Rússia e Ucrânia concordam com corredor humanitário e 3ª rodada de negociações

Rússia e Ucrânia concordam com corredor humanitário e 3ª rodada de negociações

Após uma nova rodada de negociação entre Rússia e Ucrânia, que ocorreu em Belarus nesta quinta-feira (3), houve avanço na viabilidade de corredores humanitários e de um cessar-fogo em torno deles, segundo o principal negociador russo, Vladimir Medinsky, descrevendo-o como “progresso substancial”.

Apesar do avanço, o encontro terminou sem os “resultados que a Ucrânia precisa”, afirmou um membro da comitiva ucraniana. As delegações concordaram em mais uma rodada de negociações, que deve ser marcada para o início da próxima semana.

“A segunda rodada de negociações terminou. Infelizmente, os resultados que a Ucrânia precisa ainda não foram alcançados. Há uma solução apenas para a organização de corredores humanitários”, disse o assessor presidencial ucraniano Mykhailo Podolyak em um tweet.

Também nesta quinta, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que os soldados continuarão avançando na Ucrânia e que seus alvos estão sendo atingidos. Putin também declarou que os militares russos não estão impedindo a saída de civis, rebatendo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Anteriormente, a delegação ucraniana também havia divulgado que um cessar-fogo imediato e um armistício estavam entre os principais pontos levados para o encontro.

A primeira conversa entre as delegações após o início dos ataques ocorreu na segunda-feira (28) e teve duração de cinco horas, mas terminou sem um avanço. Na terça-feira (1º), Zelensky disse que a Rússia deveria parar o bombardeio de cidades ucranianas antes que um acordo ocorresse.

Os ataques continuaram nesta quinta-feira (3), assim como a proximidade das tropas russas da capital.

Segundo o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, os russos estão “parados” para um reagrupamento antes de uma possível invasão da capital, ou enfrentando desafios como falta de suprimentos ou resistência de civis.

Os russos assumiram o controle de Kherson, uma cidade estrategicamente importante em uma enseada do Mar Negro com uma população de quase 300 mil habitantes. O prefeito de Kherson, Ihor Kolykhaiev, declarou na quarta-feira (2) que os militares da Ucrânia não estão mais na localidade e que seus habitantes devem agora cumprir as instruções de “pessoas armadas que vieram para a administração da cidade.”

Destaques das últimas 24 horas

  • Casa Branca anuncia sanções a “companheiros de Putin e seus familiares”
  • Forcas russas atacam a cidade de Energodar, próxima à maior usina nuclear da Europa
  • Negociações entre Rússia e Ucrânia não atingem “resultados esperados”, diz assessor ucraniano
  • Putin: “Todos os alvos que estabelecemos estão sendo atingidos”
  • Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky afirmou que apoia sanções contra a Rússia e diz “ter medo” de a Ucrânia “não existir mais”
  • Prefeito de Kherson indica que a cidade está sob controle russo
  • Rússia e Ucrânia têm 2ª rodada de negociações nesta quinta-feira (3)
  • Tribunal Internacional de Haia inicia investigações de possíveis crimes cometidos pela Rússia
  • Comitê Paralímpico Internacional decide banir atletas da Rússia e de Belarus da Paralímpiada de Inverno
  • Tropas russas se posicionam perto de Kiev para reagrupamento
  • O total de refugiados que deixaram a Ucrânia desde o início da guerra é de pelo menos 1 milhão, diz ONU.

 

Sanções aos “companheiros de Putin e seus familiares”

Casa Branca anunciou nesta quinta-feira (3) novas sanções aos oligarcas russos. Segundo o boletim divulgado, sofrerão consequências “companheiros de Putin e seus familiares”.

Os nomes listados serão cortados do sistema financeiro dos EUA, seus ativos nos EUA serão congelados e suas propriedades serão bloqueadas para uso.

Haverá ainda sanções de bloqueio total a oito elites russas, além de seus familiares e associados. Além disso, os EUA também colocarão restrições de visto a 19 oligarcas e 47 de seus familiares e associados próximos.

