 {"id":18108,"date":"2023-12-16T09:49:47","date_gmt":"2023-12-16T12:49:47","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=18108"},"modified":"2023-12-16T09:49:47","modified_gmt":"2023-12-16T12:49:47","slug":"desastre-em-maceio-motiva-cineastas-a-produzir-novos-filmes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2023\/12\/16\/desastre-em-maceio-motiva-cineastas-a-produzir-novos-filmes\/","title":{"rendered":"Desastre em Macei\u00f3 motiva cineastas a produzir novos filmes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A cena parecia sa\u00edda de um pesadelo. Ch\u00e3o afundando, im\u00f3veis com rachaduras e desespero espalhado por moradores de cinco bairros de Macei\u00f3. N\u00e3o era fic\u00e7\u00e3o, tratava-se de um mist\u00e9rio real. Mas n\u00e3o havia tempo a perder naquele 3 de mar\u00e7o de 2018, quando Oct\u00e1vio Lemos resolveu tirar \u00e0s pressas a fam\u00edlia de uma casa do Pinheiro, a primeira comunidade afetada. Ele precisou convencer a av\u00f3 de 92 anos de que era preciso sair r\u00e1pido de casa. Resolvido o problema familiar imediato, o jovem cineasta alagoano estava certo de que era urgente come\u00e7ar a filmar. O desastre s\u00f3 estava come\u00e7ando.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1572556&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1572556&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como ele, produtores do audiovisual em Alagoas entenderam que, diante do desastre nesses \u00faltimos cinco anos, as c\u00e2meras ligadas poderiam ser aliadas para denunciar o que ocorria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo pesquisadores do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil, a extra\u00e7\u00e3o mineral de sal-gema, realizada pela petroqu\u00edmica Braskem, seria respons\u00e1vel pelos danos \u00e0 regi\u00e3o. Cientes da trag\u00e9dia anunciada, os cineastas tentam, desde 2018, evitar o apagamento da mem\u00f3ria e sensibilizar o pa\u00eds para hist\u00f3rias de milhares de pessoas.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Longa<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oct\u00e1vio Lemos \u00e9 um dos realizadores do document\u00e1rio \u201cHist\u00f3rias do Subsolo\u201d, que est\u00e1 em fase final na produ\u00e7\u00e3o. A ideia \u00e9 que o longa seja exibido em TV e tamb\u00e9m disponibilizado em plataforma de streaming no ano que vem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDesde 2018, estamos acompanhando alguns personagens. \u00c9 uma trag\u00e9dia anunciada h\u00e1 muitos anos e essa \u00e9 a hist\u00f3ria que o nosso filme conta\u201d. O diretor explica que o filme aborda a implementa\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o da petroqu\u00edmica Salgema na d\u00e9cada de 1970, durante a ditadura militar.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image atom-align-center\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Luiza Leal \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/UXdMBBcOPjC-to8BeJ4awAEWpoo=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/filme_rachadura_-_luiza_leal_2.jpg?itok=WMwkv_oB\" alt=\"Afundamento do solo em Macei\u00f3 virou filme, produzido por cineastas v\u00edtimas do desastre da Braskem. Foto: Luiza Leal \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Document\u00e1rios e obras de fic\u00e7\u00e3o trazem hist\u00f3rias inspiradas pelo desastre provocado por minas de extra\u00e7\u00e3o de sal-gema da Braskem. Foto:\u00a0<strong>Luiza Leal \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Acervo<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 agora, o diretor da obra calcula haver mais de 100 horas de imagens. \u201cEstamos certos de que houve uma tentativa de apagar e silenciar as den\u00fancias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que mais impactou o cineasta foi justamente as hist\u00f3rias dos moradores. \u201cSobretudo as pessoas mais pobres que moravam l\u00e1 nessa regi\u00e3o, como na encosta do bairro do Mutange. O que eu tenho conhecimento \u00e9 que foram registrados 15 casos de suic\u00eddio diretamente ligados a esse caso\u201d. Al\u00e9m do filme programado para o ano que vem, o projeto conta com um site que detalha o crime ambiental. Confira dados da pesquisa no site Hist\u00f3rias do Subsolo (https:\/\/historiasdosubsolo.org\/).<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A dor na casa<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em vez de um document\u00e1rio, a cineasta Lu\u00edza Leal da Cunha optou por uma fic\u00e7\u00e3o inspirada nos fatos acontecidos na vizinhan\u00e7a do bairro dela, o Pinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme Rachadura conta a hist\u00f3ria de uma mulher que vive a perda de uma companheira com quem era casada e moradora do Pinheiro. \u201cEssa mulher tem uma liga\u00e7\u00e3o muito forte com essa casa. E, em uma noite, ela tem um pesadelo com tremores\u201d. No dia seguinte, ela v\u00ea uma cratera gigantesca na frente de casa. O filme deve estar pronto no ano que vem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde os primeiros tremores, Lu\u00edza realiza pesquisas no Pinheiro. \u201cPercebi que o caso vem afetando a vida pessoal e a sa\u00fade mental dessas pessoas. E isso me inspirou a pensar uma hist\u00f3ria de fic\u00e7\u00e3o que pudesse tocar outras pessoas\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Fuga<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cineasta Henrique Cavalcanti, de 33 anos, nascido e criado no bairro do Pinheiro, resolveu tamb\u00e9m se inspirar no desastre para conceber uma fic\u00e7\u00e3o, o curta \u201cRota de Fuga\u201d. As loca\u00e7\u00f5es foram na