 {"id":35581,"date":"2024-07-23T08:20:15","date_gmt":"2024-07-23T11:20:15","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=35581"},"modified":"2024-07-23T08:20:15","modified_gmt":"2024-07-23T11:20:15","slug":"casal-que-imitou-macacos-em-roda-de-samba-e-investigado-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2024\/07\/23\/casal-que-imitou-macacos-em-roda-de-samba-e-investigado-no-rio\/","title":{"rendered":"Casal que imitou macacos em roda de samba \u00e9 investigado no Rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Um casal de pessoas brancas foi filmado imitando macacos na roda de samba P\u00e9 de Teresa, na Pra\u00e7a Tiradentes, regi\u00e3o central do Rio de Janeiro, na noite da \u00faltima sexta-feira (19). A grava\u00e7\u00e3o foi feita pela jornalista Jackeline Oliveira (esquerda na foto em destaque), que registrou ocorr\u00eancia, junto com a produ\u00e7\u00e3o do evento e a presidente da Comiss\u00e3o de Combate ao Racismo da C\u00e2mara Municipal, Monica Cunha, na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intoler\u00e2ncia (Decradi).<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1604879&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1604879&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Decradi confirmou em nota que o caso foi registrado, e que \u201ctestemunhas est\u00e3o sendo ouvidas e dilig\u00eancias est\u00e3o em andamento para identificar e intimar os autores para prestarem esclarecimentos na delegacia\u201d. Como a investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 em andamento, n\u00e3o ser\u00e3o concedidas entrevistas, informou \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0a Secretaria de Estado de Pol\u00edcia Civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jackeline Oliveira expressou toda a sua indigna\u00e7\u00e3o pelo que presenciou na roda de samba, da qual participavam cerca de 60 pessoas. Para ela, n\u00e3o foi um deboche ou brincadeira o que aconteceu. \u201cEles estavam fazendo gestos para diminuir as pessoas pretas de modo geral. Eram atos discriminat\u00f3rios\u201d. Por isso, a primeira coisa que ela falou na delegacia \u00e9 que aquilo n\u00e3o era uma dan\u00e7a, uma brincadeira. Eram atos discriminat\u00f3rios para diminuir as pessoas pretas que estavam ali, a cultura das pessoas pretas\u201d, disse \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acrescentou ter ficado envergonhada, constrangida. \u201cQuando o racismo atravessa a gente enquanto corpo preto, ainda mais quando ele n\u00e3o \u00e9 direto, porque a gente pode responder, discutir, brigar, chamar a pol\u00edcia, parte para cima, quando \u00e9 necess\u00e1rio. Mas quando o racismo n\u00e3o \u00e9 direto, a gente fica quase inerte, como eu e quase 60 pessoas ficamos ali, vendo aquelas duas pessoas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jackeline decidiu gravar a cena para ter provas. Ela postou nas redes sociais e n\u00e3o esperava a rea\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande. \u201cIsso n\u00e3o pode ser s\u00f3 uma postagem. Tem que virar den\u00fancia. Esses caras t\u00eam que pegar pelo que fizeram. Essa den\u00fancia tem que ser uma forma de inibir outras pessoas de cometerem crime de racismo\u201d, decidiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A produ\u00e7\u00e3o do evento postou o v\u00eddeo em rede social, classificando a cena de &#8220;inaceit\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><iframe id=\"instagram-embed-0\" class=\"instagram-media instagram-media-rendered\" src=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/C9p1EhyJrq7\/embed\/captioned\/?cr=1&amp;v=14&amp;wp=540&amp;rd=https%3A%2F%2Fagenciabrasil.ebc.com.br&amp;rp=%2Fgeral%2Fnoticia%2F2024-07%2Fcasal-que-imitou-macacos-em-roda-de-samba-e-investigado-no-rio#%7B%22ci%22%3A0%2C%22os%22%3A1416.9000000000233%2C%22ls%22%3A582.7999999999884%2C%22le%22%3A1387.2000000000116%7D\" height=\"1257\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-instgrm-payload-id=\"instagram-media-payload-0\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Jackeline Oliveira, as pessoas se sentem \u00e0 vontade para fazer atos semelhantes pela impunidade do Poder Judici\u00e1rio. \u201c\u00c9 uma luta para ser aceito como crime de racismo dentro da delegacia quando voc\u00ea vai ser ouvido. Mas, quando chega no Judici\u00e1rio, o processo para e a pessoa \u00e9 inocentada. \u00c9 invalidado todo um sentimento de constrangimento, porque se perde tempo na delegacia. Ent\u00e3o, se amanh\u00e3 chegar ao Tribunal de Justi\u00e7a, eu quero que essas pessoas sejam condenadas e paguem pelo crime de racismo, que \u00e9 inafian\u00e7\u00e1vel. E n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa. Foram 400 anos de escravid\u00e3o. As pessoas se sentem \u00e0 vontade para cometer crimes de racismo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O