Essa medida terá como alvo os oligarcas “conhecidos por dirigir, autorizar, financiar, apoiar significativamente ou realizar atividades malignas em apoio à política externa desestabilizadora da Rússia”.

Segunda reunião acaba sem acordo

Negociadores de Rússia e Ucrânia se encontraram nesta quinta-feira (3), pela segunda vez, para discutir condições e termos dos dois países no conflito, mas o encontro terminou sem os “resultados que a Ucrânia precisa”, afirmou um membro da comitiva ucraniana.

“A segunda rodada de negociações terminou. Infelizmente, os resultados que a Ucrânia precisa ainda não foram alcançados. Há uma solução apenas para a organização de corredores humanitários”, disse o assessor presidencial ucraniano Mykhailo Podolyak em um tweet.

Na negociação entre os países, que ocorreu em Belarus, houve avanço na viabilidade de corredores humanitários e de um cessar-fogo em torno deles, segundo o principal negociador russo, Vladimir Medinsky, descrevendo-o como “progresso substancial”.

Anteriormente, a delegação ucraniana também havia divulgado que um cessar-fogo imediato e um armistício estavam entre os principais pontos levados para o encontro.

Zelensky: Tenho medo da Ucrânia não existir mais

Em uma entrevista coletiva na capital ucraniana, Volodymyr Zelensky afirmou que apoia sanções do ocidente contra a Rússia, mas pediu mais apoio à Ucrânia, especialmente em relação ao bloqueio do espaço aéreo, para ampliar respostas contra os ataques.

presidente também afirmou “ter medo” da Ucrânia “não existir mais” caso não haja uma solução diplomática para a crise, e também opinou que outros países anteriormente soviéticos podem ser os próximos alvos da política externa de Putin.

“Nosso povo é muito especial. Não quero vê-lo destruído. Quero ver os ucranianos sobreviverem na História. Não quero que se tornem a lenda dos 300 como os espartanos. Quero paz”, declarou.

Para Zelensky, o objetivo de Putin é “colocar uma nação de joelhos”. Segundo ele, tropas russas estão impedindo cidadãos de saírem de Kherson recentemente dominada, e as cidades estão ficando sem acesso à energia, comida e suprimentos a fim de estimular que ucranianos migrem para a Rússia.

Em seu último vídeo no Facebook, Zelensky afirmou que a Ucrânia não tem “nada a perder além de nossa própria liberdade”, acrescentando que o país está recebendo suprimentos diários de armas de seus aliados internacionais.

Putin a Macron: Rússia atingirá seus objetivos na Ucrânia

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou (24.fev.2022) / REUTERS

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira a seu colega francês Emmanuel Macron que os objetivos da operação da Rússia na Ucrânia — sua desmilitarização e status neutro — serão alcançados de qualquer forma, segundo informou o Kremlin.

Putin disse que qualquer tentativa de Kiev de adiar as negociações resultaria em Moscou adicionando mais itens à sua lista de demandas.

O presidente francês também teve conversas com Volodymyr Zelensky, da Ucrânia.

Ataque a Energodar

As forças russas atacaram nesta quinta-feira (3), a cidade ucraniana de Energodar, que fica próxima à maior usina nuclear da Europa. A informação foi concedida pelo assessor do Ministério do Interior da Ucrânia, Anton Herashchenko.

Segundo Herashchenko, as tropas intensificam a tentativa de tomada da usina de Zaporizhzhia. Na semana passada, os russos já assumiram o controle da usina desativada de Chernobyl.

1 milhão de refugiados deixaram a Ucrânia

Cerca de 1 milhão de refugiados fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa, disse o alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, em um tweet na noite de quarta-feira.

“Em apenas sete dias, testemunhamos o êxodo de 1 milhão de refugiados da Ucrânia para países vizinhos”, disse Grandi. “Para muitos outros milhões, dentro da Ucrânia, é hora de silenciar as armas, para que a assistência humanitária que salva vidas possa ser fornecida”, acrescentou.

Tribunal de Haia

O Tribunal Penal Internacional de Haia, na Holanda, informou que prosseguirá com uma investigação ativa após a invasão da Ucrânia pela Rússia. “Nosso trabalho na coleta de evidências já começou”, disse Karim A.A. Khan, procurador do Tribunal.

