 {"id":35525,"date":"2024-07-22T08:14:28","date_gmt":"2024-07-22T11:14:28","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=35525"},"modified":"2024-07-22T08:14:28","modified_gmt":"2024-07-22T11:14:28","slug":"manual-do-usuario-antidepressivos-e-impactos-desses-remedios-no-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2024\/07\/22\/manual-do-usuario-antidepressivos-e-impactos-desses-remedios-no-corpo\/","title":{"rendered":"Manual do usu\u00e1rio: antidepressivos e impactos desses rem\u00e9dios no corpo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ou voc\u00ea toma antidepressivos ou conhece algu\u00e9m que j\u00e1 precisou fazer uso desses medicamentos. Estimativas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) indicam que ao menos 5% dos adultos em todo o mundo t\u00eam depress\u00e3o; a condi\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/saude\/aos-40-mulheres-sao-maiores-consumidoras-de-antidepressivos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mais comum em mulheres.<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-gtm-vis-recent-on-screen104869357_94=\"32812\" data-gtm-vis-first-on-screen104869357_94=\"32812\" data-gtm-vis-total-visible-time104869357_94=\"100\" data-gtm-vis-has-fired104869357_94=\"1\">Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria (ABP), a depress\u00e3o \u00e9 um transtorno mental cr\u00f4nico que se caracteriza pela presen\u00e7a de tristeza, pessimismo e baixa autoestima. Mesmo cercada de preconceito, a doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 \u201cfrescura\u201d: \u00e9 causada por um desequil\u00edbrio de neurotransmissores no c\u00e9rebro, que n\u00e3o suficientes para realizar as sinapses corretamente. Tal condi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ocorre quando os neur\u00f4nios n\u00e3o se desenvolveram de maneira adequada para passar informa\u00e7\u00f5es entre si com efici\u00eancia. Sem tratamento, aumentam as\u00a0chances de o paciente ter infarto ou at\u00e9 cometer suic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora nem todos os pacientes precisem ser tratados com antidepressivos (a terapia \u00e9 indicada apenas para casos moderados e graves), o \u00faltimo relat\u00f3rio do Conselho Federal de Farm\u00e1cia (CFF) sobre os medicamentos, publicado em julho de 2024, aponta que a venda desses f\u00e1rmacos subiu 11% entre 2022 e 2023. Estima-se um crescimento de mais 4% neste ano, com a previs\u00e3o de 220 milh\u00f5es de comprimidos comercializados. A quantidade supera, pela primeira vez, a popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antidepressivos j\u00e1 est\u00e3o amplamente difundidos na sociedade, por\u00e9m ainda est\u00e3o cercados de tabus. Muitos pacientes que precisam de tratamento t\u00eam medo de inici\u00e1-lo por temerem os efeitos colaterais. Em contrapartida, tamb\u00e9m \u00e9 grande a quantidade de pessoas que ainda n\u00e3o t\u00eam acesso aos rem\u00e9dios por n\u00e3o conseguirem consultas com psiquiatras (\u00fanicos m\u00e9dicos habilitados a receit\u00e1-los), especialmente na rede p\u00fablica de sa\u00fade.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">O que s\u00e3o os antidepressivos?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os antidepressivos s\u00e3o f\u00e1rmacos capazes de aumentar a oferta de alguns neurotransmissores no c\u00e9rebro para permitir maior controle das emo\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m melhorar a capacidade de organizar fluxos de pensamento e de a\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do que sugere o nome, nem sempre os antidepressivos s\u00e3o usados para tratamento da depress\u00e3o. A prescri\u00e7\u00e3o pode abranger pessoas com ansiedade, bem como pacientes que sofrem com ins\u00f4nia, terror noturno e transtornos de movimento, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de uma classe de medicamentos que surgiu nos anos 1950, com o objetivo de estabilizar o humor de pacientes deprimidos. A imipramina foi um dos