 {"id":2940,"date":"2023-07-21T08:24:39","date_gmt":"2023-07-21T11:24:39","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=2940"},"modified":"2023-07-21T08:24:39","modified_gmt":"2023-07-21T11:24:39","slug":"casos-de-estupro-aumentam-82-no-brasil-em-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2023\/07\/21\/casos-de-estupro-aumentam-82-no-brasil-em-2022\/","title":{"rendered":"Casos de estupro aumentam 8,2% no Brasil em 2022"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Os casos de estupro e estupro de vulner\u00e1vel notificados no ano passado \u00e0s autoridades policiais chegaram a 74.930, o que representa 36,9 em cada grupo de 100 mil habitantes. O n\u00famero \u00e9 8,2% maior do que o registrado em 2021, de acordo com os dados divulgados nesta quinta-feira (20), no Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica 2023, do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. Os casos de estupro somaram 18.110 v\u00edtimas em 2022, crescimento de 7% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, e os de estupro de vulner\u00e1vel,\u00a0 56.820 v\u00edtimas, 8,6% a mais do que no ano anterior.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1544695&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1544695&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo os dados, 24,2% das v\u00edtimas eram homens e mulheres com mais de 14 anos, e 75,8% eram capazes de consentir, fosse pela idade (menores de 14 anos), ou por qualquer outro motivo (defici\u00eancia, enfermidade etc.). Apenas 8,5% dos estupros no Brasil s\u00e3o reportados \u00e0s pol\u00edcias e 4,2% pelos sistemas de informa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Assim, conforme a estimativa, o patamar de casos de estupro no Brasil \u00e9 de 822 mil casos anuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa revela que as crian\u00e7as e adolescentes continuam sendo as maiores v\u00edtimas da viol\u00eancia sexual: 10,4% das v\u00edtimas de estupro eram beb\u00eas e crian\u00e7as com idade at\u00e9 4 anos; 17,7% das v\u00edtimas tinham entre 5 e 9 anos e 33,2% entre 10 e 13 anos. Ou seja, 61,4% tinham no m\u00e1ximo 13 anos. Aproximadamente 8 em cada 10 v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual eram menores de idade. Pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira, uma pessoa s\u00f3 passa a ser capaz de consentir a partir dos 14 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o anu\u00e1rio, no ano passado, 88,7% das v\u00edtimas eram do sexo feminino e 11,3%, do masculino; 56,8% eram pretas ou pardas (no ano anterior. eram 52,2%); 42,3%, brancas; 0,5%, ind\u00edgenas; e 0,4%, amarelas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEmbora n\u00e3o tenhamos pesquisas sobre o tema no Brasil, \u00e9 comum ouvir relatos de profissionais de educa\u00e7\u00e3o, ou mesmo de policiais, que indicam que foi o professor ou a professora que notou diferen\u00e7as no comportamento da crian\u00e7a e primeiro soube do abuso. Assim, a escola tem papel fundamental para identificar epis\u00f3dios de viol\u00eancia, mas, principalmente, em fornecer o conhecimento necess\u00e1rio para que as crian\u00e7as entendam sobre abuso sexual e sejam capazes de se proteger\u201d, diz o anu\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda segundo o anu\u00e1rio, \u00e9 comum a crian\u00e7a n\u00e3o ser capaz de reconhecer o abuso, seja por falta de conhecimento, seja por v\u00ednculo com o agressor. \u201c\u00c9 compreens\u00edvel que a crian\u00e7a tenha algum sentimento de amor, ou mesmo lealdade, pelo agressor, j\u00e1 que em geral o abuso \u00e9 praticado por pais, padrastos, av\u00f3s e outros familiares. Al\u00e9m disso, o abusador tende a manipular a crian\u00e7a com amea\u00e7as ou subornos, o que garante o sil\u00eancio da v\u00edtima. O sentimento de culpa ou vergonha costuma estar presente na crian\u00e7a, que acaba n\u00e3o revelando nada a familiares.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme os registros 82,7% dos abusadores s\u00e3o conhecidos das v\u00edtimas e 17,3%, desconhecidos. Entre as crian\u00e7as e adolescentes com idade at\u00e9 13 anos, os principais autores s\u00e3o familiares (64,4% dos casos) e 21,6%, conhecidos da v\u00edtima, mas sem rela\u00e7\u00e3o de parentesco. Entre as v\u00edtimas de 14 anos ou mais, chama a aten\u00e7\u00e3o que 24,4% dos abusos foram praticados por parceiros ou ex-parceiros \u00edntimos da v\u00edtima, 37,9% por familiares e 15% por outros conhecidos. Apenas 22,8% dos estupros de pessoas com mais de 14 anos foram praticados por desconhecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resid\u00eancia \u00e9 o local que aparece com mais frequ\u00eancia, j\u00e1 que em m\u00e9dia, 68,3% dos casos somados de estupro e estupro de vulner\u00e1vel ocorreram na casa da v\u00edtima. A propor\u00e7\u00e3o dos estupros de vulner\u00e1vel que ocorrem em casa \u00e9 de 71,6% e nos estupros, de 57,8%. A via p\u00fablica foi o local apontado em 17,4% dos registros de estupro e em 6,8% dos de vulner\u00e1vel. A maioria dos casos de viol\u00eancia sexual (53,3%) ocorre \u00e0 noite ou na madrugada (entre 18h e 5h59). Quanto \u00e0s ocorr\u00eancias de estupro de vulner\u00e1vel, que atingem principalmente crian\u00e7as, a maioria (65,1%) foi ao longo do dia, entre 6h e 11h59, ou entre o meio-dia e as 17h59, per\u00edodo em que a m\u00e3e ou cuidadora em geral est\u00e1 fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Juliana Brand\u00e3o, do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, o n\u00famero de casos de estupros \u00e9 o maior desde que a institui\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a acompanhar tais ocorr\u00eancias, e \u00e9 dif\u00edcil atribuir o aumento a um \u00fanico fator, principalmente porque \u00e9 um crime extremamente complexo, que tem suas especificidades. \u201cNeste caso, estamos falando de crian\u00e7as com at\u00e9 13 anos, consideradas vulner\u00e1veis. Esse aumento dos n\u00fameros \u00e9 apenas o aumento das notifica\u00e7\u00f5es, porque o crime de estupro por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 um crime que, pela natureza que carrega, j\u00e1 tem muita subnotifica\u00e7\u00e3o. Quando estamos olhando para esse universo mais de crian\u00e7as e adolescentes, \u00e9 mais dif\u00edcil ainda imaginar que crian\u00e7as e adolescentes foram respons\u00e1veis por notificar a grande viol\u00eancia que sofreram\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Juliana, \u00e9 poss\u00edvel que esse resultado seja fruto de um conjunto de fatores que pode ser explicado, em parte, pelo maior empoderamento das v\u00edtimas, mas n\u00e3o se pode esquecer de analisar que h\u00e1 pessoas que est\u00e3o sendo os vetores dessa comunica\u00e7\u00e3o oficial para as autoridades, os adultos. \u201cE s\u00e3o esses adultos que conseguiram, de alguma forma, funcionar fazendo essa media\u00e7\u00e3o, ouvindo o relato das crian\u00e7as e adolescentes e levando para a pol\u00edcia para que o registro fosse efetivado\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">agenciabrasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os casos de estupro e estupro de vulner\u00e1vel notificados no ano passado \u00e0s autoridades policiais chegaram a 74.930, o que representa 36,9 em cada grupo de 100 mil habitantes. 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