 {"id":56825,"date":"2025-11-11T22:43:51","date_gmt":"2025-11-12T01:43:51","guid":{"rendered":"https:\/\/portalmidia.net\/?p=56825"},"modified":"2025-11-11T22:43:51","modified_gmt":"2025-11-12T01:43:51","slug":"tarcisio-pereira-comemora-30-anos-de-literatura-em-festa-literaria-na-academia-paraibana-de-letras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalmidia.net\/index.php\/2025\/11\/11\/tarcisio-pereira-comemora-30-anos-de-literatura-em-festa-literaria-na-academia-paraibana-de-letras\/","title":{"rendered":"Tarc\u00edsio Pereira comemora 30 anos de literatura em festa liter\u00e1ria na Academia Paraibana de Letras"},"content":{"rendered":"<p>O que pode se passar na cabe\u00e7a de algu\u00e9m que, ao acordar de repente, descobre que est\u00e1 preso num t\u00famulo, depois de ter sido enterrado vivo?<\/p>\n<p>Partindo desta pergunta, o escritor e dramaturgo Tarc\u00edsio Pereira escreveu e publicou, nos idos da d\u00e9cada de 1990, o romance intitulado &#8220;Agonia na Tumba&#8221;, na \u00e9poca publicado pela Editora Universit\u00e1ria da UFPB, em duas edi\u00e7\u00f5es que esgotaram rapidamente.<\/p>\n<p>Na noite desta quinta-feira (13), a mesma obra ser\u00e1 relan\u00e7ada, agora numa edi\u00e7\u00e3o comemorativa que marca os 30 anos de estreia do autor na literatura, justamente com essa obra que agora \u00e9 reeditada pela editora Selinho Editorial, do poeta e escritor Ant\u00f4nio Mariano de Lima. O evento acontecer\u00e1 na sede da Academia Paraibana de Letras (Centro Hist\u00f3rico de Jo\u00e3o Pessoa), a partir das 18 horas.<\/p>\n<p>O evento \u00e9 aberto ao p\u00fablico e, al\u00e9m do lan\u00e7amento de Agonia na Tumba, haver\u00e1 exposi\u00e7\u00e3o de outras obras do autor publicadas ao longo dos \u00faltimos 30 anos, al\u00e9m de outros t\u00edtulos da editora.<\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o do livro ser\u00e1 feita\u00a0 pelo escritor, poeta e acad\u00eamico Th\u00e9lio Farias, membro da APL e presidente da Academia de Letras de Campina Grande. O evento ser\u00e1 animado pela viagem sonora do instrumentista e vocalista James N\u00f3brega, com amplo repert\u00f3rio da m\u00fasica cl\u00e1ssica e contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>O autor, Tarc\u00edsio Pereira, tamb\u00e9m estar\u00e1 comemorando o seu anivers\u00e1rio de 60 anos, justo na mesma data, em evento cultural que marca a sua estreia como escritor, desde sua estreia com esse livro que causou um grande impacto junto \u00e0 cr\u00edtica e aos leitores.<\/p>\n<p>O livro Agonia na Tumba \u00e9 um romance que conta a hist\u00f3ria de um homem que foi enterrado vivo. Tudo se passa a partir do momento em que ele desperta dentro do caix\u00e3o e j\u00e1 sepultado, e passa a lutar pela vida e por sua sobreviv\u00eancia num estado de del\u00edrios e alucina\u00e7\u00f5es em que evoca v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es para entender o motivo de encontrar-se ali. &#8220;Psicologia, mist\u00e9rio e suspense d\u00e3o o tom dessa narrativa repleta de situa\u00e7\u00f5es novelescas e surpreendentes&#8221;, segundo palavras do pr\u00f3prio autor.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca de seu lan\u00e7amento, o livro foi bem recepcionado pela cr\u00edtica tanto na Para\u00edba como em outros estados, todos com a opini\u00e3o de que se trata de uma alegoria sobre situa\u00e7\u00f5es de dificuldades e luta por sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Abaixo, alguns coment\u00e1rios sobre esse trabalho divulgado na imprensa da \u00e9poca e at\u00e9 mesmo nos dias atuais:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FORTUNA CR\u00cdTICA:<\/p>\n<p>&#8220;Li atentamente o romance Agonia na Tumba, que a Universidade da Para\u00edba escolheu para inaugurar uma atividade editorial importante. O romance \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, operada com grande dom\u00ednio t\u00e9cnico, guardando sempre a marca do escritor j\u00e1 dominando amplamente o seu oficio.