 {"id":54658,"date":"2025-08-10T09:50:33","date_gmt":"2025-08-10T12:50:33","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=54658"},"modified":"2025-08-10T09:50:33","modified_gmt":"2025-08-10T12:50:33","slug":"distancias-explicitas-ou-disfarcadas-como-lidar-com-ausencia-da-figura-paterna-neste-dia-dos-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2025\/08\/10\/distancias-explicitas-ou-disfarcadas-como-lidar-com-ausencia-da-figura-paterna-neste-dia-dos-pais\/","title":{"rendered":"Dist\u00e2ncias expl\u00edcitas ou disfar\u00e7adas: como lidar com aus\u00eancia da figura paterna neste Dia dos Pais"},"content":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0s campanhas publicit\u00e1rias calorosas e aos almo\u00e7os em fam\u00edlia que marcam o Dia dos Pais, muitas pessoas enfrentam o per\u00edodo com um misto de sil\u00eancio, dor e sentimentos n\u00e3o resolvidos. Seja por luto, abandono ou v\u00ednculos fr\u00e1geis, o segundo domingo de agosto pode ser um lembrete desconfort\u00e1vel sobre a aus\u00eancia paterna.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Lua Helena Moon, da Hapvida, explica que a ocasi\u00e3o pode despertar gatilhos profundos. &#8220;\u00c9 um dia que, para muitos, refor\u00e7a o que faltou: n\u00e3o o que foi celebrado. E isso precisa ser reconhecido com acolhimento, n\u00e3o com culpa&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Nesse sentido, permitir-se sentir tristeza, raiva ou at\u00e9 indiferen\u00e7a \u00e9 fundamental. \u201cNenhum sentimento precisa ser escondido s\u00f3 porque o calend\u00e1rio diz que \u00e9 dia de festa&#8221;, acrescenta. Para quem perdeu o pai, a data pode reabrir uma dor que parecia adormecida. &#8220;O luto n\u00e3o \u00e9 linear. Mesmo depois de anos, datas simb\u00f3licas podem machucar&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Aus\u00eancias expl\u00edcitas e disfar\u00e7adas \u2013 Em paralelo, de acordo com o portal da transpar\u00eancia da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), de janeiro ao in\u00edcio de agosto de 2025, 1.508.063 beb\u00eas nasceram no Brasil. Desse total, quase 65 mil receberam apenas o sobrenome da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Quando se fala em abandono paterno, muita gente imagina aquela cena cl\u00e1ssica do homem que foi embora e nunca mais deu not\u00edcia. Mas existe uma aus\u00eancia disfar\u00e7ada. E talvez mais dolorida: a do pai que nunca saiu de casa, mas tamb\u00e9m nunca esteve l\u00e1 de verdade.<\/p>\n<p>\u201cEle estava na mesa do jantar, mas n\u00e3o sabia o nome da professora, nunca perguntou sobre um sonho, nem quis saber dos medos. A gente cresce achando que isso \u00e9 o normal. Que pai n\u00e3o participa mesmo, n\u00e3o cuida, n\u00e3o escuta. Como se carinho de pai fosse uma cortesia, n\u00e3o uma responsabilidade\u201d, reflete.<\/p>\n<p>No Brasil, esse tipo de abandono virou quase folclore. A piada do \u201csaiu pra comprar cigarro\u201d parece engra\u00e7adinha, mas tem gosto amargo para quem ficou esperando. \u00c0s vezes a aus\u00eancia tem nome de trag\u00e9dia: a morte, por exemplo. Outras vezes, \u00e9 o corte brusco do abandono. E tem ainda o sil\u00eancio morno de quem ficou, mas nunca se conectou: a frieza, o distanciamento, a raiva.<\/p>\n<p>\u201cQualquer uma dessas formas deixa marcas. Sabemos que outras figuras podem acolher: a m\u00e3e, a av\u00f3, um tio presente, mas a falta do cuidado paterno n\u00e3o se apaga sozinha\u201d, pontua a tamb\u00e9m psic\u00f3loga da Hapvida, Ver\u00f4nica Lima.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, Lua Helena afirma que o risco maior \u00e9 a crian\u00e7a crescer acreditando que n\u00e3o \u00e9 digna de amor, que tem algo errado com ela. \u201cE a\u00ed passa a vida tentando provar o contr\u00e1rio, sem nem saber que est\u00e1 tentando\u201d, frisa.<\/p>\n<p>Naturalmente, quando chega o Dia dos Pais, para muita gente, a data pesa. \u201cN\u00e3o tem homenagem que encaixe, nem sorriso que disfarce. \u00c9 normal sentir tristeza, raiva, at\u00e9 inveja de quem teve pai presente\u201d, afirma Lua. No entanto, n\u00e3o precisa fingir que n\u00e3o d\u00f3i. \u201cO que n\u00e3o d\u00e1 \u00e9 para seguir tratando o abandono como se fosse um detalhe do passado ou uma falha das m\u00e3es\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Ainda segundo Lua Helena, existe uma estrutura social inteira por tr\u00e1s disso: homens ensinados a n\u00e3o cuidar, a achar que dar amor aos filhos \u00e9 opcional. \u201cMudar isso n\u00e3o \u00e9 simples, mas come\u00e7a com o \u00f3bvio: nomear a dor. Falar sobre ela. E, devagar, aprender que pedir ajuda n\u00e3o \u00e9 sinal de fraqueza, mas de maturidade. Porque s\u00f3 quando a gente reconhece o que doeu \u00e9 que come\u00e7a a escolher um caminho diferente\u201d, orienta.<\/p>\n<p><strong>Pais presentes \u2013<\/strong> A psic\u00f3loga Ver\u00f4nica Lima finaliza com um recado importante. \u201cEstamos diante de um momento de reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de estar de fato na vida dos filhos construindo v\u00ednculos e mem\u00f3rias, porque, afinal, presen\u00e7a \u00e9 participar, escutar e cuidar\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0s campanhas publicit\u00e1rias calorosas e aos almo\u00e7os em fam\u00edlia que marcam o Dia dos Pais, muitas pessoas enfrentam o per\u00edodo com um misto de sil\u00eancio, dor e sentimentos n\u00e3o resolvidos. Seja por luto, abandono ou v\u00ednculos fr\u00e1geis, o segundo domingo de agosto pode ser um lembrete desconfort\u00e1vel sobre a aus\u00eancia paterna. 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