 {"id":31015,"date":"2024-05-13T08:49:07","date_gmt":"2024-05-13T11:49:07","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=31015"},"modified":"2024-05-13T08:49:07","modified_gmt":"2024-05-13T11:49:07","slug":"mulher-com-15-canceres-que-faz-quimio-ha-21-anos-sou-um-milagre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2024\/05\/13\/mulher-com-15-canceres-que-faz-quimio-ha-21-anos-sou-um-milagre\/","title":{"rendered":"Mulher com 15 c\u00e2nceres que faz quimio h\u00e1 21 anos: \u201cSou um milagre\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Vera L\u00facia Duarte, de 65 anos, viu sua vida mudar ap\u00f3s um acidente de trabalho em 2003. O que come\u00e7ou com uma les\u00e3o na coluna se transformou em algo mais preocupante: no tempo em que ficou afastada do trabalho, ela foi diagnosticada com fibrosarcoma no f\u00eamur, o come\u00e7o de uma hist\u00f3ria que j\u00e1 teve outros 14 laudos de c\u00e2ncer.<\/p>\n<div class=\"m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-gtm-vis-recent-on-screen104869357_94=\"26188\" data-gtm-vis-first-on-screen104869357_94=\"26188\" data-gtm-vis-total-visible-time104869357_94=\"100\" data-gtm-vis-has-fired104869357_94=\"1\">Em 2003, Vera, que era nutricionista em um hospital, caiu e, por causa de um problema na coluna, ficou oito meses afastada. Depois de um tempo, ela come\u00e7ou a sentir que sua perna \u201cfalhava\u201d e n\u00e3o tinha for\u00e7as. Na consulta com o ortopedista, descobriu o n\u00f3dulo no osso. O fibrossarcoma \u00e9 considerado um tumor raro e agressivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s receber o diagn\u00f3stico de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/saude\/cancer-principais-fatores-de-risco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">c\u00e2ncer<\/a>, tr\u00eas m\u00e9dicos lhe disseram que ela precisaria amputar a perna. Vera, teimosa, se recusava, pois tinha um filho pequeno e precisava trabalhar.<\/p>\n<div class=\"m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote><p>\u201cEu disse para a m\u00e9dica que n\u00e3o ia amputar porcaria nenhuma, que tinha que ter outra solu\u00e7\u00e3o. Falei: \u2018Tu vai me ver com muitos e muitos anos. N\u00e3o \u00e9 um cancerzinho que vai me matar&#8217;\u201d, relembra.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nutricionista recebeu indica\u00e7\u00e3o para se consultar com outra oncologista, que passou uma s\u00e9rie de exames. Com os resultados em m\u00e3os, a m\u00e9dica tranquilizou Vera e afirmou que seu caso seria tratado com medica\u00e7\u00e3o, sem necessidade de amputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tratamento come\u00e7ou com quimioterapia, radioterapia e fisioterapia. O n\u00f3dulo foi diminuindo: hoje, ela ainda possui 20% dele, mas est\u00e1 \u201cmortinho\u201d, nas palavras da nutricionista. \u201cFiz fisioterapia, fiquei de cadeira de rodas, usei bengala e, hoje, ando com as minhas duas pernas tranquila, correndo por a\u00ed\u201d, brinca Vera.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Met\u00e1stase em v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos seguintes, o tumor se expandiu. Em 2005,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/saude\/metastase-mulheres-contam-como-e-possivel-viver-com-diagnostico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a nutricionista foi diagnosticada com met\u00e1stase<\/a>\u00a0na epiteli\u00f3ide, um tipo de c\u00e2ncer raro nas partes moles. No ano seguinte,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/saude\/cancer-pesquisa-indica-que-metastase-pode-estar-relacionada-a-genetica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a met\u00e1stase foi para o f\u00edgado<\/a>; em 2008, o c\u00e2ncer apareceu na tireoide; e em 2010, Vera teve que retirar as am\u00edgdalas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2011, a met\u00e1stase chegou ao ov\u00e1rio e, dois anos depois, nas trompas, que ela precisou retirar. Em 2015, o c\u00e2ncer foi detectado no colo de \u00fatero. Em 2018, chegou na pleura, uma membrana fina e transparente que reveste os pulm\u00f5es e o interior da parede tor\u00e1cica. Em 2020, ela foi diagnosticada com c\u00e2ncer no pulm\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doen\u00e7a continuou se espalhando, e em 2021, atingiu a cabe\u00e7a e o ouvido. Em 2023, Vera teve melanoma (<a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/saude\/vacina-contra-cancer-de-pele\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">c\u00e2ncer de pele<\/a>) e no final do ano descobriu que o c\u00e2ncer tinha atingido a vagina \u2014 ela precisou passar por uma cirurgia para retirada do tumor e colocar uma pr\u00f3tese. Durante esses 21 anos lutando contra o c\u00e2ncer, a nutricionista nunca parou de tomar a quimioterapia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3060437\" class=\"wp-caption aligncenter m-img-wrap\" style=\"text-align: justify;\" aria-describedby=\"caption-attachment-3060437\"><span class=\"m-credit\">Reprodu\u00e7\u00e3o Instagram amovicriciuma<\/span><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3060437 size-full\" src=\"https:\/\/uploads.metropoles.cloud\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/10181909\/vera-duarte-passou-por-15-canceres-2.jpeg\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/uploads.metropoles.cloud\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/10181909\/vera-duarte-passou-por-15-canceres-2.jpeg 