O clínico geral tem uma visão global do paciente, considerando todo o contexto clínico. Esse olhar integral é o que nos permite ter um serviço mais organizado, mais ágil e mais seguro. Quando o primeiro atendimento é bem feito, toda a cadeia assistencial ganha. Investir nesse profissional é investir na eficiência do hospital como um todo.”

*O desafio invisível: casos que deveriam ir para a UBS*

Apesar da alta capacidade de resposta, a urgência do HRG enfrenta um problema estrutural que pesa sobre toda a equipe: a superlotação por casos de baixa complexidade. Cerca de 60% dos atendimentos correspondem a classificações não urgentes ou pouco urgentes, as chamadas fichas azul e verde do protocolo de Manchester.

“Isso mostra uma fragilidade da atenção primária. Esses casos deveriam ser solucionados nas unidades básicas de saúde dos municípios”, aponta o coordenador. A situação levou o HRG a acionar o Ministério Público, em uma iniciativa para fortalecer a atenção primária dos municípios parceiros e orientar a população sobre o uso correto dos serviços de saúde, o conceito de “saúde no lugar certo”.

*Celebrando o olhar que conecta sintomas e salva vidas:*

O Dia do Médico Clínico, celebrado em 16 de março, tem uma origem que diz muito sobre o peso da especialidade: a data marca a fundação da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM), em 1989, e foi oficializada em 2015 para reconhecer a área com o maior número de médicos titulados no Brasil.

Na prática, o HRG não precisa esperar uma data comemorativa para confirmar esse valor. A cada plantão, o clínico geral conduz uma avaliação completa do paciente, relaciona sintomas aparentemente desconectados e identifica condições que poderiam passar despercebidas em uma abordagem mais fragmentada.
“Muitas vezes, o diagnóstico correto surge justamente da capacidade do clínico de integrar diferentes sinais, sintomas e fatores de risco”, resume Renan Pordeus.

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