primeiros rem\u00e9dios da categoria, que prontamente come\u00e7ou a se expandir, \u00e0 medida que tamb\u00e9m ganhavam fama os efeitos colaterais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os primeiros rem\u00e9dios causavam sensa\u00e7\u00e3o de seda\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00f5es no funcionamento do cora\u00e7\u00e3o e levavam a problemas urin\u00e1rios e digestivos. Os rem\u00e9dios atuais tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o isentos de efeitos adversos, mas a tecnologia de funcionamento dos antidepressivos foi sendo aperfei\u00e7oada \u2013 especialmente a partir da d\u00e9cada de 1980, quando chegou ao mercado a fluoxetina, o famoso Prozac, conhecido como a \u201cp\u00edlula da felicidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Prozac causou uma revolu\u00e7\u00e3o nos antidepressivos. A partir dele, os rem\u00e9dios se tornaram mais eficazes, mais toler\u00e1veis, e nos permitiram come\u00e7ar a tratar tamb\u00e9m a depress\u00e3o moderada, n\u00e3o s\u00f3 as mais graves\u201d, lembra o psiquiatra Marcos Gebara, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Psiqui\u00e1trica do Estado do Rio de Janeiro (Aperj).<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Como os antidepressivos agem?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem v\u00e1rios tipos de antidepressivos. Os mais comuns hoje em dia s\u00e3o a fluoxetina e os descendentes do Prozac: citalopram e sertralina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antidepressivos mais antigos interferiam na fisiologia do c\u00e9rebro de forma muito ampla. Os atuais s\u00e3o mais seletivos e mexem apenas em algumas pe\u00e7as do quebra-cabe\u00e7as que \u00e9 o fluxo de pensamento humano, para dar aos pacientes mais qualidade de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo de adapta\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o costuma ser r\u00e1pido.\u00a0\u201cN\u00e3o existem receitas de bolo. A psiquiatria precisa lidar com a subjetividade de cada indiv\u00edduo e trabalha com tend\u00eancias e chances, mais do que com certezas. Com tantos neurotransmissores em jogo, \u00e9 dif\u00edcil mexer apenas uma pe\u00e7a do tabuleiro e j\u00e1 acertar o equil\u00edbrio logo de cara\u201d, explica a psiquiatra Paula Dione, do Hospital Universit\u00e1rio da Universidade Federal da Bahia (Hupes-UFBA).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso dos rem\u00e9dios que atuam na serotonina, eles impedem os neur\u00f4nios de recapturarem o neurotransmissor, aumentando a oferta dele no fluxo cerebral. Neurotransmissores s\u00e3o essenciais para que os impulsos nervosos passem de um neur\u00f4nio para o outro, no processo conhecido como sinapse (a origem eletroqu\u00edmica de um pensamento). Os principais deles, associados desde os anos 1960 \u00e0 depress\u00e3o, s\u00e3o:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>serotonina;<\/li>\n<li>noradrenalina; e<\/li>\n<li>dopamina.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em pessoas com depress\u00e3o, h\u00e1 um desn\u00edvel na oferta de um ou mais desses neurotransmissores, e o paciente pode ter menos neur\u00f4nios plenamente desenvolvidos. Com a redu\u00e7\u00e3o na transmiss\u00e3o dos impulsos cerebrais, tamb\u00e9m diminuem a disposi\u00e7\u00e3o, a vontade de contato social e a alegria.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Quais as diferen\u00e7as entre os tipos de antidepressivos?