 {"id":4005,"date":"2023-07-31T07:59:24","date_gmt":"2023-07-31T10:59:24","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=4005"},"modified":"2023-07-31T07:59:24","modified_gmt":"2023-07-31T10:59:24","slug":"quebrar-o-silencio-ajuda-a-prevenir-suicidios-dizem-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2023\/07\/31\/quebrar-o-silencio-ajuda-a-prevenir-suicidios-dizem-especialistas\/","title":{"rendered":"Quebrar o sil\u00eancio ajuda a prevenir suic\u00eddios, dizem especialistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O suic\u00eddio \u00e9 um fen\u00f4meno multifatorial, ou seja, s\u00e3o v\u00e1rios elementos envolvidos que levam \u00e0 decis\u00e3o de uma pessoa tirar a pr\u00f3pria vida. Por isso, \u00e9 preciso uma articula\u00e7\u00e3o de setores e saberes para que a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o sejam bem sucedidas. Al\u00e9m disso,\u00a0o tema n\u00e3o pode ser tratado como tabu. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de especialistas ouvidos pela\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, em um cen\u00e1rio em que o pa\u00eds enfrenta\u00a0alta no n\u00famero de pessoas que tiram a pr\u00f3pria vida.\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1546138&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1546138&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O n\u00famero de suic\u00eddios no Brasil cresceu 11,8% em 2022 na compara\u00e7\u00e3o com 2021. O levantamento faz parte do Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, divulgado em julho. Em 2022, foram 16.262 registros, uma m\u00e9dia de 44 por dia. Em 2021, foram 14.475 suic\u00eddios. Em termos proporcionais, o Brasil teve 8 suic\u00eddios por 100 mil habitantes em 2022, contra 7,2 em 2021.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Reflexos da pandemia<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o professor Antonio Augusto Pinto Junior, do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), esse aumento deve-se, em muito, pelos efeitos da pandemia de covid-19. Ele contextualiza que o cen\u00e1rio pand\u00eamico resultou em aumento do desemprego e precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho. \u201cElementos que se acumularam com outros fatores de risco para a sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o, como ansiedade, solid\u00e3o, estresse. Fatores decorrentes tanto do isolamento social quanto dos lutos e perdas de amigos e\/ou familiares\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEssas experi\u00eancias deflagradas pela pandemia impactaram, de forma significativa, a sa\u00fade mental em fun\u00e7\u00e3o dos riscos f\u00edsicos e psicossociais, tornando o sofrimento ps\u00edquico muito mais agudo, desencadeando o decl\u00ednio do sentimento de vida e de uma sensa\u00e7\u00e3o de vazio que, geralmente, acompanham o comportamento suicida\u201d, conta o especialista, que observou esses sintomas em pacientes atendidos no projeto que a UFF de Volta Redonda, sul do estado do Rio de Janeiro, tem em parceria com o Departamento de Psicologia Cl\u00ednica do Instinto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo. O servi\u00e7o \u00e9 exclusivamente gratuito e conta com aproximadamente 400 terapeutas volunt\u00e1rios, inscritos no cadastro do Conselho Federal de Psicologia, al\u00e9m de graduandos de psicologia das duas universidades.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cMesmo ap\u00f3s o per\u00edodo cr\u00edtico da pandemia, a busca pelo tratamento online se manteve intensa. Desde a implanta\u00e7\u00e3o em mar\u00e7o de 2020, com o isolamento social, at\u00e9 o fim de 2022 &#8211; portanto abrangendo a pandemia e a p\u00f3s pandemia &#8211; foram atendidas mais de 6 mil pessoas. Os principais transtornos apresentados s\u00e3o ansiedade e depress\u00e3o, com queixa de desemparo atrelado \u00e0 perda de refer\u00eancias simb\u00f3licas, o que produz uma forma de ang\u00fastia que, muitas vezes, figura como um excesso emocional que acompanha uma interrup\u00e7\u00e3o do sentido de vida\u201d, completa.<\/p><\/blockquote>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Tend\u00eancia preocupante<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vice-diretor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Rossano Cabral Lima, enxerga uma tend\u00eancia preocupante nos dados de suic\u00eddio no pa\u00eds. Com base nos boletins epidemiol\u00f3gicos publicados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, ele aponta que a m\u00e9dia nacional era de 5,24 casos por mil habitantes em 2010. O especialista destaca que o aumento tem sido proporcionalmente maior em faixas et\u00e1rias mais jovens, abarcando inf\u00e2ncia e juventude. O especialista, que tamb\u00e9m \u00e9 secret\u00e1rio nacional da Associa\u00e7\u00e3o Mundial para a Reabilita\u00e7\u00e3o Psicossocial, destaca ainda que\u00a0Brasil e Am\u00e9rica Latina est\u00e3o na contram\u00e3o do mundo, que experimenta um decr\u00e9scimo nos casos de suic\u00eddios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabral Lima diz acreditar que esse aumento pode ser relacionado a determinantes sociais da regi\u00e3o latino-americana. &#8220;\u00c0 medida que aumenta a taxa de desemprego, aumenta a de suic\u00eddio; \u00e0 medida que cai a escolaridade, aumenta a taxa de suic\u00eddio. A viol\u00eancia na comunidade, de uma maneira geral, tamb\u00e9m aumenta os casos&#8221;, afirma o psiquiatra, que j\u00e1 atuou na rede p\u00fablica de aten\u00e7\u00e3o psicossocial.