&#8221;<\/p>\n<p>(Nelson Werneck Sodr\u00e9)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Novela surpreendente, carregada de lances inesperados, escrita com m\u00e3o de mestre. Enriquece de forma positiva a fic\u00e7\u00e3o de hoje. Um verdadeiro achado.&#8221;<\/p>\n<p>(Henrique L. Alves)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Apanhei o livro para dar uma olhada, come\u00e7ar a ler um pouco, mas fiquei grudado nas p\u00e1ginas e s\u00f3 o larguei ap\u00f3s a \u00faltima linha. Realmente \u00e9 uma narrativa fascinante pelo ins\u00f3lito, pelo inesperado, pela ang\u00fastia, pelo humor, pela agilidade, pela penetra\u00e7\u00e3o etc&#8230;.&#8221;<\/p>\n<p>(Fernando Peixoto)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O livro tem um elemento poderos\u00edssimo, que arrasta o leitor n\u00e3o-iniciado para dentro de si como um \u00c9dipo Rei ou um Hamlet: mexe com um arqu\u00e9tipo! (&#8230;) Romance de suspense, Tarc\u00edsio opera nele com virtuosismo impressionante a limita\u00e7\u00e3o de elementos que se prop\u00f4s usar no tratamento do tema: o de um homem que acorda dentro de um caix\u00e3o de defunto e j\u00e1 enterrado.&#8221;<\/p>\n<p>(W. J. Solha)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Agonia na Tumba, primeiro romance do jovem escritor paraibano Tarc\u00edsio Pereira, \u00e9, na verdade, tem\u00e1tica e ideologicamente, uma intensa met\u00e1fora da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana no mundo moderno e contempor\u00e2neo. H\u00e1 algo nele do homem solit\u00e1rio e an\u00f4nimo, do homem sem sa\u00edda, her\u00f3i problem\u00e1tico que tanta tinta fez correr pelo rio verbal que nasce em Joyce, Kafka, Faulkner e tantos outros criadores delirantes da modernidade.&#8221;<\/p>\n<p>(Hildeberto Barbosa Filho)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Este n\u00e3o \u00e9 apenas um romance bem escrito do ponto de vista ficcional, capaz de prender o leitor e conduzi-lo sofregamente at\u00e9 \u00e0 \u00faltima palavra, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma obra densa, psicologicamente bem estruturada.&#8221;<\/p>\n<p>(Altimar de Alencar Pimentel)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;A fragmenta\u00e7\u00e3o da escritura, os cortes, a simultaneidade e altern\u00e2ncia dos registros, a verticaliza\u00e7\u00e3o do foco narrativo em primeira pessoa coadunam-se ao tortuoso processo de escava\u00e7\u00e3o mnem\u00f4nica, em conson\u00e2ncia com a impot\u00eancia do agonizante narrador-personagem. E traduzem um seguro dom\u00ednio da forma liter\u00e1ria, que n\u00e3o deixa d\u00favida quanto ao talento desse novo romancista paraibano.&#8221;<\/p>\n<p>(S\u00f4nia L\u00facia Ramalho de Farias)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTarc\u00edsio Pereira, com este livro, n\u00e3o apenas homenageia a tradi\u00e7\u00e3o simbolista, mas a revive e a recria com uma voz contempor\u00e2nea e aut\u00eantica. Agonia na Tumba \u00e9 um funesto e deslumbrante exemplo de prosa po\u00e9tica, um testemunho de que a mais profunda beleza pode, e muitas vezes deve, ser encontrada na pr\u00f3pria agonia.