“Na dúvida em quem votar, não siga o coração”, diz Bolsonaro no Rio

“Na dúvida em quem votar, não siga o coração”, diz Bolsonaro no Rio

Em evento cristão, presidente disse que “o outro lado” quer tudo o que ele não quer e voltou a defender pautas de costumes, como o aborto

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse neste sábado (2/7) que os eleitores que ainda estão “indecisos” sobre como irão votar nas eleições deste ano, devem ouvir a razão, e não “o que manda o coração” ou a “emoção”.

O mandatário da República participou do “Louvorzão”, de um evento cristão realizado no Rio de Janeiro. Em sua fala, o presidente orientou os presentes a se aconselharem com pessoas mais velhas da família, pois, segundo ele, eles são “os melhores conselheiros” para quem ainda está indeciso. A declaração é similar à que fez em uma das inserções partidárias e que foi ao ar no início de junho.

“Eu peço nesse momento que Deus ilumine a cada um de vocês, porque nesses momentos difíceis, de decisão, onde cada um importa o que vai fazer, não faça baseado o que manda o seu coração ou sua emoção. Faça baseado na sua razão. Eu sempre digo, na dúvida, conversa com seus pais ou com seus avós — são os melhores conselheiros para você que ainda está indeciso sobre o que fazer”, afirmou.

Pauta de costumes

Bolsonaro ainda voltou a defender a chamada “pauta de costumes”, como religião, aborto, armas e família. De acordo com o chefe do Executivo federal, “o outro lado” quer tudo o que ele não quer”. “Isso é o que está em jogo no nosso país”, disse.

“O outro lado quer legalizar o aborto. Nós não queremos. O outro lado quer legalizar as drogas. Nós não queremos. O outro lado quer legalizar a ideologia de gênero. Nós não queremos. O outro lado quer se aproximar de países comunistas. Nós não queremos. O outro lado ataca a família. Nós defendemos a família brasileira. O outro lado quer cercear as mídias sociais. Nós queremos a liberdade das mídias sociais”, declarou o presidente.

A três meses das eleições de outubro deste ano, Bolsonaro tem investido em discursos mais enfáticos e que polarizam a disputa eleitoral. No pleito, ele vai disputar a reeleição ao Palácio do Planalto.

Ainda em março, durante evento de lançamento da pré-candidatura à reeleição, intitulado como “Encontro Nacional do Partido Liberal”, Bolsonaro disse que o pleito de outubro não se trata de uma luta da direita contra a esquerda, mas sim “do bem contra o mal”.

O comitê que trabalha pela reeleição de Bolsonaro ao Palácio do Planalto viu a oportunidade de resgatar a pauta de costumes no início de abril. Na época, o pré-candidato à Presidência pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou o consumo da classe média brasileira e a pauta de costumes, e defendeu a descriminalização do aborto.

A reação ocorreu logo nos dias seguintes. A cobrança veio até mesmo de aliados de Lula, que argumentaram que ele estava dando “palanque” para Bolsonaro. Eles aconselharam o ex-presidente a reduzir as falas sobre os temas, considerados “sensíveis”. Como esperado, as alas evangélica e bolsonarista atacaram o petista e suas pautas consideradas pela direita como “ideológicas”.

De lá para cá, o atual chefe do Executivo federal tem feito falas similares em agendas pelo país. Aliados do presidente admitem que apesar de repetidas, as declarações de Bolsonaro surtem efeito em sua base eleitoral e, por meio da polarização, têm o poder de resgatar ex-apoiadores e conquistar novos votos.

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