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Rond\u00f4nia em alerta<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Anu\u00e1rio do FBSP traz um destaque relacionado ao estado de Rond\u00f4nia. A taxa de suic\u00eddios por 100 mil habitantes foi de 20,7. Isso \u00e9 mais que o dobro do \u00edndice nacional (8) e bem \u00e0 frente do segundo colocado, Rio Grande do Sul (14,7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O psiquiatra Humberto M\u00fcller \u00e9 integrante da C\u00e2mara T\u00e9cnica de Psiquiatria do Conselho Regional de Medicina de Rond\u00f4nia. Segundo o psiquiatra, Rond\u00f4nia, assim como os demais estados do Norte, sempre apresentou baixo \u00edndice de notifica\u00e7\u00f5es compuls\u00f3rias em rela\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio, tendo por d\u00e9cadas subnotificado casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA melhora nas notifica\u00e7\u00f5es deu aos profissionais a real no\u00e7\u00e3o do problema. Com isso, torna-se necess\u00e1rio que medidas de sa\u00fade p\u00fablica sejam pensadas e aplicadas\u201d, avalia. O especialista &#8211; que colaborou, em 2021, com o\u00a0grupo de trabalho da C\u00e2mara dos Deputados destinado ao estudo sobre o aumento de suic\u00eddio, automutila\u00e7\u00e3o e problemas psicol\u00f3gicos entre os jovens &#8211; diagnostica que \u201co baixo n\u00famero de profissionais que atuam em sa\u00fade mental, assim como os escassos servi\u00e7os m\u00e9dicos ambulatoriais, como o Caps (Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial), e os baixos n\u00fameros de leitos para interna\u00e7\u00e3o psiquiatria certamente fazem parte do problema\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Mundo<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a cada ano, mais de 700 mil pessoas tiram a pr\u00f3pria vida no mundo. Isso representa, em m\u00e9dia, um caso a cada 40 segundos. \u00c9 a quarta maior causa de morte em jovens entre 15 e 29 anos. H\u00e1 ind\u00edcios de que, para cada pessoa que morre por suic\u00eddio, \u00e9 prov\u00e1vel que haja mais de 20 outras que tentam dar fim \u00e0 pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A OMS afirma que estigmatiza\u00e7\u00e3o e tabu s\u00e3o grandes obst\u00e1culos para a preven\u00e7\u00e3o. Isso impede que muitas pessoas que vivenciam problemas de sa\u00fade mental a ponto de pensar em suic\u00eddio deixam de procurar ajuda por causa do estigma que sofrem.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Quebrar tabu<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O psiquiatra Humberto M\u00fcller defende que \u00e9 fundamental desmistificar as fantasias e preconceitos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s doen\u00e7as e tratamentos psiqui\u00e1tricos. Muitos pacientes sofrem em sil\u00eancio, sem buscar atendimento por vergonha ou desconhecimento. A psicoeduca\u00e7\u00e3o salva vida, pois traz luz \u00e0s trevas da ignor\u00e2ncia e estimula a busca por autocuidado\u201d. Ele acrescenta que o enfrentamento do problema se faz com pol\u00edticas p\u00fablicas que ofere\u00e7am alternativas terap\u00eauticas multidisciplinares aos que sofrem. \u201cTer acesso ao psiquiatra e psic\u00f3logo salva vidas. \u00c9 preciso aumentar a rede de apoio, disponibilizando mais profissionais de sa\u00fade mental,\u00a0para que possam atender a demanda latente e estruturar pol\u00edticas p\u00fablicas visando a preven\u00e7\u00e3o e autocuidado\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antonio Augusto Pinto Junior, da UFF, considera que a sociedade n\u00e3o compreende a dimens\u00e3o nem os efeitos dos transtornos mentais na vida coletiva. \u201cDe modo geral, as pessoas atribuem apenas ao indiv\u00edduo ou \u00e0 fam\u00edlia as causas do sofrimento mental &#8211; concebido frequentemente como fraqueza e covardia do sujeito, n\u00e3o reconhecendo os v\u00e1rios determinantes sociais, culturais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos associados ao desencadeamento das doen\u00e7as mentais. Enquanto a sociedade n\u00e3o abordar o suic\u00eddio e outras manifesta\u00e7\u00f5es do sofrimento ps\u00edquico como fen\u00f4menos multidimensionais e multicausais que demandam a articula\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios setores e saberes, dificilmente teremos pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas e eficazes no seu enfrentamento\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rossano Cabral Lima, do Instituto de Medicina Social da Uerj, diz acreditar que a sa\u00fade mental nunca foi um tema considerado priorit\u00e1rio e s\u00f3 come\u00e7ou a ganhar mais import\u00e2ncia a partir dos anos 2000. Para ele, a promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade \u00e9 um caminho para a preven\u00e7\u00e3o de novos casos. Isso inclui oferecer a capacidade de o indiv\u00edduo superar obst\u00e1culos na vida e tamb\u00e9m afastar o acesso a itens que acabam sendo uma forma de chegar ao suic\u00eddio, como armas e drogas l\u00edcitas e il\u00edcitas. \u201cSuic\u00eddio \u00e9 um tema que, com muito cuidado, precisa ser discutido nos espa\u00e7os mais importantes da sociedade, desde a escola at\u00e9 os ambientes de trabalho, at\u00e9 a vida familiar, para, de fato, deixar de ser tratado como um tabu\u201d, orienta.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Acolhimento<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida (CVV) \u00e9 um dos principais servi\u00e7os de aconselhamento no pa\u00eds de pessoas que enfrentam pensamentos suicidas. De acordo com o \u00faltimo relat\u00f3rio de atividades do CVV, por meio do n\u00famero de telefone 188 (liga\u00e7\u00e3o gratuita), 3,5 mil volunt\u00e1rios atendem uma m\u00e9dia de 8 mil liga\u00e7\u00f5es por dia. A porta-voz do CVV, Leila Her\u00e9dia, contou \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0que o aumento no n\u00famero de pessoas que tiram pr\u00f3pria vida no pa\u00eds evidencia a import\u00e2ncia de acolhimento.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Mais que n\u00fameros, s\u00e3o vidas que perdemos. Esse aumento s\u00f3 refor\u00e7a a necessidade de focarmos cada vez mais na preven\u00e7\u00e3o, todos n\u00f3s, porque \u00e9 apenas conversando, falando, quebrando tabus e permitindo que as pessoas desabafem, entendam que \u00e9 tudo bem n\u00e3o estar bem, que a gente nem sempre est\u00e1 legal, que \u00e9 ok pedir ajuda, que vamos mudar este cen\u00e1rio&#8221;, diz. &#8220;N\u00e3o \u00e9 mimimi, a gente n\u00e3o estar\u00a0bem sempre. E \u00e9 importante saber a hora de buscar ajuda&#8221;, completa.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Leila Her\u00e9dia, \u00e9 preciso uma coes\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es e pessoas. &#8220;Para quebrar este estigma e estimular as pessoas a pedirem ajuda, \u00e9 necess\u00e1rio que tenhamos, de fato, esse espa\u00e7o. Ent\u00e3o, o poder p\u00fablico, com pol\u00edticas p\u00fablicas, atendimento na rede p\u00fablica, profissionais de sa\u00fade, familiares, amigos, professores e o CVV, com nossos volunt\u00e1rios, todos n\u00f3s devemos fazer parte desta rede de aten\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Poder p\u00fablico<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a OMS, governos devem investir em pol\u00edticas p\u00fablicas para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre e import\u00e2ncia da sa\u00fade mental e quebrar tabus envolvendo o suic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano passado, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade lan\u00e7ou<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2022-06\/ministerio-da-saude-lanca-iniciativas-para-saude-mental-pelo-sus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0iniciativas voltadas para o cuidado da sa\u00fade mental<\/a>\u00a0dos brasileiros pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Entre elas, a Linha Vida (196), um projeto telef\u00f4nico piloto, come\u00e7ando pelo Distrito Federal, que disponibiliza teleconsultas para o enfrentamento dos impactos causados pela pandemia e as Linhas de Cuidado para organizar o atendimento de pacientes com ansiedade e depress\u00e3o. Ao todo, foram destinados mais de R$ 45 milh\u00f5es \u00e0s a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Papel da m\u00eddia<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das a\u00e7\u00f5es da OMS na preven\u00e7\u00e3o de novos casos de suic\u00eddio \u00e9 interagir com a m\u00eddia para estimular e orientar uma cobertura respons\u00e1vel sobre o assunto, derrubando o mito de que o tema n\u00e3o deve ser interesse de reportagens.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA discuss\u00e3o sobre o suic\u00eddio e os transtornos mentais, de forma geral, deve ser pauta da imprensa, mas de forma cuidadosa e \u00e9tica. Desmistificar o fen\u00f4meno do suic\u00eddio e abord\u00e1-lo como um problema social, e n\u00e3o apenas individual, deve ser tamb\u00e9m uma tarefa da m\u00eddia, de modo a ajudar as pessoas na identifica\u00e7\u00e3o precoce dos sintomas e de como buscar ajuda profissional\u201d, aponta Antonio Augusto Pinto Junior, do Departamento de Psicologia UFF.