Lula recebe presidente da Argentina, Alberto Fernández, em São Paulo

Presidente argentino viajou para o Brasil para encontro com Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira (31) o presidente da Argentina, Alberto Fernández, em um almoço em São Paulo.

Lula obteve a vitória após uma disputa acirrada no segundo turno das eleições realizado no domingo (30). O presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda não se pronunciou sobre a derrota no pleito.

Na tarde desta segunda, o perfil oficial de Fernández no Twitter publicou um vídeo do encontro com Lula e manifestou ao petista “amor, admiração e respeito”. “Temos um futuro que nos abraça e nos convoca”, disse.

O resultado da eleição brasileira foi celebrado pelo peronismo governante na Argentina, devido a uma maior afinidade política com Lula do que com Bolsonaro, com quem Fernández mantém uma relação tensa.

Mais cedo, também nesta segunda, Fernández manifestou “carinho e apreço” por Lula. “Tenho um carinho e um apreço enorme pelo Lula e quero dar-lhe o abraço que ele merece. Ele é um bom homem, um líder na região”, disse.

Na noite de domingo, pouco depois da confirmação da vitória, o presidente argentino já havia publicado uma mensagem ao petista. “Parabéns @LulaOficial! Sua vitória abre um novo tempo na história da América Latina. Um tempo de esperança e de futuro que começa hoje.”

A vitória de Lula, de 77 anos, pode representar a retomada da relação bilateral com um importante parceiro comercial, após a posse do presidente eleito em 1º de janeiro de 2023.

“Argentina e Brasil representam um altíssimo nível de produto bruto sul-americano”, disse Fernández à Rádio 10 na noite de domingo, quando definiu Lula como “um líder realmente singular e impactante”.

Nas redes sociais, o presidente argentino comentou o resultado da eleição brasileira e divulgou vídeos do encontro com Lula.

“O Brasil se expressou livre e democraticamente. Democraticamente, elegeram um extraordinário líder latino-americano. Preservar a democracia é a primeira coisa que devemos fazer, e cuidar da vontade popular é fundamental para pensar o progresso da América Latina”, disse o presidente argentino durante a reunião.

Relação bilateral

 

Presidente da Argentina, Alberto Fernandez, com Lula nesta segunda-feira (31) em SP — Foto: Reuters

Presidente da Argentina, Alberto Fernandez, com Lula nesta segunda-feira (31) em SP — Foto: Reuters

De acordo com o jornal “La Nación”, é a primeira vez que Alberto Fernández viaja ao Brasil desde que assumiu o cargo, em 2019. Ele nunca teve um encontro bilateral presencial com Jair Bolsonaro (PL), com quem teve desentendimentos, principalmente em 2020, na pandemia.

Ainda conforme o jornal, os detalhes do encontro entre Lula e Fernández foram coordenados por Daniel Scioli, ex-vice-presidente da Argentina, e Celso Amorim, ex-chanceler brasileiro e assessor internacional do ex-presidente. Scioli entregou há algumas semanas um roteiro de um plano de integração para Amorim, que poderá voltar a ter um papel de peso no Planalto.

A agência Reuters aponta que a vitória de Lula pode implicar a retomada da relação bilateral com o importante parceiro comercial, após a posse do presidente eleito, em 1º de janeiro.

Presidente da Argentina, Alberto Fernandez, se encontra com Lula em SP — Foto: Reuters

Presidente da Argentina, Alberto Fernandez, se encontra com Lula em SP — Foto: Reuters

Atritos

 

O presidente argentino, Alberto Fernández (de costas), em reunião com o presidente Jair Bolsonaro, que está acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do o secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência, Flávio Rocha. — Foto: Casa Rosada

O presidente argentino, Alberto Fernández (de costas), em reunião com o presidente Jair Bolsonaro, que está acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do o secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência, Flávio Rocha. — Foto: Casa Rosada

A relação de Jair Bolsonaro e Fernández é marcada por hostilidades. Em 2019, Bolsonaro defendeu a reeleição do então presidente Mauricio Macri, de tendência liberal, que perdeu no primeiro turno para Fernández.

Bolsonaro chegou a dizer que, se Fernández fosse eleito, a Argentina se tornaria uma “nova Venezuela”. Ainda na campanha, o argentino respondeu: “Em termos políticos, eu não tenho nada a ver com Bolsonaro. Comemoro enormemente que fale mal de mim. É um racista, um misógino, um violento”.

Bolsonaro manteve as críticas após a posse do argentino. O argentino adotou quarentenas rígidas, enquanto Bolsonaro sempre foi crítico do isolamento social e do uso de máscara na pandemia.

Em agosto de 2020, por exemplo, Bolsonaro criticou a gestão de Fernández e disse que isso é o que o povo argentino “merece”. O presidente brasileiro se referiu à Argentina para rebater críticas dos próprios apoiadores. Segundo ele, o mesmo aconteceu com Macri.

Sandra Cohen apontou no seu blog, no g1, que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva consolida o eixo político de forças progressistas nas seis principais economias da América Latina. Além do Brasil – com a chegada do presidente eleito como o decano da região –, México, Argentina, Brasil, Peru, Colômbia e Chile são liderados por presidentes de esquerda e centro-esquerda.

Alberto Fernández com Lula em SP — Foto: ASSOCIATED PRESS

Alberto Fernández com Lula em SP — Foto: ASSOCIATED PRESS

CNN / g1 

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