Khan disse que seu gabinete “já encontrou uma base razoável para acreditar que crimes dentro da jurisdição do Tribunal foram cometidos e identificou casos em potencial que seriam admissíveis”.

Bombeiros trabalham para extinguir um incêndio em prédio da Universidade Nacional de Kharkiv / Oleksandr Lapshyn/Reuters

Números da guerra

Mais de 2.000 civis ucranianos foram mortos até esta quarta-feira durante a invasão da Rússia, segundo o Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia.

Outras informações sobre as vítimas circulam simultaneamente. A Missão de Monitoramento de Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia disse que registrou 752 baixas civis na Ucrânia desde o início da invasão.

Segundo último informe da agência de Direitos Humanos das Nações Unidas, os números eram outros –apesar da ponderação de que poderiam ser “muito maiores” de antemão. Neste levantamento, foi constatado que pelo menos 136 civis foram mortos, incluindo 13 crianças, e 400 ficaram feridos.

O número de soldados russos mortos no conflito foi de 498, segundo o Ministério da Defesa da Rússia. Também há outros 1.597 feridos até o momento. A Ucrânia, por outro lado, aponta 7.000 mortes de soldados russos.

Míssil em Kiev

Os destroços de um míssil de longo alcance disparado pela Rússia atingiram uma estação ferroviária em Kiev, capital da Ucrânia, provocando uma grande explosão na tarde de quarta-feira (2). A estação de trem estava sendo utilizada para receber mulheres e crianças que procuravam abrigo em meio ao conflito. Segundo informações do prefeito de Kiev, não há registro de vítimas.

De acordo com um conselheiro do Ministério do Interior da Ucrânia, as forças ucranianas interceptaram o míssil. Até o momento, ainda não há a confirmação de qual seria o alvo original da ofensiva russa.

O ataque teria cortado o fornecimento de aquecimento para partes da capital ucraniana em meio a temperaturas congelantes do inverno europeu, disse o assessor do Ministério do Interior, Anton Herashchenko, em uma publicação.

Enquanto os confrontos continuam no território ucraniano, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que reconhece o presidente Volodymyr Zelensky como líder da Ucrânia. Lavrov afirmou ainda que os negociadores russos estão prontos para a segunda rodada de conversas.

Possível influência chinesa na invasão

Um relatório de inteligência ocidental indicou que autoridades chinesas solicitaram, no início de fevereiro, que altos funcionários russos esperassem até o término dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim antes de iniciar uma invasão à Ucrânia, disseram autoridades dos Estados Unidos na quarta-feira.

Autoridades dos EUA consideram o relatório crível, mas seus detalhes estão abertos à interpretação, de acordo com uma fonte familiarizada com a inteligência.

Embora o pedido tenha sido feito na época em que o presidente Vladimir Putin visitou Pequim para a cerimônia de abertura das Olimpíadas, quando se encontrou com o presidente chinês, Xi Jinping, não está claro no relatório se Putin abordou o assunto diretamente com Xi, disse a fonte.

Liu Pengyu, porta-voz da embaixada chinesa em Washington, disse: “as alegações mencionadas nos relatórios relevantes são especulações sem qualquer base, e pretendem transferir a culpa e difamar a China”.

Presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping / 04/02/2022 Sputnik/Aleksey Druzhinin/Kremlin via REUTERS

Jogos de Inverno: Atletas da Rússia e de Belarus são banidos

O Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) anunciou nesta quinta-feira (3) que decidiu banir atletas russos e belarussos dos Jogos Paralímpicos de Inverno de Pequim 2022, que começam nesta sexta-feira (3).

“No IPC, acreditamos firmemente que esporte e política não devem se misturar. No entanto, não por culpa própria, a guerra chegou a esses Jogos e, nos bastidores, muitos governos estão influenciando nosso querido evento”, declarou o presidente do Comitê, Andrew Parsons, em comunicado.

Também era uma questão de segurança e proteção, com a situação na vila dos atletas se tornando “insustentável” à medida que as tensões aumentam, disse Parsons.

