Por que mulheres em posição de liderança ainda são muito criticadas?

Por que mulheres em posição de liderança ainda são muito criticadas?

Dani Costa, especialista em desenvolvimento humano, e Gabriela Manssur, promotora de justiça, opinam sobre os desafios da figura feminina

“Cada mulher que alça voos conquistando espaços que sequer consideramos: parabenize! Ela também está rompendo paradigmas milenares e abrindo espaços para outras”, proclama a especialista em desenvolvimento humano Dani Costa, neste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

A profissional, que também é mentora, palestrante e escritora, nos chama a atenção para uma pauta relevante nos dias atuais: por que a figura feminina ainda recebe muitas críticas quando posicionada em cargos de liderança?

“Olhar para os espaços que a mulher vem se permitindo ocupar nos últimos tempos, não só do ponto de vista profissional como também pessoal, fazendo mais escolhas com relação a vida, se posicionando diante de atitudes de falta de respeito e abusos, os quais quase sempre foram acompanhados pelo silêncio, mostra uma retomada da mulher em uma conexão com o seu potencial criativo e seu sagrado”, declara Dani Costa.

De acordo com a mentora, esse tema deve ser debatido, visto que para chegar até aqui, muitos corpos foram mutilados (em outras épocas), muitas línguas caladas, muita aceitação de modelos mentais masculinos e patriarcais para sobreviver e ir retomando aos poucos o lugar que é por direito da mulher, um lugar de conexão com seu feminino, de reconexão com seu corpo, com sua fertilidade, prosperidade e amor benevolente.

Dani Costa
Dani Costa, especialista em desenvolvimento humano

Para Dani, essas características estão presentes nas ancestrais sacerdotisas, tratadas como uma joia. “Elas tinham o seu lugar no império, sua espiritualidade respeitada, sua mente e seus corpos também, consideradas verdadeiras divindades”, comenta.

Segundo a especialista em desenvolvimento humano, os movimentos de novos tempos têm levado a uma conexão da mulher com o seu feminino consciente, com sua energia criativa e potencial, abrindo portas também para que o masculino se reconecte com um novo lugar de ser. “E esse movimento de forma fluida e constante também, aos poucos, vai ganhando espaços em esferas empresariais, institucionais, sociais e na formação do instituto família”, acrescenta.

E se as mulheres já sentaram no seu devido trono? Para a mentora, ainda não. “Enquanto ainda existir muita força, sofrimento e manifestação requerendo reconhecimento é porque esse lugar do trono ainda não foi considerado”, explica.

“Ainda existe um volume grande de violências e abusos contra a mulher, ainda existe preconceito com relação ao feminino ocupando lideranças, ainda existem julgamentos até mesmo entre mulheres, o que ainda representa uma barreira para que esse lugar de divindade e sagrado seja devidamente ocupado”

Dani Costa, especialista em desenvolvimento humano

“Enquanto ainda existir muita força, sofrimento e manifestação requerendo reconhecimento é porque esse lugar do trono ainda não foi considerado”, explica Dani Costa

No entanto, Dani destaca que existe sim um processo de conscientização individual e um trabalho de autoconhecimento, de honra, resgate de si mesma, de sua sexualidade, de sua conexão com seu corpo, de reconexão curativa com o seu feminino e dos seus traumas ancestrais gravados em cada memória celular. “É importante olhar para essa memória, acolher, ir lá no seu ponto de criação e transmutar, trazendo novos downloads, atualizados nas esferas do sagrado”, sustenta.

Para a profissional, devemos reconhecer todo o movimento realizado pelas ancestrais e honrar, tomando esse feminino e com gratidão, aceitando as que vieram antes “abrindo portas e rompendo paradigmas para que outras pudessem ocupar devidamente o seu lugar de direito”.

“E que logo este Dia da Mulher seja celebrado, não como um dia de manifestação e lutas, mas de reconhecimento do sagrado, do feminino e do divino, a partir de um novo lugar de consciência”, propõe Dani Costa.

Sob a perspectiva da promotora de justiça Gabriela Manssur

A opinião da promotora de justiça Gabriela Manssur vai ao encontro da afirmação da especialista em desenvolvimento humano Dani Costa no que diz respeito à falta de reconhecimento das mulheres em posição de liderança. Para a idealizadora do Projeto Justiceiras, grande parte da sociedade ainda não aceita mulheres com posturas que são tomadas por homens.

“Tanto é que essas mulheres que se destacam são tachadas de loucas, de controladoras ou de mal amadas e sozinhas, mas nós não somos isso. Simplesmente não estamos, de alguma forma, tendo o papel que é esperado da mulher na sociedade… Não é a respeito da nossa competência, mas sim ao que a sociedade ainda espera delas, infelizmente”

Gabriela Manssur

Gabriela Manssur
Gabriela Manssur é a idealizadora do Projeto Justiceiras

A promotora — que atendeu e escutou as vítimas do caso João de Deus, em São Paulo — acredita que está em uma posição “capaz de transformar a vida das brasileiras, lutando pela equidade e pelo fim da violência contra a mulher.” “Todas nós, em qualquer espaço (seja no poder, seja dentro de casa, na iniciativa privada, no terceiro setor ou nas ruas), enfrentamos muitos obstáculos ainda”, afirma.

“É esperada de nós uma posição de mais tranquilidade, de mais tolerância e de mais aceitação. E quando nos impomos contra esses comportamentos que, infelizmente, ainda as deixam em posição de inferioridade perante os homens, sofremos ataques. Logo, o caminho é muito mais difícil”, expõe Manssur.

Gabriela defende vigorosamente a participação de mulheres na liderança, na política, no poder, ou seja, em todos os espaços públicos e privados. Para ela, é esse olhar com perspectiva de gênero que vai perceber discriminações e preconceitos e lutar para fazer diferença e alterar situações de desigualdade.

Pessoas em reunião de trabalho
Gabriela defende vigorosamente a participação de mulheres na liderança, na política, no poder, ou seja, em todos os espaços públicos e privados

Ainda, a promotora compartilha algumas estratégias para conquistar e perseverar em uma posição de liderança em meio a uma sociedade machista:

“É muita dedicação, é muito estudo, é sobre não desistir. Mas tem duas coisas muito importantes para nós mulheres. A primeira é organizar. O tempo é exíguo para todos. Precisamos fazer um bom uso dele. A segunda questão é focar em si, e não ligar tanto para as críticas, por mais que elas sejam sentidas sim, a forma como nós lidamos com elas é que faz a diferença. Muitas vezes é uma luta solitária, mas eu tenho a mim mesma, Deus no coração e uma ética profissional que não me deixa desviar do meu caminho. A dica é: não desista dos seus sonhos, administre o seu tempo, foque em você e saiba que, de fato, o lugar da mulher é onde ela quiser”

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