 {"id":5291,"date":"2023-08-14T06:44:07","date_gmt":"2023-08-14T09:44:07","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=5291"},"modified":"2023-08-14T06:44:07","modified_gmt":"2023-08-14T09:44:07","slug":"alvo-de-preconceitos-funk-muda-vidas-e-movimenta-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2023\/08\/14\/alvo-de-preconceitos-funk-muda-vidas-e-movimenta-economia\/","title":{"rendered":"Alvo de preconceitos, funk muda vidas e movimenta economia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nascido na favela, marginal, alvo de preconceitos, associado ao erotismo, \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 criminalidade, criticado, perseguido e no topo das paradas da m\u00fasica pop internacional. Esse\u00a0\u00e9 o\u00a0<em>funk<\/em>, g\u00eanero musical\u00a0que, na \u00faltima semana, teve uma\u00a0s\u00e9rie exibida pela\u00a0<strong>TV Brasil<\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0<em>Funk: das favelas do Brasil para o mundo<\/em>. Os epis\u00f3dios est\u00e3o dispon\u00edveis na \u00edntegra no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/playlist?list=PLuP7SQK7lt1bBit7heRgx0V-ZTezk7VTw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Youtube<\/a>.\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1548663&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1548663&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO preconceito que o g\u00eanero\u00a0sofre hoje \u00e9 o que a capoeira e o samba j\u00e1 sofreram\u201d, diz o pesquisador e professor de m\u00fasica Thiagson. Apesar disso, est\u00e1 entre os ritmos brasileiros mais tocados no exterior, de acordo com a plataforma Spotify, e ganha cada vez mais ouvintes.\u00a0\u00a0\u201cA gente tem Anitta, Ludmila, MC Carol, que s\u00e3o funkeiras desde muito tempo, mas ainda falta\u201d, diz a MC Natitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ano, o \u00e1lbum\u00a0<em>Funk Brasil Vol. 1<\/em>, do DJ Marlboro, lan\u00e7ado em 1989, completa 34 anos. O disco \u00e9 considerado o marco zero do\u00a0<em>funk<\/em>\u00a0brasileiro. O disco nasceu de um encontro. Certo dia, no ano de 1986, o antrop\u00f3logo Hermano Vianna presenteou o DJ Marlboro com uma pequena bateria eletr\u00f4nica Boss DR-110, tirada do est\u00fadio do seu irm\u00e3o Herbert Vianna, do Paralamas do Sucesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Hermano Vianna me procura na r\u00e1dio, ele ouvia meu programa e estava fazendo a tese de mestrado, ele queria que eu o levasse aos bailes. Um belo dia me d\u00e1 a bateria eletr\u00f4nica.\u00a0\u00a0Cara, acendeu a primeira eureca\u201d, diz Malboro. O disco, que tinha letras exclusivas em portugu\u00eas, sofreu resist\u00eancia das gravadoras e do pr\u00f3prio movimento\u00a0<em>funk<\/em>, at\u00e9 ent\u00e3o\u00a0mais voltado para a m\u00fasica internacional. Mas\u00a0o disco foi um sucesso, com milhares de c\u00f3pias vendidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a d\u00e9cada de 80, Malboro prev\u00ea que o<em>\u00a0funk<\/em>\u00a0vai se espalhar. \u201cO futuro do\u00a0<em>funk<\/em>, eu j\u00e1 previa. Sabia que ia cada vez mais se popularizar e se transformar em m\u00fasica pop dan\u00e7ante com batida de\u00a0<em>funk<\/em>. Continuar sendo voz dos exclu\u00eddos\u201d, diz. O movimento se espalha, ent\u00e3o, do Rio de Janeiro para S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Esp\u00edrito Santos, Pernambuco e outras capitais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuanto mais artistas tinha na favela, menos violenta ela era. V\u00e3o surgindo\u00a0outras pessoas como exemplo de vida de ascens\u00e3o, de cidadania, de vida melhor\u201d, acrescenta\u00a0Malboro.