 {"id":25028,"date":"2024-03-07T08:15:05","date_gmt":"2024-03-07T11:15:05","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=25028"},"modified":"2024-03-07T08:15:05","modified_gmt":"2024-03-07T11:15:05","slug":"clientes-nos-confundem-com-garcons-reclama-entregador-de-aplicativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2024\/03\/07\/clientes-nos-confundem-com-garcons-reclama-entregador-de-aplicativo\/","title":{"rendered":"\u201cClientes nos confundem com gar\u00e7ons\u201d, reclama entregador de aplicativo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Sofrer epis\u00f3dios de agress\u00e3o, ofensa e humilha\u00e7\u00e3o s\u00e3o rotina no cotidiano de entregadores de aplicativo. A percep\u00e7\u00e3o foi relatada por trabalhadores das duas maiores cidades do pa\u00eds, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. O caso mais recente de repercuss\u00e3o foi o do entregador da plataforma iFood Nilton Ramon de Oliveira, de 24 anos, baleado por um cliente policial militar (PM) na segunda-feira (4), em Vila Valqueire, zona oeste do Rio de Janeiro.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1584553&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1584553&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O motivo do desentendimento entre Nilton e o cabo Roy Martins Cavalcanti foi a exig\u00eancia do cliente para que o pedido fosse entregue na porta da casa do PM. Nilton foi baleado na perna e est\u00e1 internado no Hospital Municipal Salgado Filho. O quadro dele \u00e9 grave. O cabo da PM se apresentou a uma delegacia, prestou depoimento e foi liberado. A Pol\u00edcia Civil investiga o caso, e a Corregedoria da PM abriu um procedimento interno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O iFood refor\u00e7a que os entregadores n\u00e3o t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o de levar\u00a0os pedidos at\u00e9 a porta dos apartamentos. \u201cA entrega tem que ser realizada no primeiro ponto de contato, ou seja, no port\u00e3o da resid\u00eancia ou na portaria do condom\u00ednio. O que aconteceu com o Nilton \u00e9 inaceit\u00e1vel e conden\u00e1vel\u201d, diz a gerente de Impacto Social do iFood, Tatiane Alves.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ela, a empresa entrou em contato com a fam\u00edlia do entregador e se colocou\u00a0\u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para todo tipo de apoio. \u201cEspero que o caso n\u00e3o fique impune e que o Nilton se recupere muito em breve. Vamos acompanhar de perto esse caso\u201d, afirma.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Passado escravocrata<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O entregador Bruno Fran\u00e7a trabalha no centro do Rio de Janeiro. Ele contou que todos os dias acontecem casos de ofensas e desentendimentos entre clientes e entregadores. Para ele, a raiz do problema tem rela\u00e7\u00e3o com o passado escravocrata do pa\u00eds.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEu acho que a hist\u00f3ria de como foi constru\u00eddo o Brasil permeia at\u00e9 hoje. As reverbera\u00e7\u00f5es do que aconteceu no passado influenciam a nossa vida. N\u00e3o tenho d\u00favida de que isso tem liga\u00e7\u00e3o com o racismo. Muitos clientes, dentro de uma vis\u00e3o hist\u00f3rica escravocrata brasileira, acreditam que a gente tem que subir at\u00e9 o apartamento, colocar um babador e colocar comida na boca deles\u201d, diz o entregador.<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Vin\u00edcius Ribeiro\/Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/hWwf0zIBByCqlJzxBjNM1eBsCAw=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/03\/06\/bruno_franca.jpg?itok=hyUKstTW\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ) 06\/03\/2024 - Personagem Bruno Fran\u00e7a - Amigos, seguem fotos para a mat\u00e9ria \u201cClientes nos confundem com gar\u00e7ons\u201d, reclama entregador de aplicativo.