1280w, https:\/\/uploads.metropoles.cloud\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/10181909\/vera-duarte-passou-por-15-canceres-2-600x400.jpeg 600w, https:\/\/uploads.metropoles.cloud\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/10181909\/vera-duarte-passou-por-15-canceres-2-1200x800.jpeg 1200w, https:\/\/uploads.metropoles.cloud\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/10181909\/vera-duarte-passou-por-15-canceres-2-300x200.jpeg 300w, https:\/\/uploads.metropoles.cloud\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/10181909\/vera-duarte-passou-por-15-canceres-2-450x300.jpeg 450w, https:\/\/uploads.metropoles.cloud\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/10181909\/vera-duarte-passou-por-15-canceres-2-150x100.jpeg 150w\" alt=\"Foto colorida de Vera Lucia Duarte \" width=\"1280\" height=\"853\" data-description=\"Reprodu\u00e7\u00e3o Instagram amovicriciuma\" data-pin=\"pinIt\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3060437\" class=\"wp-caption-text\">Depois de ter passado por 15 c\u00e2nceres, Vera se dedica a acolher pacientes que t\u00eam a doen\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Detecta\u00e7\u00e3o precoce pode ser eficaz<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o oncologista Bernardo Garicochea, diretor de oncogen\u00e9tica da Oncocl\u00ednicas e diretor cl\u00ednico de c\u00e2ncer heredit\u00e1rio da OC Medicina de Precis\u00e3o, o surgimento das c\u00e9lulas cancerosas e das met\u00e1stases s\u00e3o fen\u00f4menos ainda muito intrigantes dentro da biologia humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs c\u00e9lulas funcionam como se fossem uma orquestra, cada uma desempenha sua parte. Quando uma come\u00e7a a sofrer muta\u00e7\u00f5es, a cada nova mudan\u00e7a ela fica independente das outras, at\u00e9 que chega um momento em que nem \u00e9 mais reconhec\u00edvel como uma c\u00e9lula que j\u00e1 foi normal. A partir desse momento, ela come\u00e7a a mudar todo o ambiente em volta para que possa se defender do ataque do sistema imunol\u00f3gico, roubar nutrientes, criar mecanismos de sobreviv\u00eancia e se multiplicar\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A preven\u00e7\u00e3o e detec\u00e7\u00e3o precoce s\u00e3o as formas mais eficazes de curar o c\u00e2ncer, que depende de tempo para adquirir mais muta\u00e7\u00f5es. O m\u00e9dico esclarece que quanto mais se demora para intervir e parar as mudan\u00e7as, mais resistentes as c\u00e9lulas ficam e mais dif\u00edcil \u00e9 destru\u00ed-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAtrav\u00e9s de exames regulares, as altera\u00e7\u00f5es ser\u00e3o vistas em exames de imagem. Se detectadas les\u00f5es muito iniciais, a probabilidade dessas c\u00e9lulas terem ganhado muta\u00e7\u00e3o \u00e9 muito pequena. A taxa de cura desses pacientes \u00e9 quase 100%\u201d, afirma o oncologista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o caso da Vera, Garicochea diz que cada c\u00e2ncer possui tratamentos espec\u00edficos, dependendo da fase, caracter\u00edsticas do paciente, idade e condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas. Tudo \u00e9 levado em considera\u00e7\u00e3o para decidir qual tratamento ser\u00e1 o mais apropriado.<\/p>\n<div class=\"m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o extremamente rara. A gente sabe h\u00e1 muito tempo que uma pessoa com c\u00e2ncer tem mais chances de desenvolver um segundo do que algu\u00e9m que nunca teve a doen\u00e7a. Se o paciente fez muita quimioterapia, tamb\u00e9m tem mais risco de ter outros c\u00e2nceres\u201d, esclarece.<\/p><\/blockquote>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Volunt\u00e1ria na batalha contra o c\u00e2ncer<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, Vera \u00e9 presidente da Associa\u00e7\u00e3o Amor a Vida (AMOVI), uma entidade sem fins lucrativos que j\u00e1 existe h\u00e1 14 anos com o prop\u00f3sito de acolher pessoas que est\u00e3o enfrentando o c\u00e2ncer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodo dia estou na luta, me dedico para eles ali. Eu nunca pedi para Deus me curar. Pedi para ficar bem para ajudar meus irm\u00e3os da entidade, porque sei que n\u00e3o existe cura. Na associa\u00e7\u00e3o, somos todos volunt\u00e1rios, n\u00e3o recebemos um centavo pra trabalhar\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De segunda a quinta, a nutricionista acorda \u00e0s 5h da manh\u00e3 e vai buscando os pacientes que s\u00e3o acolhidos pela ONG em casa para lev\u00e1-los ao hospital onde devem receber a medica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cDigo que sou um milagre e tudo que fa\u00e7o \u00e9 em prol deles. N\u00e3o penso na minha vida, porque sou uma caixinha de surpresas. J\u00e1 estou com prazo de validade vencido\u2026 o que vem pra mim \u00e9 lucro\u201d, diz.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vera considera que tudo o que aconteceu foi uma li\u00e7\u00e3o de vida. \u201cEu n\u00e3o tinha tempo para nada: s\u00f3 trabalhava, trabalhava, trabalhava. Ao partir do momento que descobri o primeiro c\u00e2ncer, passei a cuidar mais de mim e, agora, dos outros. Deus me deixou viva para eu fazer esse trabalho, e \u00e9 algo que amo fazer. Tenho o maior prazer de sair da minha casa, n\u00e3o reclamo de nada\u201d, desabafa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">metropoles<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vera L\u00facia Duarte, de 65 anos, viu sua vida mudar ap\u00f3s um acidente de trabalho em 2003. 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