Anéis olímpicos em área de competição dos Jogos de Pequim / 15/01/2022 REUTERS/Pawel Kopczynski

Fórmula 1 rompe contrato com organização de GP da Rússia

Fórmula 1 anunciou que não realizará mais corridas na Rússia, após romper o contrato com a organização do evento. A medida aconteceu dias após a realização do GP da Rússia ser suspensa por conta da guerra na Ucrânia.

“A Fórmula 1 pode confirmar que rescindiu seu contrato com o organizador do Grande Prêmio da Rússia, o que significa que a Rússia não terá uma corrida no futuro”, disse um porta-voz da categoria à CNN.

A corrida, que tradicionalmente acontecia no circuito na cidade de Sóchi, deveria ser transferido para São Petersburgo a partir de 2023. Com o anúncio desta quinta (3), os planos estão cancelados.

Yuki Tsunoda, da Alphatauri, durante Grande Prêmio da Rússia de Fórmula 1 / Reuters

Aprovação da resolução da ONU

Com apoio do Brasil, a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou na quarta uma resolução contra a invasão russa à Ucrânia. Mesmo assim, os russos prosseguem com os ataques em diversas cidades ucranianas.

A reunião foi convocada pelo Conselho de Segurança e feita de forma emergencial para discutir a situação no Leste Europeu. Para a aprovação, foi necessário maioria de 2/3 dos votantes. Foram 141 votos a favor, cinco contrários e 35 abstenções.

Brasil justifica voto a favor de resolução da ONU

Brasil votou a favor da resolução da ONU que condenou os ataques à Rússia. Na justificativa, o embaixador brasileiro nas Nações Unidas, Ronaldo Costa Filho, disse que a resolução, porém, não vai “longe o suficiente” para uma paz sustentável.

“A paz exige a retirada de tropas e um trabalho amplo das partes. A resolução não pode ser entendida como algo que permita a aplicação indiscriminada de sanções”, afirmou. “Pedimos a todos os atores que o engajamento em um acordo diplomático”, acrescentou.

Avião da FAB decola na segunda para resgate de brasileiros em área de conflito

O primeiro avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que vai resgatar brasileiros que estavam na Ucrânia sairá de Brasília na próxima segunda-feira (7), às 15 horas.

A informação foi apurada pela CNN junto a fontes do alto escalão do governo.

A aeronave, um KC-390, sediado na Base Aérea de Anápolis, em Goiás, terá capacidade para trazer até 80 pessoas. Um segundo KC-390 permanecerá de prontidão, para necessidades futuras.

A Aeronáutica já preparou o plano de voo em direção à Polônia, principal rota de fuga dos brasileiros que estão na região de conflito.

Avião KC-390, da Força Aérea Brasileira (FAB) / Reprodução/FAB

Aliados de Biden no Oriente Médio não condenaram invasão

Os Emirados Árabes Unidos surpreenderam seus aliados ocidentais na semana passada, quando se abstiveram em uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas redigida pelos Estados Unidos que condenava a Rússia pela invasão da Ucrânia.

A medida representou uma declaração de neutralidade de um dos aliados mais próximos dos Estados Unidos no Oriente Médio em uma guerra que polarizou a comunidade internacional.

Anwar Gargash, conselheiro do presidente dos Emirados Árabes Unidos, disse que tomar partido “só levaria a mais violência”. A prioridade dos Emirados Árabes Unidos é “encorajar todas as partes a recorrer à ação diplomática e negociar para encontrar uma solução política”, disse ele.

Outros estados árabes também se abstiveram de condenar a invasão russa. A Arábia Saudita, que tem a Rússia como seu principal parceiro na aliança Opep+ para coordenar a produção de petróleo, disse na terça-feira que “apoia os esforços internacionais de desmobilização na Ucrânia”. A Liga Árabe, na segunda-feira (28), também pediu a desmobilização e contenção em um comunicado conjunto. Nenhum dos dois condenou o ataque da Rússia contra a Ucrânia.

