 {"id":55079,"date":"2025-08-29T14:47:20","date_gmt":"2025-08-29T17:47:20","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=55079"},"modified":"2025-08-29T14:47:35","modified_gmt":"2025-08-29T17:47:35","slug":"visibilidade-lesbica-numeros-que-revelam-luta-resistencia-e-desafios-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2025\/08\/29\/visibilidade-lesbica-numeros-que-revelam-luta-resistencia-e-desafios-no-brasil\/","title":{"rendered":"Visibilidade L\u00e9sbica: n\u00fameros que revelam luta, resist\u00eancia e desafios no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Agosto \u00e9 marcado pelo <strong>Dia Nacional da Visibilidade L\u00e9sbica<\/strong>, celebrado em 29 de agosto. A data, criada a partir do 1\u00ba Semin\u00e1rio Nacional de L\u00e9sbicas em 1996, busca dar voz a um grupo que ainda enfrenta apagamento social, cultural e pol\u00edtico. Mas, para al\u00e9m das celebra\u00e7\u00f5es, os n\u00fameros mostram que a luta pela visibilidade l\u00e9sbica \u00e9 urgente e necess\u00e1ria.<\/p>\n<h3><strong>Quem s\u00e3o as l\u00e9sbicas no Brasil?<\/strong><\/h3>\n<p>O <strong>IBGE (2023)<\/strong> registrou que apenas <strong>0,9% das mulheres brasileiras<\/strong> se identificam como l\u00e9sbicas e <strong>0,8% como bissexuais<\/strong>. Pesquisadoras e ativistas afirmam que esses n\u00fameros s\u00e3o subestimados, j\u00e1 que muitas mulheres n\u00e3o se sentem seguras para declarar sua orienta\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>Para preencher essa lacuna, coletivos como a <strong>Liga Brasileira de L\u00e9sbicas (LBL)<\/strong> e o <strong>Coturno de V\u00eanus<\/strong> organizaram o <strong>Lesbocenso Nacional (2021-2022)<\/strong>, trazendo dados in\u00e9ditos sobre educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, trabalho e viv\u00eancias das mulheres l\u00e9sbicas.<\/p>\n<h3><strong>Viol\u00eancia: o peso da lesbofobia<\/strong><\/h3>\n<p>Os n\u00fameros do Lesbocenso revelam uma realidade alarmante: <strong>78,6% das mulheres l\u00e9sbicas j\u00e1 sofreram algum tipo de lesbofobia<\/strong>. Em quase um ter\u00e7o dos casos (<strong>29,3%<\/strong>), as agress\u00f5es vieram da pr\u00f3pria fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia, no entanto, n\u00e3o para por a\u00ed. Dados do <strong>Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan)<\/strong> mostram que os casos registrados contra l\u00e9sbicas <strong>aumentaram 50% entre 2015 e 2022<\/strong>, saltando de 1.721 para 3.478 notifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Entre as viol\u00eancias mais graves, est\u00e1 o chamado <strong>\u201cestupro corretivo\u201d<\/strong>, que representa <strong>74% dos casos de viol\u00eancia sexual<\/strong> relatados por l\u00e9sbicas. A ideia criminosa por tr\u00e1s dessa pr\u00e1tica \u00e9 \u201ccorrigir\u201d a orienta\u00e7\u00e3o sexual da v\u00edtima.<\/p>\n<h3><strong>Na sa\u00fade, barreiras e constrangimento<\/strong><\/h3>\n<p>Outro dado preocupante vem do campo da sa\u00fade. O Lesbocenso mostrou que <strong>72,9% das l\u00e9sbicas se sentiram constrangidas ao revelar sua orienta\u00e7\u00e3o sexual em atendimentos m\u00e9dicos<\/strong>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, <strong>25% relataram ter sofrido discrimina\u00e7\u00e3o em consultas ginecol\u00f3gicas<\/strong>. Ativistas e especialistas em sa\u00fade coletiva alertam que a heteronormatividade ainda guia a conduta de muitos profissionais, que ignoram pr\u00e1ticas sexuais entre mulheres e falham no acolhimento adequado.<\/p>\n<h3><strong>Lesboc\u00eddio: quando o \u00f3dio leva \u00e0 morte<\/strong><\/h3>\n<p>O <strong>Dossi\u00ea sobre Lesboc\u00eddio<\/strong>, elaborado pelo Grupo Gay da Bahia, documentou <strong>135 mortes de l\u00e9sbicas no Brasil entre 1983 e 2013<\/strong>. J\u00e1 entre 2016 e 2017, houve um aumento de <strong>80% nas mortes<\/strong>, passando de 30 para 54 casos.