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem todas as sinapses, por\u00e9m, s\u00e3o feitas com liga\u00e7\u00f5es de serotonina \u2013 h\u00e1 mais de 40 neurotransmissores conhecidos no c\u00e9rebro humano. Por isso, foi preciso desenvolver outros tipos de antidepressivos que impedem a recaptura dos que est\u00e3o relacionados \u00e0 depress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Medicamentos que lidam com a serotonina costumam ser a primeira linha de tratamento, visto que ajudam na maioria dos casos e apresentam menos efeitos adversos. No entanto, se os inibidores de recaptura de serotonina n\u00e3o funcionarem bem, existem os de noradrenalina, a exemplo da reboxetina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 ainda os rem\u00e9dios mais raros: os inibidores de recaptura de dopamina. Estes s\u00e3o pouco usados, pois podem aumentar os sintomas de ansiedade, o que \u00e9 especialmente arriscado em um c\u00e9rebro depressivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, existem medicamentos combinados que atuam com v\u00e1rios tipos de neurotransmissor simultaneamente; entre eles, os antidepressivos tric\u00edclicos (que atuam nos tr\u00eas neurotransmissores). S\u00e3o recomendados em casos mais severos, j\u00e1 que causam mais efeitos colaterais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u00faltimas pesquisas cient\u00edficas t\u00eam se direcionado a um novo neurotransmissor, o glutamato, que tamb\u00e9m pode ter liga\u00e7\u00e3o com a depress\u00e3o. Um dos rem\u00e9dios que age nesse novo mecanismo de a\u00e7\u00e3o \u00e9 a escetamina, ainda pouco usada no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m t\u00eam sido mais usados os rem\u00e9dios que, em vez de impedir a recaptura, fazem uma inje\u00e7\u00e3o de neurotransmissores artificiais no organismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todos os casos, os rem\u00e9dios s\u00f3 podem ser indicados por psiquiatras, que devem ajustar as doses at\u00e9 encontrar uma f\u00f3rmula que permita ao c\u00e9rebro funcionar bem e, eventualmente, aprender a ser independente, sem precisar do aux\u00edlio dos medicamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, o tratamento com o antidepressivo precisa ser complementado com aten\u00e7\u00e3o terap\u00eautica \u2013 n\u00e3o adianta tomar rem\u00e9dio e n\u00e3o fazer terapia. \u201cOs neurotransmissores, que s\u00e3o o foco dos medicamentos,\u00a0tamb\u00e9m s\u00e3o produzidos pelo nosso corpo\u00a0quando estamos gozando de boa sa\u00fade, praticando exerc\u00edcios. Por isso, o tratamento deve ser psicossocial, com terapia ocupacional e adapta\u00e7\u00f5es de vida para superar a doen\u00e7a\u201d, indica a psiquiatra Renata Figueiredo, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Psiqui\u00e1trica de Bras\u00edlia (APBr).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 casos em que o indiv\u00edduo n\u00e3o apresenta melhora, mesmo com o uso de medica\u00e7\u00e3o. \u00c9 a chamada depress\u00e3o resistente ou refrat\u00e1ria, em que os sintomas persistem, apesar do uso adequado de antidepressivos e outras interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas. Muitas vezes, \u00e9 necess\u00e1rio acompanhamento pr\u00f3ximo, com interna\u00e7\u00e3o da pessoa doente.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Engorda, corta a libido? Quais os efeitos colaterais?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um medo em comum de quem come\u00e7a a fazer tratamento com antidepressivos s\u00e3o seus efeitos colaterais, que ainda persistem, embora os tratamentos ganhem cada vez mais seguran\u00e7a, com o desenvolvimento da tecnologia farmac\u00eautica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os inibidores de serotonina ou os rem\u00e9dios que atuam combinados na serotonina e noradrenalina, os mais usados no Brasil, podem causar os seguintes sintomas:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>agita\u00e7\u00e3o e ansiedade;<\/li>\n<li>indigest\u00e3o, n\u00e1useas ou dor de est\u00f4mago;<\/li>\n<li>diarreia;<\/li>\n<li>perda de libido;<\/li>\n<li>perda de apetite;<\/li>\n<li>dificuldade em atingir o orgasmo;<\/li>\n<li>disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os efeitos colaterais costumam aparecer nas primeiras semanas de tratamento; depois, alcan\u00e7a-se certo equil\u00edbrio, com a diminui\u00e7\u00e3o dessas rea\u00e7\u00f5es, especialmente as gastrointestinais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tric\u00edclicos, mais usados em tratamento da depress\u00e3o profunda, normalmente causam tontura, ins\u00f4nia ou sonol\u00eancia, sudorese,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/saude\/harvard-antidepressivos-engorda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aumento de peso<\/a>\u00a0e taquicardia (acelera\u00e7\u00e3o dos batimentos card\u00edacos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para prescrever o tratamento apropriado a cada caso, psiquiatras consideram os sintomas e o quadro de sa\u00fade do paciente, bem como a intera\u00e7\u00e3o dos antidepressivos com outros rem\u00e9dios.