racismo \u00e9 um problema mundial. \u201cN\u00e3o \u00e9 problema do Rio de Janeiro e do Brasil. Mas o cara \u00e9 brasileiro, mora no Rio e n\u00e3o se sentiu nem um pouco constrangido em fazer aquilo. N\u00e2o ficou com medo de fazer. Isso me assusta\u201d, afirmou Jackeline. A partir de que momento as pessoas se sentiram t\u00e3o confort\u00e1veis em infringir a lei em pra\u00e7a p\u00fablica, com mais de 300 pessoas em volta?, indagou. \u201cO meu sentimento \u00e9 de indigna\u00e7\u00e3o. Eu espero que a pol\u00edcia fa\u00e7a o trabalho dela. Eles (os policiais) t\u00eam que investigar e achar essas pessoas, responsabilizar e fazer com que elas paguem pelo que fizeram\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Racismo<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, divulgado no dia 18 deste m\u00eas, os casos de racismo aumentaram 127,6% no Brasil em 2023, em compara\u00e7\u00e3o ao ano anterior, com destaque para os estados do Rio Grande do Sul, Paran\u00e1 e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0nesta segunda-feira (22), o doutor em \u00e9tica e filosofia pol\u00edtica pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo e professor da Casa do Saber, Douglas Rodrigues Barros, analisou que houve uma certa constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de que o Brasil seria o para\u00edso das ra\u00e7as, a chamada democracia racial. \u201cIsso estava ligado a um certo ide\u00e1rio de constru\u00e7\u00e3o da racialidade brasileira, que seria a civiliza\u00e7\u00e3o do entroncamento das tr\u00eas ra\u00e7as. A grande quest\u00e3o \u00e9 que esse ide\u00e1rio vai ruindo ao longo do tempo e sob ele a gente v\u00ea as marcas da exclus\u00e3o racial que constitui as nossas cidades e os espa\u00e7os de administra\u00e7\u00e3o da vida p\u00fablica, que s\u00e3o todos marcados pela racialidade. Os espa\u00e7os de poder s\u00e3o todos marcados pela estrutura racial, pela exclus\u00e3o\u201d, avalia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o professor da Casa do Saber,\u00a0momentos de crise, econ\u00f4mica, social, espiritual o racismo ganha mais espa\u00e7o. \u201cEle \u00e9 acionado como um dispositivo no qual a culpa dos males sociais \u00e9 do racializado e da racializada. Se o Brasil n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds desenvolvido \u00e9 porque h\u00e1 muitos negros, h\u00e1 muitos racializados. E sempre a resposta mais f\u00e1cil para os problemas mais complexos da sociedade \u00e9 a ra\u00e7a. \u00c9 voc\u00ea colocar a culpa nos outros. Da\u00ed, essas manifesta\u00e7\u00f5es de \u00f3dio racial, como nesse caso espec\u00edfico do casal imitando macacos, que se orienta por essa hecatombe social que se vive hoje, essa regress\u00e3o social, econ\u00f4mica e espiritual. O racismo cresce quando a crise aumenta&#8221;, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Douglas Barros considerou \u201cabsolutamente correta\u201d a atitude da jornalista Jackeline Oliveira de denunciar o caso \u00e0 Decradi, tendo em vista que o racismo deve ser combatido todos os dias. \u201cInclusive porque essa produ\u00e7\u00e3o de \u00f3dio que se faz sob a ideia de que \u00e9 s\u00f3 uma brincadeira n\u00e3o \u00e9 algo in\u00e9dito na nossa hist\u00f3ria. Eu diria at\u00e9 que as grandes cat\u00e1strofes do s\u00e9culo 20 se iniciaram com a vaga no\u00e7\u00e3o de que era s\u00f3 uma brincadeira, uma idiotice. Devemos estar sempre vigilantes para combater esse tipo de a\u00e7\u00e3o\u201d, sinalizou o professor.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Movimento<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao receber o v\u00eddeo de Jackeline, o produtor e m\u00fasico da roda de samba P\u00e9 de Teresa, Wanderso Luna, registrou ocorr\u00eancia conjunta com a jornalista na Decradi para que n\u00e3o se repitam atos como aquele de racismo. \u201cN\u00e3o tem raz\u00e3o de ser. \u00c9 s\u00f3 vontade de ser racista\u201d. Wanderso Luna informou \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0que o pessoal do evento est\u00e1 se organizando e pretende fazer campanha para conscientiza\u00e7\u00e3o nas rodas de samba contra o racismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na opini\u00e3o dele, o primeiro ato seria retirar da Pra\u00e7a Tiradentes a est\u00e1tua do Imperador Dom Pedro I, \u201cporque o racismo \u00e9 fruto de mais de 350 anos de escravid\u00e3o e temos l\u00e1 o maior s\u00edmbolo, o imperador, dizendo que as pessoas podem ser racistas\u201d. a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">agenciabrasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um casal de pessoas brancas foi filmado imitando macacos na roda de samba P\u00e9 de Teresa, na Pra\u00e7a Tiradentes, regi\u00e3o central do Rio de Janeiro, na noite da \u00faltima sexta-feira (19). 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