Uma grande foto mostra o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o príncipe herdeiro Mohammed bin Zayed Al Nahyan de Abu Dhabi durante uma sessão de fotos no palácio presidencial Qasr Al Watan; o líder russo visitou os Emirados Árabes Unidos em 2019 / Alexei NikolskyTASS via Getty Images

Russos estão criando uma catástrofe humanitária, diz prefeito de Mariupol

O prefeito da cidade sitiada de Mariupol, no sul da Ucrânia, Vadym Boichenko, disse que os militares russos estão criando uma “catástrofe humanitária” na cidade.

Em um post em sua conta do Telegram nesta quinta-feira (3), o prefeito declarou: “Eles estão bloqueando o fornecimento e o reparo de eletricidade, água e aquecimento. Também danificaram as ferrovias.”

“Destruíram pontes e esmagaram trens para que não possamos retirar mulheres, crianças e idosos de Mariupol”, acrescentou.

A Rússia está interrompendo o fornecimento de alimentos, “bloqueando-nos como na antiga Leningrado [na Segunda Guerra Mundial], destruindo deliberadamente a infraestrutura crítica de suporte à vida da cidade nos últimos sete dias”, disse o prefeito, que acrescentou que a cidade não tinha luz, água ou calor.

Tanques entram em Mariupol, na Ucrânia / Carlos Barria/Reuters

Terceira guerra mundial seria nuclear e destrutiva

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse nesta quarta-feira que, caso aconteça uma terceira guerra mundial, armas nucleares seriam usadas e seriam destrutivas. As informações foram divulgadas pela agência de notícias RIA.

Lavrov disse que a Rússia enfrentaria um “perigo real” se Kiev adquirisse armas nucleares. A declaração segue o que foi dito em um discurso gravado exibido na Conferência sobre Desarmamento em Genebra, na Suíça.

Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov / 21/02/2022 MRE da Rússia/Divulgação via REUTERS

Kiev pede sanções mais duras contra a Rússia

O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, disse à CNN que “sanções mais duras” deveriam ser impostas contra a Rússia nesse momento para dar suporte aos ucranianos.

“A vontade de ser independente é prioridade principal para nós. E estamos defendendo nossas famílias, nossa cidade, nosso país e nosso futuro”, disse.

“Temos que nos manter unidos. A guerra não é apenas para a Ucrânia. É [um] desafio para todo o mundo moderno, para o mundo democrático”, declarou o prefeito.

OMS: Suprimentos médicos para Ucrânia chegam nesta quinta

Um primeiro carregamento de ajuda médica para a Ucrânia chegará à Polônia nesta quinta-feira (3), informou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Seis toneladas de suprimentos para atendimento a traumas e cirurgias de emergência serão entregues para atender às necessidades de 1.000 pacientes. Outros suprimentos de saúde para atender às necessidades de 150 mil pessoas também serão entregues, disse o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista coletiva em Genebra na quarta.

Ele também enfatizou a necessidade de um corredor humanitário para garantir que os suprimentos cheguem às pessoas mais necessitadas.

Ministro pede tratamento igual para não ucranianos

Africanos e não ucranianos que fogem do ataque russo no interior devem ter igualdade na assistência, disse o ministro de Relações Exteriores da Ucrânia. “Africanos buscando a evacuação são nossos amigos e devem ter oportunidades iguais de retornar aos seus países natais de forma segura”, disse Dmytro Kuleba via Twitter.

“O governo da Ucrânia não poupa esforços para resolver o problema”, escreveu Kuleba.

Estudantes universitários fugindo da capital Kiev, guardam sua bagagem enquanto entram em ônibus na fronteira entre Ucrânia e Hungria / AFP/Getty Images

Delegacia em Kharkiv é tomada por chamas após ataque

Um departamento regional de polícia em Kharkiv foi envolvido em chamas, após um ataque russo com mísseis na segunda maior cidade da Ucrânia. Bombeiros foram vistos lutando contra o incêndio quando parte da estrutura desabou. Não ficou imediatamente claro se houve vítimas no ataque à delegacia.

As autoridades disseram que ataques com mísseis russos atingiram o centro de Kharkiv, incluindo áreas residenciais e o prédio da administração regional.