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cOs antidepressivos n\u00e3o fazem mal. Na verdade, eles s\u00e3o fundamentais para que pessoas que precisam de tratamento continuem vivas. O antidepressivo faz mal para quem toma errado, mas, para quem precisa desse medicamento, ele \u00e9 uma ben\u00e7\u00e3o\u201d, diz Gebara.<\/p><\/blockquote>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel fazer o tratamento pelo SUS?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos tabus, uma das maiores dificuldades para quem precisa de tratamento para depress\u00e3o no Brasil \u00e9 conseguir consulta com psiquiatras. Na rede particular, poucos s\u00e3o os que aceitam planos de sa\u00fade e, em alguns casos, as consultas podem custar cerca de R$ 700.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para quem depende da rede p\u00fablica de sa\u00fade, o acesso aos m\u00e9dicos e, consequentemente, aos antidepressivos \u00e9 ainda mais dif\u00edcil. Al\u00e9m da dificuldade para marcar as consultas de acolhimento nos postos de sa\u00fade (necess\u00e1rias para o encaminhamento ao psiquiatra, o que geralmente \u00e9 feito apenas em casos mais graves), tamb\u00e9m h\u00e1 poucas possibilidades de tratamento medicamentoso ofertadas pela rede p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fluoxetina, que \u00e9 um medicamento criado em 1988, \u00e9 o tratamento antidepressivo mais moderno dispon\u00edvel na rede p\u00fablica. Embora esteja na lista de medicamentos distribu\u00eddos, a bupropiona s\u00f3 \u00e9 indicada para pacientes tabagistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade distribui nacionalmente apenas quatro medicamentos antidepressivos, tr\u00eas deles do tipo tric\u00edclico: amitriptilina, clomipramina, e nortriptilina, em diversas doses. Entre os inibidores de recapta\u00e7\u00e3o, est\u00e1 apenas o de serotonina, a fluoxetina.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cH\u00e1 uma dificuldade muito grande de conseguir tratamento na rede p\u00fablica. Temos demandas reprimidas de at\u00e9 seis meses de espera para consultas e ainda h\u00e1 um estigma muito grande de fazer tratamento no Caps, resqu\u00edcio de uma rejei\u00e7\u00e3o social que ainda temos desde a \u00e9poca dos manic\u00f4mios\u201d, aponta Renata Figueiredo.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nota, a pasta informa que \u201corganiza estrat\u00e9gias para garantir todos os recursos e todas as orienta\u00e7\u00f5es aos usu\u00e1rios do SUS que necessitam de assist\u00eancia relacionada \u00e0 depress\u00e3o\u201d. O minist\u00e9rio tamb\u00e9m ressalta que estados e munic\u00edpios podem adotar listas de medicamentos espec\u00edficas e complementares, de acordo com as necessidades apresentadas pela popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Dura\u00e7\u00e3o do tratamento e retirada dos antidepressivos<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os antidepressivos n\u00e3o costumam ser pensados para tratamentos vital\u00edcios. Embora algumas pessoas precisem manter doses mais baixas dos medicamentos por longos per\u00edodos de tempo, o ideal \u00e9 que o tratamento funcione de forma mais intensa e o paciente passe por um desmame em quest\u00e3o de meses ou de poucos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7a-se a planejar o fim do uso do medicamento quando m\u00e9dico e paciente concordam que h\u00e1 uma estabilidade de humor e acreditam que o c\u00e9rebro