Criança vítima de erro médico em cirurgia estava com a perna correta identificada: ‘Era visível’, diz mãe

A mãe da menina que teve a perna errada operada por uma equipe do Hospital de Trauma de Campina Grande, afirmou à TV Paraíba que o membro que deveria ter sido submetido ao procedimento cirúrgico tinha uma tala, ou seja, estava identificada. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, Ministério Público e Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB). Equipe envolvida foi afastada.

A menina deu entrada inicialmente no Hospital Universitário de Campina Grande, depois, foi transferida para a unidade que trata de emergências. Ela apresentava um quadro clínico de celulite infecciosa na perna esquerda e precisava passar por uma cirurgia invasiva para colocar pinos no local. Mas a perna direita foi operada.

A mãe da criança, Fernanda de Oliveira, foi a primeira a perceber o erro médico quando a filha retornou do centro cirúrgico para a enfermaria. Ela conta que quando notaram que a perna errada foi operada, a equipe retornou com a criança para o bloco cirúrgico e fizeram a operação na perna correta.

Ainda de acordo com a mãe da vítima, a criança estava com uma tala de acesso para o edema na perna esquerda, mas mesmo assim a equipe fez a cirurgia na perna errada.

“Era nítido, visível, porque ela estava com uma tala aberta com uma janela de acesso para o edema e eu não sei como uma equipe médica não deu conta disso”, afirmou.

Fernanda de Oliveira também contou que a filha está bem, mas começou a questionar sobre o porque fizeram o procedimento na perna não havia problemas.

“Abriram a perna esquerda da minha filha, colocaram um fixador externo, depois retiraram e fizeram a limpeza na outra perna. Ela dormiu a noite toda, acordou hoje cedo sem dor, mas perguntou porque a perna boa dela estava enfaixada. Eu respondi que foi preciso limpar e colocar na outra perna. Ainda vou procurar uma psicóloga para conversar com ela”, disse a mãe da vítima.

Os familiares da menina afirmaram que ela começou a sentir dores após cair de bicicleta a cerca de dois meses, quando começou a buscar tratamento para um quadro clínico de celulite infecciosa na perna esquerda desde então. A menina também já havia passado por uma cirurgia no Hospital Universitário da UFCG, mas voltou a ter complicações.

Inicialmente, a mãe da criança levou a menina para o Hospital da Criança, também em Campina Grande, onde fez exames e foi internada. Em seguida, ela foi transferida para o Hospital de Trauma, onde passou alguns dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A equipe identificou uma bactéria na perna da garota e ela foi transferida para o Hospital Universitário da UFCG.

No Hospital Universitário, a menina passou pela primeira cirurgia para retirar a bactéria. Cinco dias após alta médica, a família notou que a perna da menina voltou a inchar e ela foi diagnosticada com um quadro de trombose na perna.

A criança retornou para o HU, mas foi levada ao Hospital de Trauma e, após o raio-x, foi internada para passar por uma nova cirurgia porque a bactéria continuava na perna da menina.

O pai da menina, Telesmar Silva, foi até a Central de Flagrantes da Polícia Civil de Campina Grande e registrou um boletim de ocorrência formalizando uma denúncia sobre o caso. Na denúncia, ele diz que “teme que sua filha fique com sequelas, vez que um membro saudável foi cirurgiado de forma errada”.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelo pai da criança, a menina entrou em cirurgia por volta das 19 horas desta quinta-feira (26). A equipe deveria operar a perna esquerda, mas operaram a perna direita. Após perceberem o erro, a menina passou por uma nova cirurgia na perna esquerda. Agora, ela está com as duas pernas operadas.

A delegada da Delegacia de Repressão da Infância e Juventude, Renata Dias, afirmou que vai instaurar procedimento para apurar o que aconteceu. Ela também afirmou que serão ouvidos familiares da vítima, testemunhas e todos os profissionais envolvidos no procedimento cirúrgico. O caso também está sendo apurado pelo Ministério Público da Paraíba e Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB).
G1