regi\u00e3o amea\u00e7ada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando a gente acabou de gravar algumas cenas, aconteceu esse novo tremor que desencadeou uma nova onda de consequ\u00eancias, que foi o abalo da Mina 18 (em 10 de dezembro). O filme foi 100% rodado nos bairros afetados pelo crime ambiental da Braskem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A principal loca\u00e7\u00e3o ficava no Pinheiro, bairro s\u00edmbolo da trag\u00e9dia. O curta conta a hist\u00f3ria da rela\u00e7\u00e3o de um filho com um pai, que sofre do Mal de Alzheimer, e que v\u00ea a vida impactada por um desastre ambiental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO filme mostra uma remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de casa e os problemas emocionais causados pela realidade. A gente acabou de gravar e o curta ter\u00e1 22 minutos\u201d. A previs\u00e3o de lan\u00e7amento \u00e9 at\u00e9 meados de 2024. O filme tem mistura de fic\u00e7\u00e3o com realidade, mas muito baseado em hist\u00f3rias que a gente teve contato.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-right\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Andr\u00e9a Guido \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/Z9gBv2SqhQwMiSfXDAxiu_PIPyE=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/para_reportagem_1_-_foto_de_andrea_guido_-_maceio.jpg?itok=wZSvAKCf\" alt=\"Desastre em Macei\u00f3 inspira cineastas a produzir document\u00e1rio e fic\u00e7\u00e3o. Foto: Andr\u00e9a Guido \/ Divulga\u00e7\u00e3o\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">A fot\u00f3grafa Andr\u00e9a Guido ainda n\u00e3o precisou sair de casa, mas registrou a indigna\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias removidas.\u00a0Foto:\u00a0<strong>Andr\u00e9a Guido \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as pessoas consultadas, a fot\u00f3grafa Andr\u00e9a Guido atuou como consultora do filme. \u201cTem rua que eu n\u00e3o consigo mais reconhecer. O bairro est\u00e1 completamente desconfigurado. Eu n\u00e3o consigo reconhecer a rua que morei. A Andr\u00e9a nos ajudou muito porque conhece o lugar em detalhes\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Detalhes doloridos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inclusive, foi inicialmente o tremor de 2018 que Andr\u00e9a, radicada em Macei\u00f3, a se aventurar com a m\u00e1quina em punho. Mesmo passados cinco anos, ela se emociona com as casas destru\u00eddas ou mesmo com os tapumes que desconfiguraram o que antes era vida normal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela e a fam\u00edlia s\u00e3o moradoras do bairro do Pinheiro e ainda n\u00e3o tiveram que sair do apartamento em que vivem. Do outro lado da sua, os vizinhos tiveram que sair. \u201cComo moradora, eu me senti na obriga\u00e7\u00e3o de fotografar e registrar a indigna\u00e7\u00e3o das pessoas. O que me motiva at\u00e9 hoje \u00e9 fazer com que essa hist\u00f3ria tenha um registro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes, a fot\u00f3grafa tem dificuldades de disparar a m\u00e1quina. Cada esquina fala direto ao cora\u00e7\u00e3o dela. \u201cA minha filha tem 28 anos. Ela nasceu e cresceu aqui no Pinheiro. Todos os pr\u00e9dios foram demolidos. Inclusive a igreja em que foi batizada, o mercadinho, o lugar que vendia o churrasco ou que vendia a tapioca, para onde a gente ia depois da escola. Todos esses locais que fazem parte da nossa mem\u00f3ria afetiva\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As fotos transformaram-se em exposi\u00e7\u00f5es, mas h\u00e1 tanto material que deve render mais conte\u00fado in\u00e9dito. Ela ainda pretende publicar um livro.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Foto de fam\u00edlia<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro trabalho sens\u00edvel de investiga\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica come\u00e7ou em 2020 e foi um projeto do artista visual Paulo Accioly. Ele criou o \u201cA gente foi feliz por aqui\u201d, que buscava registrar fam\u00edlias que ainda moravam no bairro, mas estavam prestes a sair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu fotografava e colava a foto da fam\u00edlia nos muros das casas que seriam derrubadas. O projeto era deixar as fam\u00edlias ali presentes, na casa deles, at\u00e9 o \u00faltimo momento poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Braskem<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Braskem, por interm\u00e9dio de sua p\u00e1gina na internet, alega que implementou \u201cmedidas amplas e adequadas para mitigar, compensar ou reparar impactos do afundamento do solo\u201d nos cinco bairros atingidos. \u201cAo longo dos \u00faltimos 4 anos, os moradores das \u00e1reas de desocupa\u00e7\u00e3o mapeadas pela Defesa Civil foram realocados de forma preventiva e indenizados. Os \u00faltimos 23 im\u00f3veis ocupados foram desocupados pela Defesa Civil, por determina\u00e7\u00e3o judicial\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A empresa acrescenta que tem acordos com autoridades para a realoca\u00e7\u00e3o preventiva e compensa\u00e7\u00e3o financeira das fam\u00edlias; apoio psicol\u00f3gico; a\u00e7\u00f5es urban\u00edsticas e ambientais. \u201cAt\u00e9 o momento, R$ 14,4 bilh\u00f5es foram provisionados e R$ 9,2 bilh\u00f5es j\u00e1 foram desembolsados com as a\u00e7\u00f5es adotadas em Alagoas, incluindo indeniza\u00e7\u00f5es e medidas socioambientais e econ\u00f4micas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">agenciabrasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cena parecia sa\u00edda de um pesadelo. 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