 {"id":22933,"date":"2024-02-15T07:22:47","date_gmt":"2024-02-15T10:22:47","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=22933"},"modified":"2024-02-15T07:22:47","modified_gmt":"2024-02-15T10:22:47","slug":"raizes-negras-femininas-e-religiosas-entenda-o-enredo-da-viradouro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2024\/02\/15\/raizes-negras-femininas-e-religiosas-entenda-o-enredo-da-viradouro\/","title":{"rendered":"Ra\u00edzes negras, femininas e religiosas: entenda o enredo da Viradouro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Para construir o\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2024-02\/nos-40-anos-da-sapucai-viradouro-e-campea-do-carnaval-do-rio\">enredo campe\u00e3o do carnaval do Rio de Janeiro em 2024<\/a>, o carnavalesco Tarc\u00edsio Zanon, da Unidos da Viradouro, buscou inspira\u00e7\u00e3o em tempos e espa\u00e7os long\u00ednquos. Levou para a Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed uma hist\u00f3ria do s\u00e9culo XVIII, que aconteceu na costa ocidental da \u00c1frica.\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1581188&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1581188&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas se engana quem imagina uma realidade muito distante do Brasil. O samba resgata as ancestralidades africana, negra, feminina e religiosa que constru\u00edram parte importante da cultura e da sociedade brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo do enredo \u00e9 \u201cArroboboi, Dangb\u00e9\u201d e conta a hist\u00f3ria das guerreiras Mino, do reino Daom\u00e9, atual Benin. Em meio \u00e0s batalhas na regi\u00e3o, do qual s\u00e3o protagonistas, elas s\u00e3o iniciadas espiritualmente pelas sacerdotisas voduns, uma dinastia de mulheres escolhidas por Dangb\u00e9. \u00c9 dessa forma que nasce o culto \u00e0 serpente vodum, que se dissemina pelo reino. E que chega depois ao Brasil, em terreiros na Bahia, sob a lideran\u00e7a da sacerdotisa daomeana Ludovina Pessoa, que espalhou a f\u00e9 nos voduns pelo territ\u00f3rio.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Claudia Alexandre\/Arquivo Pessoal\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/wHUvIxrjSvj56OI_CeYubv41qoA=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/claudia_alexandre_arquivo_pessoal_2.jpeg?itok=WgVmi6rK\" alt=\"Ra\u00edzes negras, femininas e religiosas: entenda o enredo da Viradouro. Na foto Claudia Alexandre. Foto: Claudia Alexandre\/Arquivo Pessoal\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Jornalista, sambista e cientista da religi\u00e3o Claudia Alexandre.\u00a0<strong>Foto: Claudia Alexandre\/Arquivo Pessoal<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jornalista, sambista e cientista da religi\u00e3o, Claudia Alexandre, considerou o enredo da Viradouro como \u201cespetacular\u201d. Ela \u00e9 autora dos livros \u201cOrix\u00e1s no Terreiro Sagrado do Samba\u201d e \u201cExu-Mulher e o Matriarcado Nag\u00f4\u201d e tem v\u00ednculos profundos com os temas religiosos apresentados na Sapuca\u00ed. \u00c9 iniciada do Terreiro Il\u00ea Ogod\u00f4 Dey, de Cachoeira, no Rec\u00f4ncavo da Bahia. L\u00e1, assume a posi\u00e7\u00e3o de Ebomi de Oxum, da Na\u00e7\u00e3o Nag\u00f4-Vodum, onde o culto a Oxumar\u00e9 \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oxumar\u00e9 \u00e9 uma divindade muito antiga, de raiz africana, normalmente representado por uma serpente, tal como no enredo da Viradouro. De acordo com a tradi\u00e7\u00e3o, Oxumar\u00e9 participou da cria\u00e7\u00e3o do mundo, reunindo a mat\u00e9ria e dando forma ao planeta. \u00c9 ela que sustenta o universo, controla e p\u00f5e os astros e o oceano em movimento, tendo desenhado os vales e rios da Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 