 {"id":25666,"date":"2024-03-14T08:21:49","date_gmt":"2024-03-14T11:21:49","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=25666"},"modified":"2024-03-14T08:21:49","modified_gmt":"2024-03-14T11:21:49","slug":"filme-retrata-como-lupicinio-rodrigues-era-o-mestre-da-sofrencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2024\/03\/14\/filme-retrata-como-lupicinio-rodrigues-era-o-mestre-da-sofrencia\/","title":{"rendered":"Filme retrata como Lupic\u00ednio Rodrigues era o mestre da sofr\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Autor de cl\u00e1ssicos da sofr\u00eancia como Vingan\u00e7a, Nervos de A\u00e7o e Volta, o sambista ga\u00facho<a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/entretenimento\/musica\/google-celebra-o-105o-aniversario-de-lupicinio-rodrigues\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0Lupic\u00ednio Rodrigues<\/a>, o velho Lupi, deu os primeiros passos na m\u00fasica de um jeito peculiar. Criticando o rango do ex\u00e9rcito da cidade de Santa Maria (RS), onde era cabo antes de completar 20 anos. A ousadia, ocorrida em 1933, rendeu-lhe oito dias de pris\u00e3o, mas o credenciaria para se tornar um dos grandes compositores brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-gtm-vis-recent-on-screen104869357_94=\"158493\" data-gtm-vis-first-on-screen104869357_94=\"158493\" data-gtm-vis-total-visible-time104869357_94=\"100\" data-gtm-vis-has-fired104869357_94=\"1\">\u201cNoutro dia mudou a comida\u201d, lembraria o artista, anos depois, orgulhoso, em depoimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria, divertida, \u00e9 contada no \u00f3timo document\u00e1rio Lupic\u00ednio Rodrigues: Confiss\u00f5es de Um Sofredor, de Alfredo Manevy, que estreia nesta quinta-feira (14\/3) em todo o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Premiada com Melhor Edi\u00e7\u00e3o e Melhor Trilha Sonora na 17\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Fest Aruanda 2022 (Para\u00edba), recebendo Men\u00e7\u00e3o Honrosa, a obra \u00e9 um belo manifesto audiovisual e porque n\u00e3o dizer, cultural, ao dimensionar a relev\u00e2ncia e o legado de um dos \u00edcones da m\u00fasica popular brasileira. Com trabalho de pesquisa denso, montagem flu\u00edda, a narrativa do filme explora vi\u00e9s psicanal\u00edtico e at\u00e9 mesmo antropol\u00f3gico ao debru\u00e7ar sobre a vida, obra e causos do mestre da sofr\u00eancia, morto em 1974, aos 59 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado surpreende. Sobretudo por elevar \u2013 por meio de depoimentos pontuais de especialistas e entrevistas raras garimpadas com o compositor, entre 1968 e 1974 \u2013, o estilo musical, preconceituosamente chamado no Brasil de \u201cbrega\u201d \u2013 o sofrer de amor e sentimentos como vingan\u00e7a, desprezo, trai\u00e7\u00e3o, ci\u00fame e m\u00e1goa \u2013 em poesia universal. Ou seja, nas palavras do cineasta Alfredo Manevy, em sua primeira dire\u00e7\u00e3o: \u201cA dor de cotovelo \u00e9 um sentimento moderno important\u00edssimo, que explica muito o problema das rela\u00e7\u00f5es e ao mesmo tempo ressentimentos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que o diga o poeta concretista paulista Augusto de Campos, que num artigo l\u00facido e sincero, escrito sobre a po\u00e9tica passional de Lupic\u00ednio Rodrigues, nos anos 1960, o comparou ao bardo ingl\u00eas William Shakespeare, \u00e0 sombra de Otelo, personagem de pe\u00e7a escrita em 1603. \u201c(\u2026) E assim, como Shakespeare formulou, em termos arquet\u00edpicos, o sentimento do ci\u00fame em Otelo, Lupic\u00ednio, o criador da dor de cotovelo, (\u2026) praticamente desarmado, com a for\u00e7a de sua verdade, pelo pensamento bruto, consegue formular, como ningu\u00e9m, aquilo que se poderia chamar de sentimento da cornitude\u201d, escreveu. \u201cLupic\u00ednio, pelo deboche, pela ironia e pela exacerba\u00e7\u00e3o do brega, d\u00e1 uma resposta ao ressentimento. Acho que ele, com os seus sambas, consegue colocar o dedo nessa ferida, nos fazendo n\u00e3o s\u00f3 nos emocionar, mas tamb\u00e9m transmutar, refletir\u201d, endossa Manevy.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Negligenciado em Hollywood<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem articulado e eloquente, Alfredo Manevy, que ocupou o cargo de Secret\u00e1rio Executivo do Minist\u00e9rio da Cultura (MinC), na gest\u00e3o Juca Ferreira, e a presid\u00eancia da ag\u00eancia paulista de cinema SPCine, conta que a ideia inicial era fazer uma s\u00e9rie ou filme sobre a hist\u00f3ria do samba nos moldes do projeto do cineasta e historiador norte-americano Ken Burns. Um convite o fez mudar de ideia. Mas nem tanto.