 {"id":3844,"date":"2023-07-28T08:35:34","date_gmt":"2023-07-28T11:35:34","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=3844"},"modified":"2023-07-28T08:35:34","modified_gmt":"2023-07-28T11:35:34","slug":"pesquisa-reunira-dados-sobre-saude-mental-de-35-mil-pessoas-lgbti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2023\/07\/28\/pesquisa-reunira-dados-sobre-saude-mental-de-35-mil-pessoas-lgbti\/","title":{"rendered":"Pesquisa reunir\u00e1 dados sobre sa\u00fade mental de 3,5 mil pessoas LGBTI+"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Estudo piloto da pesquisa Smile, liderada pela Universidade Duke, dos Estados Unidos, que investiga a sa\u00fade mental de pessoas identificadas como minorias raciais e de g\u00eanero, gerou fundamentos para a segunda etapa de um trabalho que est\u00e1 em andamento. A coordenadora do estudo no Brasil \u00e9 a professora Jaqueline Gomes de Jesus, vinculada ao Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz).<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1545973&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1545973&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto piloto, realizado em 2017 em seis pa\u00edses (Brasil, Qu\u00eania, Vietn\u00e3, \u00cdndia, Camboja e El Salvador), atingiu 2 mil pessoas. A nova etapa, mais aprofundada, tem foco no Brasil, Qu\u00eania e Vietn\u00e3, em fun\u00e7\u00e3o de financiamento aprovado pelo governo norte-americano para apenas essas na\u00e7\u00f5es. A meta \u00e9 obter a participa\u00e7\u00e3o de 3,5 mil pessoas da popula\u00e7\u00e3o LGBTI+ (l\u00e9sbicas,\u00a0<em>gays<\/em>, bissexuais, transexuais\/travestis e intersexo) em cada um dos tr\u00eas pa\u00edses. No Brasil, elas poder\u00e3o responder a um question\u00e1rio\u00a0<em>online<\/em>\u00a0dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.smilestudy.org\/pesquisa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">neste endere\u00e7o<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda etapa do estudo aprofunda o que foi pesquisado na primeira fase, disse nesta quinta-feira (27) Jaqueline Gomes de Jesus \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>. Para a professora, a nova pesquisa dar\u00e1 \u201cprecis\u00e3o gigantesca\u201d \u00e0s demandas em sa\u00fade e \u00e0 interven\u00e7\u00e3o em n\u00edvel de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O question\u00e1rio, que inclui quest\u00f5es sobre sa\u00fade mental, focadas em ansiedade, depress\u00e3o, estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, autoestima, &#8216;suicidalidade&#8217; e apoio social, demora cerca de 15 minutos para ser respondido. \u201cEsse tempo \u00e9 necess\u00e1rio para termos uma avalia\u00e7\u00e3o aprofundada, n\u00e3o s\u00f3 um relat\u00f3rio sobre bem-estar da popula\u00e7\u00e3o LGBTI+.&#8221; O question\u00e1rio, n\u00e3o\u00a0 busca apenas dados, mas presta v\u00e1rios servi\u00e7os, disse Jaqueline.<\/p>\n<p>H\u00e1, por exemplo, uma lista de entidades que a pessoa pode procurar se achar necess\u00e1rio. \u201dSe ela tiver alguma indica\u00e7\u00e3o de risco de suic\u00eddio, pode responder a um documento que a gente chama planejamento de seguran\u00e7a, autoinstrucional. A pessoa vai avaliar a sua rede de apoio, contatos, com quem ela pode contar, para diminuir os riscos ligados ao suic\u00eddio.\u201d Essa orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz parte do question\u00e1rio. \u00c9 uma presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, acrescentou a professora.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Aplicabilidade<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dados globais de diferentes estudos mostram que cerca de 52% dos jovens LGBTI+ j\u00e1 se automutilaram, contra 35% de jovens cis h\u00e9teros; pessoas trans apresentam taxas mais altas de problemas de sa\u00fade mental do que pessoas cisg\u00eaneras LGB; 44% das pessoas LGBTI+ pensaram em suic\u00eddio, contra 26% de cis h\u00e9teros; 92% dos jovens trans tiveram pensamentos suicidas e 84% se automutilaram.