um culto que se mant\u00e9m de forma especial no Brasil. O enredo passa por quest\u00f5es necess\u00e1rias do campo afro-brasileiro religioso. Normalmente, h\u00e1 uma demoniza\u00e7\u00e3o que impede que se conhe\u00e7a a riqueza e a import\u00e2ncia para alguns grupos da sobreviv\u00eancia das mem\u00f3rias e dos cultos que se voltam para a ancestralidade africana. O feminino sagrado das heran\u00e7as africanas sofre um apagamento. E a quest\u00e3o do poder da mulher negra a partir das religiosidades foi muito valorizada pela Viradouro\u201d, analisa Claudia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sambista e pesquisadora disse ter assistido com muita emo\u00e7\u00e3o ao desfile da escola de Niter\u00f3i, principalmente por ter se sentido representada como religiosa e mulher negra. Para ela, o carnaval das escolas de samba \u00e9 especial por dar centralidade \u00e0s narrativas e hist\u00f3rias do povo negro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA ancestralidade se levanta por meio das escolas de samba para ampliar vozes negras e mem\u00f3rias apagadas, ou desprezadas pela hist\u00f3ria. Pouco se sabe sobre as redes de solidariedade e diversidade dos candombl\u00e9s e suas na\u00e7\u00f5es. A serpente \u00e9 trazida como elemento sagrado de uma na\u00e7\u00e3o quase desconhecida no Sudeste. Mas muito presente em alguns terreiros de Salvador e do Rec\u00f4ncavo da Bahia, que cultuam os voduns, e no Maranh\u00e3o, na Casa das Minas. E tudo isso \u00e9 desconhecido, primeiramente, porque n\u00e3o est\u00e1 escrito e registrado na hist\u00f3ria do Brasil, mas tamb\u00e9m muito por conta do processo de domina\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o cat\u00f3lica na sociedade brasileira\u201d, diz Claudia.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image atom-align-center\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Marco Terranova\/Riotur\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/es_G0biOfIld7NvOtKyoULGmwZ0=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/53525509777_b3a987eb97_o.jpg?itok=gX92rCw6\" alt=\"Samb\u00f3dromo da Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed - 12\/02\/2024\nViradouro - Foto: Marco Terranova\/Riotur\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Samb\u00f3dromo da Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed &#8211; 12\/02\/2024 Viradouro &#8211; Foto: Marco Terranova\/Riotur &#8211;\u00a0<strong>Marco Terranova\/Riotur<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Emo\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Luciane Reis, o enredo da Viradouro n\u00e3o podia ter outra nota, se n\u00e3o 10. Ela faz parte do terreiro Il\u00ea Ax\u00e9 Oxumar\u00e9, de Salvador, considerado um dos mais relevantes templos da cultura afro-brasileira. Ele foi tombado pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan), em 2013. Emocionada, Luciane assistiu ao desfile da Viradouro duas vezes e acompanhou, pela televis\u00e3o, a apura\u00e7\u00e3o nesta Quarta-Feira de Cinzas (14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 uma verdadeira declara\u00e7\u00e3o de amor! Estou aqui entre chorar, dar risada e agradecer a esse orix\u00e1 da minha vida\u201d, disse Luciane. \u201cEles acertaram em tudo. N\u00e3o tem um erro. Ver meu orix\u00e1 ser retratado com tanto respeito e amor foi uma honra! Parab\u00e9ns \u00e0 Viradouro!\u201d, celebrou Luciane.