\nFoto: Vin\u00edcius Ribeiro\/Divulga\u00e7\u00e3o\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Bruno Fran\u00e7a conta que os desentendimentos com clientes s\u00e3o frequentes &#8211;\u00a0<strong>Vin\u00edcius Ribeiro\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra queixa de Bruno \u00e9 que a plataforma, na avalia\u00e7\u00e3o dele, n\u00e3o deixa claro para o cliente que os entregadores n\u00e3o s\u00e3o obrigados a fazer a entrega na porta do apartamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodo dia acontece isso [desentendimento] porque muitos clientes entendem que a gente \u00e9 obrigado a subir\u201d. Ele cita ainda que, eventualmente, h\u00e1 um descumprimento da lei em vigor na cidade do Rio que pro\u00edbe a distin\u00e7\u00e3o no uso de elevadores entre social e de servi\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O entregador tamb\u00e9m aponta a falta de direitos trabalhistas como um dos motivos para a categoria ser alvo de agress\u00f5es e ofensas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMarginaliza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao mundo do trabalho. N\u00e3o temos direito algum. A gente vive em uma sociedade violenta. Dentro dessa perspectiva desses agressores, eles nos veem como algu\u00e9m sem direitos e que pode ser agredido, pode ser violado.\u201d<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Gar\u00e7ons<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafael Sim\u00f5es faz entregas na cidade de Niter\u00f3i, regi\u00e3o metropolitana do Rio. Ao conversar com a reportagem, pouco antes do meio-dia, ele avisou:\u00a0\u201cVamos rapidinho porque est\u00e1 chegando o hor\u00e1rio de pico, sabe como \u00e9, n\u00e9?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele compartilha da opini\u00e3o de que o passado do pa\u00eds tem a ver com a forma atual como\u00a0entregadores s\u00e3o tratados por alguns clientes.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-right\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Rafael Sim\u00f5es\/Arquivo Pessoal\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/fCDXpflG-n8ROFRxGFRwz9bSwYQ=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/03\/06\/rafael_simoes.jpg?itok=Cbf0UWl7\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ) 06\/03\/2024 - Personagem Entregador de APP, Rafael Sim\u00f5es - Amigos, seguem fotos para a mat\u00e9ria \u201cClientes nos confundem com gar\u00e7ons\u201d, reclama entregador de aplicativo.\nFoto: Rafael Sim\u00f5es\/Arquivo Pessoal\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">&#8220;O cliente acha que \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o [entregar no andar]&#8221;, reclama Rafael Sim\u00f5es, que trabalha em Niter\u00f3i &#8211;\u00a0<strong>Rafael Sim\u00f5es\/Arquivo Pessoal<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA gente vive nessa sociedade assim. O pessoal est\u00e1 realmente pensando que a gente \u00e9 escravo\u201d, diz.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO cliente acha que \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o [entregar no andar]. O cliente est\u00e1 confundindo entregador com gar\u00e7om. N\u00f3s n\u00e3o somos gar\u00e7ons\u201d, reclama Rafael.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rafael Sim\u00f5es conta que muitas vezes o entregador opta por deixar o pedido na porta do cliente para evitar problemas e tamb\u00e9m n\u00e3o perder tempo esperando a pessoa descer \u2013 muitas vezes com pressa nenhuma. \u201c\u00c0s vezes, para evitar o problema, a gente sobe. Mas n\u00e3o \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Agress\u00f5es<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A compara\u00e7\u00e3o de Bruno e Rafael\u00a0com o tempo de escravid\u00e3o ganha mais signific\u00e2ncia ao se lembrar o caso de Max \u00c2ngelo dos Santos. Em abril de 2023, o entregador negro\u00a0foi \u201cchicoteado\u201d com uma coleira de cachorro por uma mulher branca\u00a0que se sentiu incomodada com a presen\u00e7a de entregadores em uma cal\u00e7ada, em S\u00e3o Conrado, bairro nobre na zona sul do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outro caso de repercuss\u00e3o, tamb\u00e9m em S\u00e3o Conrado, um entregador compartilhou nas redes sociais a abordagem de uma mulher que desceu at\u00e9 a\u00a0portaria do pr\u00e9dio com um cutelo, depois de ele ter se recusado a subir para fazer a entrega.