PESQUISADOR CAIÇARENSE “DESCOBRE” PRIMEIRA PARAIBANA QUE GRAVOU FORRÓ, ROCK E DEIXOU DUETO INÉDITO COM LUIZ GONZAGA

Você já ouvir falar da cantora paraibana Mêves Gama? Poucos paraibanos conhecem essa artista, mas ela foi, segundo o pesquisador e ativista cultural caiçarense Jocelino Tomaz, a primeira paraibana que gravou forró e também rock.

Idelvita Pereira Gama, “Mêves Gama”, nasceu em Campina Grande, em 1940. Aos 11 anos já se destacava na Rádio Tabajara. Aos 16 foi contratada pela Rádio Tamandaré de Recife e em 1958 teve suas primeiras gravações, dois forrós, “Receita de Canjica” e “Forró da Dorotéia”, que estão no LP “Viva São João”, uma coletânea da gravadora Mocambo. Ambas as músicas foram sucesso no período junino daquele ano. “Receita de Canjica” foi, segundo o jornal Diário de Pernambuco (29/06/1958) “a mais vendida das festas juninas”. Com essas gravações, Mêves foi a primeira paraibana a gravar e ter sucesso no gênero forró.

Para o carnaval de 1959, gravou o frevo “Segure seu Homem”do renomado compositor Capiba. A música foi o maior sucesso do carnaval pernambucano de 1959, segundo o jornal Diário de Pernambuco (15/02/1959).

Nos festejos juninos de 1959, voltou ao sucesso com “Adivinhações”, composição de Luiz Queiroga e Nelson Ferreira. Luiz Queiroga (1930-1978), radialista, compositor, autor teatral, humorista, cantor e ator, entre seus feitos criou o personagem Coronel Ludugero, escreveu textos humorísticos para Chico Anysio, Renato Aragão, Dercy Gonçalves, Jô Soares, dentre outros; compôs músicas gravadas entre outros por Luiz Gonzaga. Ele foi parceiro artístico e grande amor da vida de Mêves, se casaram em 1960.

A versatilidade de Mêves também pode ser comprovada no LP “Psicose Musical”, lançado em 1960, com músicas de ritmos variados entre eles alguns rocks, com destaque para “Canção do Recruta”, segundo Jocelino Tomaz, esse foi o primeiro disco com música de rock gravado na Paraíba e Mêves, também foi a primeira paraibana a gravar um rock.

Sua estreia na TV se deu na TV Rádio Clube do Recife (canal 6), onde além de cantora também manifestou sua veia humorística.

Entre 1964 e 1975 viveu no Rio de Janeiro, devido seu esposo ter sido contratado pela TV Tupi. Após esse período, retornou ao Recife e seguiu com sua carreira artística até seu falecimento em 1999.

Mêves gravou cerca de vinte forrós, dez frevos, além de chorinhos, ciranda e rock. É mais lembrada em Recife pelos frevos, alguns tocados nos carnavais até hoje.

Do casamento com Luiz Queiroga, vieram sete filhos, todos artistas: “Lula Queiroga”, cantor, compositor, poeta, cineasta e escritor; Flávio Queiroga, empresário e produtor cultural; Mevinha Queiroga, cantora e pesquisadora cultural, autora da biografia “Luiz Queiroga, O Humilde Imenso”; Lucke Luciano, compositor e músico; “Tostão Queiroga” (baterista); Neno Queiroga, produtor de palco e músico; e “Nena Queiroga”, cantora, considerada “Rainha do Carnaval de Pernambuco” e “A Voz do Galo da Madrugada”.

Nos anos 1980 foi produzido um disco de Mêves, onde dentre outras ela interpreta em dueto, com Luiz Gonzaga, a faixa “Lá no meu Pé de Serra”, música do compositor paraibano Taty Veloz, seu genro a época, porém o LP nunca chegou a ser lançado, sendo essa uma canção com inédita com participação do Rei do Baião.

Pesquisado por Jocelino Tomaz de Lima, Caiçara/PB, junho de 2022.

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