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luciane \u00e9 uma vodunci de Oxumar\u00e9, o que equivale a uma Yawo ou esposa de orix\u00e1. Baiana, mangueirense de cora\u00e7\u00e3o, se rendeu ao samba da Viradouro, por trazer um orix\u00e1 de quem poucas pessoas falam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDesconhecem que \u00e9 uma das energias mais lindas, que seguram o universo. \u00c9 considerado uma energia que toma conta, que segura a terra, mas para mim, ele \u00e9 mais do que isso. Oxumar\u00e9 \u00e9 o orix\u00e1 que eu passo boa parte do meu tempo aprendendo a cuidar, a lidar, principalmente quando fala das minhas emo\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-right\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Brunno Rodrigues\/Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/c-ugemKScaUFK5K7WYmTMtRwJBE=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/credito_brunno_rodriguesdivulgacao.jpeg?itok=GSrsmx4m\" alt=\"Ra\u00edzes negras, femininas e religiosas: entenda o enredo da Viradouro.  Foto: Brunno Rodrigues\/Divulga\u00e7\u00e3o\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Babalaorix\u00e1 Ivanir dos Santos.\u00a0<strong>Foto: Brunno Rodrigues\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Babalaorix\u00e1 Ivanir dos Santos \u2013 professor no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGHC\/UFRJ) \u2013 entende que o enredo da Viradouro ajuda a divulgar pautas importantes de grupos que at\u00e9 hoje s\u00e3o socialmente discriminados. Ele est\u00e1 em viagem na Nig\u00e9ria e acompanhou a apura\u00e7\u00e3o do carnaval de l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO desfile das escolas de samba \u00e9 um momento muito importante para as religi\u00f5es de matriz africana. \u00c9 quando se mostra com dignidade todo o esplendor das rela\u00e7\u00f5es sociais, culturais e espirituais das nossas tradi\u00e7\u00f5es. Vencer o carnaval com esse enredo \u00e9 uma grande contribui\u00e7\u00e3o para a luta contra a intoler\u00e2ncia religiosa no Brasil e para a defesa das tradi\u00e7\u00f5es que tanto contribuem para a nossa identidade cultural\u201d, disse Ivanir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 um enredo que reverencia a nossa ancestralidade feminina e impulsiona a juventude de mulheres negras em busca dos direitos delas. \u00c9 um enredo brilhante, que contribui para a autoestima das nossas filhas e netas, para que entendam que precisam continuar\u00a0 sempre lutando\u201d, complementou.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Deslizes<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Wanderson Flor, professor de filosofia africana e direitos humanos na Universidade de Bras\u00edlia (UnB), a Viradouro acertou ao retratar as diferentes dimens\u00f5es ritual, cultural e pol\u00edtica dos cultos voduns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O feminino aparece como protagonista, descontruindo a imagem machista que se tem sobre o continente africano, como se l\u00e1 as mulheres, desde sempre, tivessem um papel subalternizado. Pelo contr\u00e1rio: elas foram guerreiras, estrategistas, sacerdotisas, lideran\u00e7as pol\u00edticas, nos dando uma li\u00e7\u00e3o, a partir dos imagin\u00e1rios africanos e afrodiasp\u00f3ricos, sobre a igualdade entre homens e mulheres. O enredo \u00e9 uma aula de hist\u00f3ria pol\u00edtica e cultural, com suas tens\u00f5es e din\u00e2micas, e de resist\u00eancia. E, sobretudo, ajuda a n\u00e3o termos imagens homog\u00eaneas do continente africano e de suas presen\u00e7as no Brasil. Somos herdeiros de v\u00e1rias \u00c1fricas e conhec\u00ea-las em sua pluralidade \u00e9 conhecer melhor quem somos&#8221;, disse Wanderson.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Wanderson Flor\/Arquivo Pessoal\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/t2FQ08bi0esPKMj5oulPgeI2fMg=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/wanderson_flor_arquivo_pessoal.jpeg?itok=zyTylkhf\" alt=\"Ra\u00edzes negras, femininas e religiosas: entenda o enredo da Viradouro. Na foto Wanderson Flor. Foto: Wanderson Flor\/Arquivo Pessoal\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Wanderson Flor, professor de filosofia africana e direitos humanos na UnB.