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Produtividade<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora do Rio de Janeiro, desentendimentos e ofensas tamb\u00e9m s\u00e3o frequentes, afirma o presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Motofretistas de Aplicativo e Aut\u00f4nomos do Brasil (AMABR), Edgar Franscisco da Silva, conhecido como Gringo. Outro ponto de atrito recorrente, segundo ele, \u00e9 quando h\u00e1 demora para a chegada do pedido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gringo atribui a recusa da entrega na porta do apartamento a uma busca por produtividade, uma vez que, pelos aplicativos de\u00a0<em>delivery<\/em>, os trabalhadores ganham por quantidade de entregas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe a pessoa j\u00e1 est\u00e1 na portaria na hora que o entregador chega, ele entrega, e o aplicativo j\u00e1 toca imediatamente para ele pegar outra corrida. Quando ele tem que subir at\u00e9 o apartamento, ele perde uma ou duas entregas, que v\u00e3o fazer falta na casa deles\u201d, explica. Gringo lembra que h\u00e1 pr\u00e9dios em que a pessoa anda centenas de metros at\u00e9 chegar ao cliente.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Ex\u00e9rcito de reserva<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente da AMABR contextualiza que a mudan\u00e7a de comportamento dos entregadores, que antes faziam a entrega na porta do domic\u00edlio, sofreu altera\u00e7\u00f5es mais profundamente durante a pandemia, quando muita gente foi for\u00e7ada a trabalhar como meio de sustento. Al\u00e9m de mais gente fazendo\u00a0<em>delivery<\/em>, os aplicativos acirravam a concorr\u00eancia por cliente baixando valores da taxa de entrega.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Edgar Francisco da Silva\/Arquivo\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/Rn787ejWKYPkSJWhCb-8blubGqI=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/03\/06\/edgar_francisco_da_silva.jpg?itok=sHRsL-OL\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ) 06\/03\/2024 - Personagem presidente da asscia\u00e7\u00e3o dos motofretistas de aplicativos e aut\u00f4nomos do Brasil, Edgar Francisco da Silva - Amigos, seguem fotos para a mat\u00e9ria \u201cClientes nos confundem com gar\u00e7ons\u201d, reclama entregador de aplicativo.\nFoto: Edgar Francisco da Silva\/Arquivo Pessoal\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Conhecido com Gringo, Edgar Francisco da Silva diz que os aplicativos de entrega t\u00eam \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o um &#8220;ex\u00e9rcito de reserva&#8221; &#8211;\u00a0<strong>Edgar Francisco da Silva\/Arquivo<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEles baixaram o pre\u00e7o para ter mais clientes, mas quem sentiu isso foi o entregador\u201d, observa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDevido \u00e0 baix\u00edssima remunera\u00e7\u00e3o, os entregadores est\u00e3o tendo outro comportamento que \u00e9 \u2018n\u00e3o vou subir, porque eu corro risco de ser multado, de a minha moto ser roubada, e n\u00e3o estou ganhando para isso, n\u00e3o vale a pena.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gringo nota ainda que algumas pessoas se veem superiores aos trabalhadores de\u00a0<em>delivery<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu n\u00e3o sei explicar esse comportamento, mas tem pessoas que se sentem superiores e, em qualquer situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o for do jeito que elas gostariam, j\u00e1 partem para esse lado da humilha\u00e7\u00e3o e da agress\u00e3o\u201d, lamenta o presidente da associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele conta que j\u00e1 vivenciou situa\u00e7\u00f5es em que teve que ser transportado em elevador que carregava lixo. \u201cAquele fedor insuport\u00e1vel\u201d. Al\u00e9m disso, j\u00e1 levou um empurr\u00e3o de uma cliente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso impacta, voc\u00ea fica com aquilo na cabe\u00e7a. A chance de voc\u00ea depois sofrer um acidente de moto porque estava com a cabe\u00e7a naquilo \u00e9 gigante\u201d, relata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gringo complementa que o fato de ter muita gente buscando trabalho como entregador faz com que empresas e plataformas n\u00e3o deem a devida aten\u00e7\u00e3o a reclama\u00e7\u00f5es dos trabalhadores.