j\u00e1 \u00e9 capaz de regular sozinho o pr\u00f3prio fluxo de neurotransmissores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo de desmame varia de acordo com a sensibilidade de cada paciente. O per\u00edodo pode chegar a meses, com eventuais subidas de dosagem caso seja observado o retorno dos sintomas da depress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e9dicos esclarecem, por\u00e9m, que o pr\u00f3prio paciente n\u00e3o deve se aventurar e interromper as doses por pr\u00f3pria conta ou modificar sozinho a quantidade de rem\u00e9dios administrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/saude\/antidepressivos-como-interromper-o-uso-sem-prejudicar-a-saude\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Interromper o uso de antidepressivos pode dar origem \u00e0 \u201cs\u00edndrome de retirada\u201d.<\/a>\u00a0Em pessoas cujo c\u00e9rebro ainda n\u00e3o se acostumou a operar sem a medica\u00e7\u00e3o, a condi\u00e7\u00e3o pode levar a sintomas graves, incluindo um efeito rebote que pode intensificar a depress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAntes de tudo, precisamos identificar se o paciente est\u00e1 recuperado e ir reduzindo a dosagem da medica\u00e7\u00e3o semanalmente em cerca de 25% para observar. S\u00f3 se suspende um rem\u00e9dio de forma abrupta se ele tiver causado efeitos colaterais; de resto, tudo tem o seu curso\u201d, diz o psiquiatra Alexandre Valverde, de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Depend\u00eancia e uso a longo prazo<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso de antidepressivo n\u00e3o causa qualquer tipo de depend\u00eancia de natureza eletroqu\u00edmica. O que muitas vezes ocorre \u00e9 que o paciente desenvolve um v\u00ednculo emocional e n\u00e3o acredita que pode ter a mesma qualidade de vida se deixar de usar a medica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os usu\u00e1rios muitas vezes preferem tomar o rem\u00e9dio por mais tempo, com medo de enfrentar problemas em momentos-chave da vida, como a realiza\u00e7\u00e3o de provas ou a apresenta\u00e7\u00e3o de projetos no trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA depender das respostas aos protocolos, costumamos tentar uma retirada em at\u00e9 um ou dois anos. \u00c9 dif\u00edcil que o paciente tenha a seguran\u00e7a psicol\u00f3gica para dizer: \u2018Estou pronto, n\u00e3o preciso mais\u2019. At\u00e9 porque o antidepressivo faz um controle, mas n\u00e3o altera a situa\u00e7\u00e3o que levou aos gatilhos da depress\u00e3o. Se a pessoa n\u00e3o faz terapia e segue no mesmo modelo de vida anterior, ela dificilmente vai conseguir deixar os medicamentos\u201d, completa Paula Dione.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os m\u00e9dicos ouvidos pela reportagem tamb\u00e9m refutam o mito de que antidepressivos aumentam o risco de dem\u00eancia em seus usu\u00e1rios. Na realidade, o medicamento costuma ter o efeito contr\u00e1rio: fornecem maior vigor e durabilidade aos neur\u00f4nios e retardam o aparecimento do decl\u00ednio cognitivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um exemplo disso foi o estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que demonstrou que a fluoxetina minimiza perda de mem\u00f3ria causada pela depress\u00e3o. A pesquisa foi publicada em 2020 na<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41398-020-0701-5\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">\u00a0Translational Psychiatry<\/a>, revista vinculada \u00e0 Nature.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">metropoles<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ou voc\u00ea toma antidepressivos ou conhece algu\u00e9m que j\u00e1 precisou fazer uso desses medicamentos. Estimativas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) indicam que ao menos 5% dos adultos em todo o mundo t\u00eam depress\u00e3o; a condi\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0mais comum em mulheres. 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