<\/p>\n<div class=\"m-banner-teads\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCostumo brincar que foi o Lupic\u00ednio que me escolheu\u201d, diverte-se o ex-gestor, atualmente professor de Cinema na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). \u201cDesde ent\u00e3o acredito que foi um encontro feliz porque j\u00e1 tinha o desejo de fazer um trabalho sobre o samba e Lupic\u00ednio precisava de algu\u00e9m que se dedicasse de corpo e alma para um di\u00e1logo com a obra dele\u201d, diz Manevy, que dedicou cinco anos ao projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com entrevistas e depoimentos de artistas como Gilberto Gil e Elza Soares (j\u00e1 falecida), al\u00e9m de familiares de Lupi, o document\u00e1rio tem na pesquisa seu ponto-chave. Da\u00ed a import\u00e2ncia de registros raros de Lupic\u00ednio Rodrigues que, segundo Manevy, n\u00e3o tem tantas imagens em movimento. Amparado por muitas fotografias, a narrativa do document\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 costurada por \u00e1udios do sambista ga\u00facho dados como perdidos e que remetem \u00e0 hist\u00f3ria da r\u00e1dio no Brasil, per\u00edodo em que grandes cartazes do segmento davam voz \u00e0s suas composi\u00e7\u00f5es, a exemplo de nomes como Francisco Alves e Linda Batista.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3000746\" class=\"wp-caption aligncenter m-img-wrap\" style=\"text-align: justify;\" aria-describedby=\"caption-attachment-3000746\"><span class=\"m-credit\">Reprodu\u00e7\u00e3o<\/span><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3000746\" src=\"https:\/\/uploads.metropoles.com\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/13121314\/Lupicinio-Rodrigues.jpeg\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" srcset=\"https:\/\/uploads.metropoles.com\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/13121314\/Lupicinio-Rodrigues.jpeg 1200w, https:\/\/uploads.metropoles.com\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/13121314\/Lupicinio-Rodrigues-571x400.jpeg 571w, https:\/\/uploads.metropoles.com\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/13121314\/Lupicinio-Rodrigues-1143x800.jpeg 1143w, https:\/\/uploads.metropoles.com\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/13121314\/Lupicinio-Rodrigues-150x105.jpeg 150w\" alt=\"Lupic\u00ednio Rodrigues em um est\u00fadio de televis\u00e3o  - Metr\u00f3poles\" width=\"1200\" height=\"840\" data-description=\"Reprodu\u00e7\u00e3o\" data-pin=\"pinIt\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3000746\" class=\"wp-caption-text\">Cena do document\u00e1rio Lupic\u00ednio Rodrigues<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAchamos fascinante construir o filme, diferentemente, de outras cinebiografias, n\u00e3o a partir principalmente das imagens da televis\u00e3o, mas da sonoridade da r\u00e1dio e da entrevista da r\u00e1dio\u201d, observa Manevy. \u201cA gente n\u00e3o entrega o Lupic\u00ednio 100% por imagens, a gente oferece essa rela\u00e7\u00e3o mais aberta, entre som e imagem\u201d, detalha.<\/p>\n<div class=\"m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como n\u00e3o podia deixar de ser, o tema do racismo n\u00e3o passa batido no document\u00e1rio. Autor da letra e m\u00fasica do Gr\u00eamio, time do cora\u00e7\u00e3o do velho Lupi, o filme mostra como as ligas de futebol ga\u00fachas desprezavam os atletas negros e, certa vez, j\u00e1 consagrado em todo o pa\u00eds, o artista foi proibido de entrar numa lancheria em Porto Alegre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m aborda a complexa rela\u00e7\u00e3o dos direitos autorais no Brasil, num intricado epis\u00f3dio envolvendo a m\u00fasica Se Acaso Voc\u00ea Chegasse, que chegou ser indicada ao Oscar de 1945 como trilha do musical Dan\u00e7arina Loura (\u201cLady, Let\u2019s Dance!\u201d), sem o conhecimento do compositor. Segundo Manevy, longe de ser um acontecimento folcl\u00f3rico, a passagem revela a fragilidade da economia cultural no pa\u00eds e o desrespeito ao cr\u00e9dito de autor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cComo uma m\u00fasica de um grande compositor brasileiro sai do Brasil, entra em Hollywood e ele n\u00e3o recebe cr\u00e9dito? Existe uma dificuldade do Estado brasileiro de reconhecer a import\u00e2ncia da economia da cultura como algo estrat\u00e9gico. Esse epis\u00f3dio com o Lupic\u00ednio aconteceu com muitos autores brasileiros. O cr\u00e9dito \u00e9 uma quest\u00e3o moral\u201d, destaca o cineasta, que j\u00e1 trabalha em seu novo projeto. \u201cJ\u00e1 comecei a filmar. \u00c9 um document\u00e1rio que se passa na Amaz\u00f4nia, conta a vida de um benzedor do Rio Negro, o primeiro do pa\u00eds a ser inclu\u00eddo no SUS e que, por meio de sua pajelan\u00e7a, resolve casos que a medicina ocidental n\u00e3o consegue\u201d, antecipa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">metropoles<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor de cl\u00e1ssicos da sofr\u00eancia como Vingan\u00e7a, Nervos de A\u00e7o e Volta, o sambista ga\u00facho\u00a0Lupic\u00ednio Rodrigues, o velho Lupi, deu os primeiros passos na m\u00fasica de um jeito peculiar. Criticando o rango do ex\u00e9rcito da cidade de Santa Maria (RS), onde era cabo antes de completar 20 anos. 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