\u201d<\/p>\n<p>(Daniel Osiecki)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A EDI\u00c7\u00c3O:<\/p>\n<p>Selinho Editorial \u00e9 uma marca registrada do escritor, poeta e editor Ant\u00f4nio Mariano criada para publica\u00e7\u00f5es de suas obras e edi\u00e7\u00f5es pontuais de escritores relevantes da literatura local. Pontuais porque n\u00e3o \u00e9 o projeto competitivo no mercado editorial, sem inten\u00e7\u00e3o, inclusive, de construir um vasto cat\u00e1logo. \u00c9, portanto, um projeto fechado, em que os autores n\u00e3o v\u00e3o ao encontro do editor, mas o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das obras do pr\u00f3prio editor, Selinho Editorial prossegue agora trazendo a luz o livro P\u00e3o com sabor de poesia, de Jo\u00e3o Batista de Brito, e a 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o de Agonia na tumba , livro que marca a estreia liter\u00e1ria de Tarc\u00edsio Pereira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>TRECHO DA OBRA:<\/p>\n<p>\u201c\u00c1gua despenca sobre os meus cabelos.<\/p>\n<p>Domingo de piquenique, ufa. \u00c9 gostosa a \u00e1gua, caudalosa \u00e1gua, espumas que descem e gemem na cascata, elas v\u00e3o quedando sobre as pedras lisas e gerando bolhas que trafegam em mim, agraciando nervos e tens\u00f5es. Elvira est\u00e1 ali, adiante, estirada na grande laje de cima. Elvira est\u00e1 de mai\u00f4 e usa \u00f3culos escuros. Meu Deus, como Elvira \u00e9 linda! Faz mais de dez anos que estamos casados \u2013 mais de dez anos cansados \u2013, mas Elvira n\u00e3o perdeu a sua boniteza.<\/p>\n<p>\u00c1gua, \u00e1gua, \u00e1gua. Entra \u00e1gua nesta sepultura. Que al\u00edvio, que paz. T\u00e3o agrad\u00e1vel lembrar!<\/p>\n<p>Quer\u00edamos o piquenique, Elvira e eu. Um fim de semana, pra recome\u00e7ar. Propus um retiro para o litoral, somente n\u00f3s dois. Hotel na beira da praia, pousada com cheiro de peixe fresco, qualquer coisa assim. Mas ela refez o plano e, manh\u00e3 seguinte, veio me lembrar da nossa propriedade, que a gente andava distante e nunca mais tinha ido ao s\u00edtio. Que era necess\u00e1rio revisitar o lugar, a pequena herdade que papai deixou, levar as crian\u00e7as e aproveitar o domingo. N\u00e3o gostei, eu queria o mar e um quarto de casal \u2013 as crian\u00e7as ficariam com a sogra, mas ela imp\u00f4s o seu novo plano e fomos para a granja.<\/p>\n<p>\u00c1gua, \u00e1gua, \u00e1gua. Ufa! Piquenique, ufa! Manh\u00e3 de domingo \u2013 as crian\u00e7as sorriam tanto!<\/p>\n<p>O casamento gelava, afundava no diabo de uma rotina indigesta que \u00e0s vezes temperava t\u00e9dio com ci\u00fame. Na estrada, durante o percurso ao s\u00edtio, resvalei num assunto fora de cautela enquanto dirigia, sem nem dar conta da presen\u00e7a dos filhos na bancada de tr\u00e1s.<\/p>\n<p>\u2013 Nel de Holanda se separou de Regina \u2013 eu disse. \u2013 Voc\u00ea soube, querida?<\/p>\n<p>Elvira, distanciada, olhava o mundo passar pela janela do carro. Nem a\u00ed para a novidade, ou como algu\u00e9m que n\u00e3o ouve. Insisti com a mesma informa\u00e7\u00e3o, Nel de Holanda estava separado, ela apenas sacudiu os ombros e friamente falou:<\/p>\n<p>\u2013 E eu com isso?<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea n\u00e3o se importa com a sua amiga?<\/p>\n<p>\u2013 Que amiga?<\/p>\n<p>\u2013 Estou falando de Regina, a ex de Nel.<\/p>\n<p>\u2013 Eu com isso? Nem \u00e9 minha amiga. Problema dela e de Nel.<\/p>\n<p>Sequer me exibiu o rosto, manteve-se olhando o mundo. Continuamos calados e seguindo estrada, um pouco \u00e0 frente eu perguntei o pior:<\/p>\n<p>\u2013 Estive aqui pensando, Elvira&#8230; Se eu morresse, voc\u00ea ficando vi\u00fava, voc\u00ea teria coragem de casar com Nel?<\/p>\n<p>Agora me olhou bruscamente, feroz. At\u00e9 abaixou os \u00f3culos, talvez tenha lido as minhas suspei\u00e7\u00f5es e apimentou assim:<\/p>\n<p>\u2013 Eu jamais sairia de um b\u00eabado para entrar em outro.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que pode se passar na cabe\u00e7a de algu\u00e9m que, ao acordar de repente, descobre que est\u00e1 preso num t\u00famulo, depois de ter sido enterrado vivo? 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