 {"id":23386,"date":"2024-02-19T08:44:11","date_gmt":"2024-02-19T11:44:11","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=23386"},"modified":"2024-02-19T08:44:11","modified_gmt":"2024-02-19T11:44:11","slug":"relato-de-professor-sobre-rigidez-em-penitenciaria-viraliza-na-web","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2024\/02\/19\/relato-de-professor-sobre-rigidez-em-penitenciaria-viraliza-na-web\/","title":{"rendered":"Relato de professor sobre rigidez em penitenci\u00e1ria viraliza na web"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O professor universit\u00e1rio Francisco Augusto da Cruz de Ara\u00fajo deu aulas por dois anos na Penitenci\u00e1ria Federal de Mossor\u00f3, no Rio Grande do Norte, e em relato \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0contou os r\u00edgidos protocolos de seguran\u00e7a pelos quais era obrigado a passar.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1581586&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1581586&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele relatou que \u201cn\u00e3o imaginava existirem padr\u00f5es de seguran\u00e7a t\u00e3o alt\u00edssimos\u201d e disse ter ficado descrente ao saber da hip\u00f3tese de que os presos teriam conseguido sair de suas celas sozinhos, ante todos os procedimentos a que eram submetidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato do professor come\u00e7ou a chamar aten\u00e7\u00e3o na rede social X (antigo Twitter). Numa s\u00e9rie de posts, ele descreveu, por exemplo, os procedimentos de entrada e sa\u00edda na unidade. Uma das publica\u00e7\u00f5es se aproxima de 5 mil compartilhamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela conta, por exemplo, que para entrar no pres\u00eddio precisou ter sua vida investigada com ao menos 15 dias de anteced\u00eancia, quando a dire\u00e7\u00e3o requer o envio dos documentos pessoais. Quem n\u00e3o se submete ao procedimento \u201cfica do lado de fora\u201d, conta Ara\u00fajo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele deu aulas a nove internos que foram aprovados para ingressar em curso superior de gest\u00e3o ambiental na Universidade Aberta do Brasil, no polo de Mossor\u00f3, que \u00e9 gerido pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). Foi escolhido por ter feito mestrado em ci\u00eancias sociais com foco em seguran\u00e7a p\u00fablica e sistema prisional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como os presos n\u00e3o t\u00eam acesso a eletr\u00f4nicos, para viabilizar os estudos \u00e0 dist\u00e2ncia era preciso enviar todo o material por email para ser impresso na pr\u00f3pria penitenci\u00e1ria. Ao menos uma vez por m\u00eas, Ara\u00fajo e outros professores iam \u00e0 unidade para dar aulas durante todo o dia, para tentar avan\u00e7ar o m\u00e1ximo poss\u00edvel no programa do curso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para entrar no pres\u00eddio, \u00e9 preciso utilizar roupas sem nada de metal, sejam bot\u00f5es, presilhas ou z\u00edperes. \u201cEu ia com uma cal\u00e7a de academia, dessas de nylon, camiseta e t\u00eanis de corrida\u201d. Nada de metal pode passar pelos diversos detectores espalhados pela unidade, relata o professor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro, Ara\u00fajo era encaminhado para a \u00e1rea administrativa e, depois, acompanhado de um policial penal, ia ao encontro dos alunos em diferentes alas do pres\u00eddio. \u201cEu levava de 30 a 40 minutos para chegar at\u00e9 o preso\u201d, disse o professor. \u201cEu brincava de contar quantos port\u00f5es de ferro eu precisava atravessar pra chegar at\u00e9 o lugar das aulas, \u00e0s vezes eram 17, \u00e0s vezes 20\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas aulas, os presos ficavam de um lado das grades enquanto Ara\u00fajo ficava do outro, sempre acompanhado do agente penitenci\u00e1rio. \u201c\u00c9ramos orientados a n\u00e3o revelar nada de nossa vida pessoal, para n\u00e3o haver risco de sequestros e coisas assim. Um dia levei uma cotovelada do agente porque, num ato falho, revelei a cidade e o bairro onde morava\u201d, conta o professor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para estudar, os presos tinham acesso somente ao material impresso, com p\u00e1ginas unidas por cola branca, pois nem mesmo grampos ou clipes eram permitidos. As canetas disponibilizadas aos internos tinham apenas o tubinho de tinta com a ponta, sem o corpo de pl\u00e1stico. Tudo era recolhido ao final do dia.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Fuga<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas duas oportunidades que teve de visitar celas da unidade, Ara\u00fajo relatou ter visto apenas uma cama e uma mesinha de alvenaria, sem bancos ou cadeiras. Nem mesmo len\u00e7\u00f3is s\u00e3o disponibilizados aos presos, para quem n\u00e3o usem para se enforcar, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na lembran\u00e7a do professor, as aberturas para ventila\u00e7\u00e3o e ilumina\u00e7\u00e3o da cela ficavam a cerca de cinco metros do ch\u00e3o. Isso fez ele estranhar a foto revelada pela imprensa que mostra o buraco por onde os presos supostamente escaparam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu achei muito estranho essa hip\u00f3tese de que eles fugiram por ali, porque quebraram uma parede de concreto armado que fica a cinco metros de altura. \u00c9 muito dif\u00edcil\u201d, disse ele \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor diz acreditar mais na hip\u00f3tese de que os dois fugitivos receberam algum tipo de ajuda. \u201cConhecendo os crit\u00e9rios de seguran\u00e7a que o pres\u00eddio federal de Mossor\u00f3 tem, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel algu\u00e9m sair de l\u00e1 sem que algu\u00e9m veja\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho de Ara\u00fajo na Penitenci\u00e1ria de Mossor\u00f3 ocorreu entre os anos de 2017 e 2018. A rotatividade de presos fez com que todos os alunos acabassem transferidos, o que impossibilitou a continuidade do projeto. \u201cAlguns, acho que tr\u00eas, que voltaram para pres\u00eddios estaduais conseguiram terminar o curso em outras unidades de ensino\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Lamento muito que isso tenha acontecido no pres\u00eddio federal, porque conhe\u00e7o a seriedade das pessoas que trabalharam comigo nesses dois anos. S\u00e3o pessoas espetaculares, comprometidas com a seguran\u00e7a&#8221;, conclui o professor.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Buscas<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste domingo (18), o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva comentou o epis\u00f3dio e disse acreditar em algum tipo de facilita\u00e7\u00e3o. Algumas horas depois, o ministro da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica, Ricardo Lewandowski, disse ser necess\u00e1rio o fim das investiga\u00e7\u00f5es para que se possa falar em qualquer tipo de coniv\u00eancia de agentes do pres\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As buscas pelos fugitivos entraram no quinto dia neste domingo e se concentram em um raio de 15 quil\u00f4metros ao redor da penitenci\u00e1ria. Cerca de 500 agentes trabalham na recaptura, bem como tr\u00eas helic\u00f3pteros, drones e detectores de calor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rog\u00e9rio da Silva Mendon\u00e7a e Deibson Cabral Nascimento foram os primeiros detentos a escapar de um pres\u00eddio federal, considerado de seguran\u00e7a m\u00e1xima. O sistema foi criado em 2006. Eles fugiram na \u00faltima quarta-feira (14) e s\u00e3o considerados de alta periculosidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">agenciabrasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O professor universit\u00e1rio Francisco Augusto da Cruz de Ara\u00fajo deu aulas por dois anos na Penitenci\u00e1ria Federal de Mossor\u00f3, no Rio Grande do Norte, e em relato \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil\u00a0contou os r\u00edgidos protocolos de seguran\u00e7a pelos quais era obrigado a passar. 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