<\/p>\n<p>Estudos recentes tamb\u00e9m mostram que, diferentemente do feminic\u00eddio contra mulheres heterossexuais, os assassinatos de l\u00e9sbicas muitas vezes s\u00e3o cometidos por desconhecidos (<strong>36%<\/strong>) ou at\u00e9 por familiares (<strong>34%<\/strong>), evidenciando um padr\u00e3o de viol\u00eancia espec\u00edfico.<\/p>\n<h3><strong>Visibilidade: mais que um direito, uma necessidade<\/strong><\/h3>\n<p>Se por um lado os n\u00fameros escancaram as viol\u00eancias, por outro revelam a import\u00e2ncia da <strong>visibilidade<\/strong> como ferramenta de luta. O chamado \u201capagamento l\u00e9sbico\u201d \u00e9 uma realidade: nas artes, na m\u00eddia e na publicidade, personagens l\u00e9sbicas ainda s\u00e3o raros ou distorcidos.<\/p>\n<p>Nas redes sociais, relatos se repetem:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cConsigo citar v\u00e1rios filmes com protagonistas gays e apenas tr\u00eas com l\u00e9sbicas.\u201d<br \/>\n\u201cA gente \u00e9 t\u00e3o poucas que n\u00e3o conseguimos ser ouvidas direito.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Esses depoimentos refletem a solid\u00e3o de muitas mulheres que n\u00e3o encontram refer\u00eancias positivas em suas trajet\u00f3rias.<\/p>\n<h3><strong>Por que dar visibilidade importa?<\/strong><\/h3>\n<ul>\n<li><strong>Pesquisas espec\u00edficas<\/strong>: garantir que l\u00e9sbicas sejam reconhecidas de forma diferenciada em censos e estat\u00edsticas oficiais.<\/li>\n<li><strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong>: criar leis que tipifiquem o <strong>lesboc\u00eddio<\/strong> e reforcem medidas de prote\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Sa\u00fade inclusiva<\/strong>: treinar profissionais para acolher l\u00e9sbicas sem preconceito ou constrangimento.<\/li>\n<li><strong>Cultura e m\u00eddia<\/strong>: ampliar representa\u00e7\u00f5es positivas e reais da viv\u00eancia l\u00e9sbica.<\/li>\n<li><strong>Redes de apoio<\/strong>: fortalecer coletivos e espa\u00e7os seguros para mulheres l\u00e9sbicas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_55080\" aria-describedby=\"caption-attachment-55080\" style=\"width: 588px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-55080\" src=\"https:\/\/portalmidia.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/lesbicas.png\" alt=\"\" width=\"588\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/portalmidia.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/lesbicas.png 588w, https:\/\/portalmidia.net\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/lesbicas-300x170.png 300w\" sizes=\"(max-width: 588px) 100vw, 588px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55080\" class=\"wp-caption-text\">arte: portal m\u00eddia<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>Um chamado coletivo<\/strong><\/h3>\n<p>A luta por visibilidade l\u00e9sbica n\u00e3o se restringe ao dia 29 de agosto. \u00c9 um compromisso di\u00e1rio pela vida, dignidade e cidadania de milhares de mulheres que, mesmo diante da invisibilidade e da viol\u00eancia, seguem resistindo e construindo caminhos de liberdade.<\/p>\n<h4>Como refor\u00e7am as ativistas: <strong>dar visibilidade \u00e0s l\u00e9sbicas \u00e9 garantir que todas as mulheres tenham seus direitos reconhecidos.<\/strong><\/h4>\n<p><em><br \/>\nPortal M\u00eddia<\/em><br \/>\n<em>Informa\u00e7\u00e3o com credibilidade<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agosto \u00e9 marcado pelo Dia Nacional da Visibilidade L\u00e9sbica, celebrado em 29 de agosto. 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