 {"id":45112,"date":"2025-01-23T08:19:42","date_gmt":"2025-01-23T11:19:42","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=45112"},"modified":"2025-01-23T08:19:42","modified_gmt":"2025-01-23T11:19:42","slug":"com-105-mortes-em-2024-brasil-e-o-pais-que-mais-mata-pessoas-trans-pais-ocupa-lideranca-do-ranking-de-assassinatos-ha-17-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2025\/01\/23\/com-105-mortes-em-2024-brasil-e-o-pais-que-mais-mata-pessoas-trans-pais-ocupa-lideranca-do-ranking-de-assassinatos-ha-17-anos\/","title":{"rendered":"Com 105 mortes em 2024, Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata pessoas trans; Pa\u00eds ocupa lideran\u00e7a do ranking de assassinatos h\u00e1 17 anos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No ano passado, 105 pessoas trans foram mortas no Brasil. Apesar de o pa\u00eds ter registrado 14 casos a menos que em 2023, o pa\u00eds segue, pelo 17\u00ba ano consecutivo, como o que mais mata pessoas trans no mundo. Os dados s\u00e3o do Dossi\u00ea: Registro Nacional de Mortes de Pessoas Trans no Brasil em 2024: da Expectativa de Morte a um Olhar para a Presen\u00e7a Viva de Estudantes Trans na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica Brasileira, da Rede Trans Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dossi\u00ea, que ser\u00e1 oficialmente lan\u00e7ado no pr\u00f3ximo dia 29 nas\u00a0redes sociais da organiza\u00e7\u00e3o, re\u00fane os casos divulgados por meios de comunica\u00e7\u00e3o, como internet, redes sociais, jornais e emissoras de televis\u00e3o, ao longo do\u00a0ano passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior parte dos casos, 38%, foi na Regi\u00e3o Nordeste, que continua sendo a que mais registra mortes de pessoas trans desde 2022. A Regi\u00e3o Sudeste aparece em segundo lugar, com 33% dos assassinatos, seguida pelo Centro-Oeste, com 12,6% dos mortes; pelo Norte, com 9,7%, e Sul, com 4,9% dos casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os estados, em n\u00fameros absolutos, S\u00e3o Paulo foi o estado com maior registro de assassinatos: 17. Minas Gerais, com 10 casos, e o Cear\u00e1, com 9, aparecem em seguida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA queda no n\u00famero de mortes de pessoas trans em rela\u00e7\u00e3o a 2023 \u00e9 um pequeno al\u00edvio, mas n\u00e3o podemos ignorar que elas ainda acontecem. Isso reflete como o Brasil est\u00e1 em um processo lento e desigual de mudan\u00e7a. Apesar de avan\u00e7os em debates p\u00fablicos e de maior visibilidade, a viol\u00eancia e o preconceito ainda s\u00e3o uma realidade para muitas pessoas trans. Essa trajet\u00f3ria mostra que, embora existam sinais de progresso, a luta est\u00e1 longe de acabar\u201d, diz a secret\u00e1ria adjunta de Comunica\u00e7\u00e3o da Rede Trans Brasil, Isabella Santorinne.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das que colaboram com a pesquisa Trans Murder Monitoring, que monitora os assassinatos de pessoas trans e de g\u00eanero diverso em n\u00edvel global. A pesquisa considera os casos registrados at\u00e9 30 de setembro de cada ano. Em 2024, foi registrado em n\u00edvel global o maior n\u00famero de assassinatos, 350 pessoas trans.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apenas a Am\u00e9rica Latina e o Caribe re\u00fanem cerca de 70% dos casos, um total de 255. O Brasil lidera o\u00a0ranking\u00a0com 106 mortes notificadas no per\u00edodo considerado. Em seguida, est\u00e3o M\u00e9xico (71), Col\u00f4mbia (25), Equador (14), Honduras (6), Argentina (6), Guatemala (5), Venezuela (4), Cuba (3), Panam\u00e1 (3), Peru (2), Bol\u00edvia (2), Nicar\u00e1gua (2), Uruguai (1), Porto Rico (1), Chile (1), Guiana (1), Trindade e Tobago (1) e Rep\u00fablica Dominicana (1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 muito contradit\u00f3rio, porque o pa\u00eds que mais consome pornografia trans no mundo \u00e9 o Brasil e o Brasil tamb\u00e9m \u00e9 o pa\u00eds que mais mata pessoas trans, ou seja, as pessoas sentem prazer e desejo pelos nossos corpos, e ao mesmo tempo sentem \u00f3dio e repulsa pelos nossos corpos. \u00c9 muito contradit\u00f3rio\u201d, diz Isabella Santorinne.