\u00a0<strong>Foto: Wanderson Flor\/Arquivo Pessoal<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o professor da UnB tamb\u00e9m fez uma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica sobre o uso de algumas palavras no samba-enredo. Ele entende que houve deslize ao retratar uma cultura daomeana com os termos de outro povo, os iorub\u00e1s, que em determinados momentos foram inimigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Palavras como Ax\u00e9 e Al\u00e1fia, n\u00e3o pertencem ao imagin\u00e1rio daomeano dos cultuadores de vodum. Mas, ao mesmo tempo, mostra como, na hist\u00f3ria do candombl\u00e9, j\u00e1 aqui no Brasil, os povos africanos se uniram todos &#8211; tanto os povos vindos do centro-sul africano, quanto os que vieram da \u00c1frica Ocidental, em cren\u00e7as, valores, pr\u00e1ticas e, por que n\u00e3o, l\u00ednguas. N\u00e3o sei em que medida essa \u00faltima dimens\u00e3o foi explicitada, mas pensar nos esfor\u00e7os de Ludovina Pessoa, uma das matriarcas dos candombl\u00e9s j\u00eajes, pode nos dar pistas para pensar que nem s\u00f3 com o catolicismo se fizeram os sincretismos, mas tamb\u00e9m com os outros povos do continente africano que foram trazidos para c\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Confira o samba-enredo da Viradouro:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arroboboi, Dangb\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis o poder que rasteja na terra<br \/>\nLuz pra vencer essa guerra, a for\u00e7a do vodum<br \/>\nRastro que aben\u00e7oa Agoye<br \/>\nReza pra renascer, toque de Adahum<br \/>\nLealdade em brasa rubra, fogo em forma de mulher<br \/>\nUm levante \u00e0 liberdade, divindade em Daom\u00e9<br \/>\nJ\u00e1 sangrou um oceano pro seu rito incorporar<br \/>\nNum Brasil mais africano, outra areia, mesmo mar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ergue a casa de bogum, atabaque na Bahia<br \/>\nYa \u00e9 Gu rainha, herdeira do candombl\u00e9<br \/>\nCenten\u00e1rio fundamento da Costa da Mina<br \/>\nSemente de uma legi\u00e3o de f\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vive em mim, a irmandade que venceu a dor<br \/>\nA for\u00e7a, herdei de Hund\u00e9 e da luta mino<br \/>\nVai serpenteando feito rio ao mar<br \/>\nArco-\u00edris que no c\u00e9u vai clarear<br \/>\nAy\u00ee! Que seu veneno seja meu poder<br \/>\nBessen que corta o amanhecer<br \/>\nSagrado Gume-kujo<br \/>\nVodunsis o respeitam, clamam Kolof\u00e9<br \/>\nE os tambores revelam seu Af\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ca Alafiou, \u00ea Alafi\u00e1!<br \/>\n\u00c9 o ninho da serpente jamais tente afrontar!<br \/>\n\u00ca Alafiou, \u00ea Alafi\u00e1!<br \/>\n\u00c9 o ninho da serpente preparado pra lutar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arroboboi, meu pai! Arroboboi, Dangb\u00e9!<br \/>\nDestila seu ax\u00e9 na alma e no couro<br \/>\nDerrama nesse ch\u00e3o a sua \u00a0prote\u00e7\u00e3o<br \/>\nPra vit\u00f3ria da Viradouro!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/XyqFCat5QwkrvVlUnhGENoEU03o=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/53526578963_181e6ff541_o.jpg?itok=f6ovYGqA\" alt=\"Samb\u00f3dromo da Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed - 12\/02\/2024\nViradouro - Foto: Alex Ferro\/Riotur\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">agenciabrasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para construir o\u00a0enredo campe\u00e3o do carnaval do Rio de Janeiro em 2024, o carnavalesco Tarc\u00edsio Zanon, da Unidos da Viradouro, buscou inspira\u00e7\u00e3o em tempos e espa\u00e7os long\u00ednquos. 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