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rossano Cabral Lima, da Uerj, orienta que a imprensa trate casos sem sensacionalismo e evitando detalhes sobre os m\u00e9todos, para evitar o chamado efeito cont\u00e1gio, que poderia incentivar outros casos. \u201c\u00c9 mais importante dar informa\u00e7\u00f5es como essa [dados do anu\u00e1rio], que tem mais impacto na sa\u00fade coletiva, do que de casos individuais. Mas, mesmo em rela\u00e7\u00e3o aos casos individuais, evitar detalhes sobre m\u00e9todos, sem glamouriza\u00e7\u00e3o nem tratar como um ato de coragem, de resist\u00eancia. Uma abordagem respons\u00e1vel pela imprensa tem um impacto positivo em transformar o suic\u00eddio em uma coisa que n\u00e3o seja um tabu\u201d, conclui.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Sinais de alerta<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os anos ocorre a campanha Setembro Amarelo. \u00c9 uma forma de levar a sa\u00fade mental e preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio para o cotidiano nas pessoas. Um dos objetivos da a\u00e7\u00e3o \u00e9 aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre sinais de que uma pessoa pensa em tirar a pr\u00f3pria vida. A\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0aponta alguns ind\u00edcios, segundo a campanha:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Express\u00e3o de ideias ou de inten\u00e7\u00f5es suicidas;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Publica\u00e7\u00f5es nas redes sociais com conte\u00fado negativista ou participa\u00e7\u00e3o em grupos virtuais que incentivem o suic\u00eddio ou outros comportamentos associados;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Isolamento e distanciamento da fam\u00edlia, dos amigos e dos grupos sociais, particularmente importante se a pessoa apresentava uma vida social ativa;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Atitudes perigosas que n\u00e3o necessariamente podem estar associadas ao desejo de morte (dirigir perigosamente, beber descontroladamente, brigas constantes, agressividade, impulsividade, etc.);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Aus\u00eancia ou abandono de planos;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Forma desinteressada como a pessoa est\u00e1 lidando com algum evento estressor (acidente, desemprego, fal\u00eancia, separa\u00e7\u00e3o dos pais, morte de algu\u00e9m querido);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Despedidas (\u201cacho que no pr\u00f3ximo natal n\u00e3o estarei aqui com voc\u00eas\u201d, liga\u00e7\u00f5es com conota\u00e7\u00e3o de despedida, distribuir os bens pessoais);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Colocar os assuntos em ordem, fazer um testamento, dar ou devolver os bens;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Queixas cont\u00ednuas de sintomas como desconforto, ang\u00fastia, falta de prazer ou sentido de vida;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Qualquer doen\u00e7a psiqui\u00e1trica n\u00e3o tratada (quadros psic\u00f3ticos, transtornos alimentares e os transtornos afetivos de humor).<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Obter ajuda<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os profissionais que tratam de sa\u00fade mental e institui\u00e7\u00f5es especialistas em preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio, \u00e9 un\u00e2nime a ideia de procurar (ou orientar) ajuda espec\u00edfica sempre que sentir necessidade de acolhimento (ou perceber que algu\u00e9m precisa). Aqui alguns canais para receber aten\u00e7\u00e3o e aux\u00edlio:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cvv.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida<\/a>, realiza apoio emocional e preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio, atendendo volunt\u00e1ria e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211;\u00a0<a href=\"https:\/\/mapasaudemental.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mapa da Sa\u00fade Mental<\/a>, que traz uma lista de locais de atendimento volunt\u00e1rio on-line e presencial em todo pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.podefalar.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pode Falar<\/a>, um canal lan\u00e7ado pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) de ajuda em sa\u00fade mental para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. Funciona de forma an\u00f4nima e gratuita, indicando materiais de apoio e servi\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">agenciabrasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O suic\u00eddio \u00e9 um fen\u00f4meno multifatorial, ou seja, s\u00e3o v\u00e1rios elementos envolvidos que levam \u00e0 decis\u00e3o de uma pessoa tirar a pr\u00f3pria vida. Por isso, \u00e9 preciso uma articula\u00e7\u00e3o de setores e saberes para que a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o sejam bem sucedidas. Al\u00e9m disso,\u00a0o tema n\u00e3o pode ser tratado como tabu. 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