Prédio de polícia de Kharkiv é tomado pelas chamas após ataque com mísseis russos / Reuters

Aposta de US$ 1 trilhão para acabar com economia russa

O Ocidente respondeu à invasão russa à Ucrânia com uma série de sanções. A mais recente delas tem o intuito de desencadear uma crise bancária, sobrecarregar as defesas financeiras de Moscou e levar a economia russa a uma profunda recessão.

Nunca na história uma economia com a importância mundial da Rússia foi alvo de sanções desse nível, segundo analistas que afirmam haver agora um alto risco de a Rússia enfrentar uma crise financeira que leve seus maiores bancos à beira do colapso.

A coalizão está tentando impedir o Banco Central da Rússia de vender dólares e outras moedas estrangeiras para defender o rublo e sua economia. No total, quase US$ 1 trilhão em ativos russos foram congelados por sanções.

Museu de cera de Paris remove estátua de Putin

O Museu Grevin de Paris removeu na terça-feira (1º) a estátua de cera do presidente russo, Vladimir Putin, em protesto contra sua invasão da Ucrânia e depois de ter sido danificada por visitantes no fim de semana. A estátua, que foi criada em 2000, foi transferida para um armazém até novo aviso e o museu está considerando substituí-la por uma estátua do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

“Hoje não é mais possível apresentar um personagem como ele. Pela primeira vez na história do museu, estamos retirando uma estátua por causa de eventos históricos em andamento”, disse o diretor do museu, Yves Delhommeau, à rádio France Bleu.

No fim de semana, a estátua sofreu ataques de visitantes e parecia “desgrenhada”, disse ele.

Cerca de 70 japoneses se ofereceram para lutar pela Ucrânia

Dezenas de japoneses responderam a um chamado ucraniano de voluntários estrangeiros para combater a invasão da Rússia, de acordo com uma reportagem da mídia na quarta-feira (2).

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, pediu no domingo (27) a formação de uma “legião internacional”, levando dezenas de Estados Unidos e Canadá a se apresentarem como voluntários.

Na terça-feira (1º), 70 homens japoneses – incluindo 50 ex-membros das Forças de Autodefesa do Japão e dois veteranos da Legião Estrangeira Francesa – se candidataram como voluntários, disse o jornal Mainichi Shimbun, citando uma empresa de Tóquio que cuida dos voluntários.

Mães e crianças se abrigam em porão de hospital em Kiev

No porão do Hospital Infantil Ohmatdyt, em Kiev, na Ucrânia, mães e bebês buscam conforto em camas improvisadas e cobertores dispostos em ambos os lados de um corredor de concreto.

Crianças mais velhas que estão muito debilitadas para ir para casa ou fugir da capital com suas famílias após a invasão da Ucrânia pela Rússia também estão se adaptando à vida sitiada, ficando longe de janelas e deitadas em corredores enquanto recebem tratamento intravenoso.

Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?

A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.

“É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:

  • ORÇAMENTO MILITAR DE 2021

Ucrânia: U$ 4,1 bilhões

Rússia: US$ 45,3 bilhões

  • TROPAS ATIVAS

Ucrânia: 219 mil soldados

Rússia: 840 mil soldados

  • AERONAVES DE COMBATE

Ucrânia: 170

Rússia: 1.212

  • HELICÓPTEROS DE ATAQUE

Ucrânia: 170

Rússia: 997

  • TANQUES DE GUERRA

Ucrânia: 1.302

Rússia: 3.601

  • ARMAMENTO ANTIAÉREO

Ucrânia: 2.555

Rússia: 5.613

Resumo para entender o conflito

Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer da quinta-feira (24 de fevereiro), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país.

O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).

O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.

Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. O Ocidente, no entanto, aplicou sanções financeiras pesadas aos russos.

Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.

A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.

Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.

A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.


*Com informações da CNN Internacional e da Agência Reuters, além de Giulia Alecrim, Vinícius Bernardes, Léo Lopes, Giovanna Galvani, Tiago Tortella, Renata Souza, Vinícius Tadeu, Henrique Melo, André Rigue e Fábio Munhoz, da CNN Brasil

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