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO entregador fica muito submisso ao cliente, e o cliente aproveita disso. O cliente sabe que \u00e9 s\u00f3 ele falar \u2018o entregador foi mal-educado\u2019. O aplicativo n\u00e3o quer nem escutar o entregador, ele n\u00e3o quer perder o cliente, ent\u00e3o bloqueia o entregador porque ele tem um ex\u00e9rcito de reserva para fazer as entregas\u201d, diz Gringo.<\/p><\/blockquote>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Campanha<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A iFood faz campanhas e parcerias, inclusive com o Secovi (sindicato que re\u00fane administradoras de im\u00f3veis), para conscientizar a popula\u00e7\u00e3o e diminuir as chances de desentendimentos entre clientes e entregadores. No carnaval, houve a campanha #BoraDescer, sobre a necessidade de o cliente ir at\u00e9 o entregador no ponto de contato (portaria ou port\u00e3o da resid\u00eancia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A plataforma, que tem 250 mil entregadores ativos, oferece, desde junho 2023, uma central de apoio jur\u00eddico e psicol\u00f3gico, que fornece assist\u00eancia para entregadores v\u00edtimas de discrimina\u00e7\u00e3o, agress\u00e3o f\u00edsica, amea\u00e7a, ass\u00e9dio, abuso e\/ou viol\u00eancia sexual. A central \u00e9 uma parceria com o grupo Black Sisters in Law, formado por advogadas negras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apenas em 2024, a central recebeu 13.576 den\u00fancias de amea\u00e7a e agress\u00e3o f\u00edsica. Desde 2023, dos casos que resultaram em processos e atendimentos pela central de apoio, 26% se referem a casos de agress\u00e3o f\u00edsica, 23%, de\u00a0amea\u00e7a e 22%, de\u00a0discrimina\u00e7\u00e3o. De todos os casos atendidos, 16% est\u00e3o relacionados a subir ou n\u00e3o nos apartamentos.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Legisla\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um levantamento do Instituto Fogo Cruzado, especializado na coleta de informa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 viol\u00eancia armada, aponta que ao menos 26 entregadores motoboys foram baleados em servi\u00e7o na regi\u00e3o metropolitana do Rio desde 2017. Desses, 21 morreram. Os dados n\u00e3o apontam se eram especificamente ligados a plataformas e incluem v\u00edtimas de opera\u00e7\u00f5es policiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPrecisamos continuar falando dessa profiss\u00e3o que \u00e9 t\u00e3o desprezada, que coloca muita gente em risco e sustenta tantas fam\u00edlias no Brasil\u201d, observa Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEsses trabalhadores precisam de prote\u00e7\u00e3o que assegurem os direitos ao emprego e os direitos da vida tamb\u00e9m. \u00c9 preciso criar pol\u00edticas que assegurem o v\u00ednculo empregat\u00edcio mais seguro, al\u00e9m de punir agentes de seguran\u00e7a que usem da viol\u00eancia para impor as suas vontades. \u00c9 inadmiss\u00edvel que um policial militar armado ameace cidad\u00e3os dessa forma e fique por isso mesmo\u201d, critica o coordenador.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nhanga lembra que o pa\u00eds discute formas de regulamenta\u00e7\u00e3o do trabalho por meio de plataformas. Na segunda-feira (4), o governo\u00a0enviou ao Congresso um projeto de lei\u00a0que regula a atividade de motorista de aplicativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">agenciabrasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sofrer epis\u00f3dios de agress\u00e3o, ofensa e humilha\u00e7\u00e3o s\u00e3o rotina no cotidiano de entregadores de aplicativo. A percep\u00e7\u00e3o foi relatada por trabalhadores das duas maiores cidades do pa\u00eds, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. 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