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Economia e impacto social<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com milh\u00f5es de ouvintes e de visualiza\u00e7\u00f5es em clipes, o\u00a0<em>funk<\/em>\u00a0movimenta a economia. S\u00e3o v\u00e1rios os projetos, as gravadoras e as produtoras voltadas para o g\u00eanero musical. Entre os projetos citados nas reportagens da TV Brasil est\u00e3o o Rede Funk Social, em S\u00e3o Gon\u00e7alo (RJ), o Projeto Estudeofunk, no Rio de Janeiro, Enxame de MC, em Recife, Pernambuco e KondZilla, que \u00e9 o maior canal de m\u00fasica da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA KondZilla nasce nesse lugar de repensar como o\u00a0<em>funk<\/em>\u00a0\u00e9 visto e \u00e9 reproduzido. \u00c9 posicionar nossos artistas, nosso movimento, as pessoas que constroem esse movimento do\u00a0<em>funk<\/em>\u00a0num lugar de artistas que t\u00eam que ser legitimados e reconhecidos pela arte que fazem\u201d, diz a\u00a0gerente de artistas e repert\u00f3rio da KondZilla, Rachel Daniel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<em>funk<\/em>\u00a0mudou vidas, como a da bailarina e educadora Lilian Martins, criada em Pedreira, zona sul da cidade de S\u00e3o Paulo. \u201cEu sempre fui para o baile\u00a0<em>funk<\/em>, desde pequenininha, sempre assisti. Depois, com meus 15, 16 anos comecei a frequentar os bailes. Mas, eu ia de bicicletinha, ficava escondida atr\u00e1s do carro e sempre via o baile como um grande espet\u00e1culo\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela faz parte da\u00a0Clar\u00edn Cia de Dan\u00e7a, que levou o passinho ao palco do Theatro Municipal de S\u00e3o Paulo, com adapta\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo\u00a0<em>Ou 9 ou 80<\/em>. O 9 faz refer\u00eancia ao\u00a0Massacre de Parais\u00f3polis, na zona sul da cidade de S\u00e3o Paulo, quando nove jovens foram mortos em a\u00e7\u00e3o policial no baile\u00a0<em>funk<\/em>\u00a0DZ7 em Parais\u00f3polis.\u00a0J\u00e1 o 80\u00a0faz refer\u00eancia ao assassinato do m\u00fasico Evaldo dos Santos Rosa, 51 anos, em decorr\u00eancia de uma opera\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito, em Guadalupe, zona oeste do Rio de Janeiro. O carro de Evaldo foi atingido por mais de 80 tiros de fuzil,\u00a0disparados pelos militares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs pessoas da comunidade n\u00e3o acreditam na pr\u00f3pria pot\u00eancia. A gente cresceu ouvindo que o\u00a0<em>funk<\/em>\u00a0tinha criminalidade, in\u00fameras coisas que acontecem, mas nunca como express\u00e3o cultural. Eu sou a prova viva de que o\u00a0<em>funk<\/em>\u00a0mudou minha vida\u201d, diz Martins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A s\u00e9rie \u00e9 dividida em cinco epis\u00f3dios. O primeiro aborda o surgimento do ritmo; o segundo, o\u00a0<em>funk<\/em>\u00a0como express\u00e3o de identidade; o terceiro, as pol\u00eamicas e preconceitos; o quarto, a cadeia produtiva e a economia; e, o \u00faltimo, o futuro do\u00a0<em>funk<\/em>\u00a0e o impacto social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">agenciabrasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascido na favela, marginal, alvo de preconceitos, associado ao erotismo, \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 criminalidade, criticado, perseguido e no topo das paradas da m\u00fasica pop internacional. Esse\u00a0\u00e9 o\u00a0funk, g\u00eanero musical\u00a0que, na \u00faltima semana, teve uma\u00a0s\u00e9rie exibida pela\u00a0TV Brasil\u00a0&#8211;\u00a0Funk: das favelas do Brasil para o mundo. 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