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s tentativas de suic\u00eddio, os n\u00fameros revelam que o percentual \u00e9 de 5% entre l\u00e9sbicas; mulheres bissexuais (7%); mulheres l\u00e9sbicas ou bissexuais com defici\u00eancia (10%);\u00a0<em>gays<\/em>\u00a0(11%); homens bissexuais (16%); pessoas n\u00e3o bin\u00e1rias (36 a 38%); mulheres trans e travestis (42%); homens trans e pessoas trans masculinas (46%) e popula\u00e7\u00e3o em geral (1,2%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base nos dados globais, Jaqueline de Jesus disse que ser\u00e1 poss\u00edvel verificar a aplicabilidade de tais informa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 vieram de outros estudos no Brasil. \u201cA gente vai ter dados que n\u00e3o existem ainda, com foco no Brasil. Um estudo desse tipo nunca foi feito no pa\u00eds\u201d. As informa\u00e7\u00f5es ser\u00e3o coletadas em 2024 e os resultados devem ser obtidos a partir de 2025. De acordo com a professora, as conclus\u00f5es poder\u00e3o ser usadas na elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que atendam a essa parcela da popula\u00e7\u00e3o, que sejam baseadas em dados oriundos de pesquisas. A pesquisa cient\u00edfica \u00e9 necess\u00e1ria para o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para tratamentos em sa\u00fade mental baseados em evid\u00eancias, acrescentou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Jaqueline, al\u00e9m da coleta de dados, haver\u00e1 abordagens de grupos focais. \u201cCom isso, a gente consegue precisar, em cada pa\u00eds, no caso, o Brasil, que tipo de cuidado \u00e9 mais importante em termos de foco em ansiedade ou depress\u00e3o para cada grupo, por exemplo\u201d. Essa abordagem permitir\u00e1 determinar cientificamente o tipo de interven\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, tornar\u00e1 poss\u00edvel definir o tratamento que funciona melhor para cada pessoa, de acordo com seu grupo, ou regi\u00e3o, por exemplo, porque tem uma quest\u00e3o cultural envolvida. Isso significa que o que pode funcionar no Brasil pode n\u00e3o funcionar em outro pa\u00eds: \u201cdepende de quest\u00f5es culturais tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Viol\u00eancia<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Observat\u00f3rio de Mortes e Viol\u00eancias contra LGBTI+ revela que, no ano passado, o Brasil registrou 273 mortes violentas de pessoas desse grupo. A Rede Nacional de Pessoas Trans (Rede Trans) registrou 100 assassinatos de indiv\u00edduos desse grupo em 2022, em todo o pa\u00eds, al\u00e9m de 15 suic\u00eddios e de tr\u00eas v\u00edtimas letais da aplica\u00e7\u00e3o clandestina de silicone industrial.<\/p>\n<p>De acordo com a Rede Trans, 97,3% das v\u00edtimas eram mulheres trans ou travestis; 77,8% eram pessoas negras; 43,7% tinham entre 26 e 35 anos; 43% residiam na Regi\u00e3o Nordeste e metade das v\u00edtimas eram profissionais do sexo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No per\u00edodo de 2017 a 2022, levantamento da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) informa que 912 pessoas trans foram mortas no Brasil, viol\u00eancia acaba afetando a sa\u00fade mental das pessoas LGBTI+.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>agenciabrasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo piloto da pesquisa Smile, liderada pela Universidade Duke, dos Estados Unidos, que investiga a sa\u00fade mental de pessoas identificadas como minorias raciais e de g\u00eanero, gerou fundamentos para a segunda etapa de um trabalho que est\u00e1 em andamento. 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