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Perfil<\/strong><br \/>\nA maioria das mortes registradas no Brasil \u00e9 de mulheres trans ou travestis, que correspondem a 93,3% das v\u00edtimas. As demais v\u00edtimas, 6,7% s\u00e3o homens trans. A maior parte tinha idade entre 26 e 35 anos (36,8%), era parda (36,5%) ou preta (26%) e era trabalhadora sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs dados evidenciam e detalham a realidade violenta \u00e0 qual pessoas trans e travestis s\u00e3o submetidas. Nosso dossi\u00ea tamb\u00e9m revela que a faixa et\u00e1ria m\u00e9dia das pessoas mortas era de 26 a 35 anos e elas eram, em sua maioria, pessoas racializadas, incluindo pretas e pardas. Al\u00e9m disso, muitos dos homic\u00eddios registrados desde 2016 tiveram como v\u00edtima trabalhadoras sexuais que foram assassinadas ou violentadas em seu local de trabalho, as ruas\u201d, enfatiza Isabella.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O levantamento mostra ainda, que a maior parte dos casos, 66%, ainda estava sendo investigada e que, em 34% deles, o suspeito foi preso. Dentre os casos com os devidos registros, os agressores eram companheiros e ex-companheiros, em 14 casos; clientes, em nove; e nove foram de execu\u00e7\u00e3o com poss\u00edvel envolvimento com d\u00edvidas com agiotas, drogas e liga\u00e7\u00e3o com organiza\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mortes foram, a maioria, por arma de fogo e facada. Os homic\u00eddios ocorreram, a maior parte, em vias p\u00fablicas, seguido pela resid\u00eancia da pr\u00f3pria v\u00edtima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dossi\u00ea tamb\u00e9m analisou o respeito dos meios de comunica\u00e7\u00e3o aos nomes das v\u00edtimas. No ano passado, 93,3% dos casos foram respeitados e 6,7% trataram as v\u00edtimas pelo chamado nome morto, ou seja, o nome pelo qual a pessoa era chamada antes da transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Isabella, o dossi\u00ea d\u00e1 visibilidade aos assassinatos e viol\u00eancias cometidas contra pessoas trans no Brasil e ajuda a desenvolver pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cFaltam pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a prote\u00e7\u00e3o de pessoas trans. Embora existam iniciativas pontuais, elas s\u00e3o insuficientes diante do cen\u00e1rio de exclus\u00e3o e viol\u00eancia que a popula\u00e7\u00e3o trans enfrenta. \u00c9 urgente criar a\u00e7\u00f5es que promovam educa\u00e7\u00e3o inclusiva, empregabilidade, acesso \u00e0 sa\u00fade e seguran\u00e7a, al\u00e9m de garantir que crimes transf\u00f3bicos sejam devidamente investigados e punidos. Sem pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes, a luta pela sobreviv\u00eancia e dignidade continua sendo uma batalha di\u00e1ria para pessoas trans no Brasil\u201d, diz a secret\u00e1ria adjunta de Comunica\u00e7\u00e3o da Rede Trans Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano passado, 105 pessoas trans foram mortas no Brasil. Apesar de o pa\u00eds ter registrado 14 casos a menos que em 2023, o pa\u00eds segue, pelo 17\u00ba ano consecutivo, como o que mais mata pessoas trans no mundo. 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