PANORAMA GEOPOLÍTICO – DEMOCRACIA, GOLPES E DITADURAS NO BRASIL

Estamos no final de março de 2025 e parece que as velhas ideias envelheceram mais continuam vivas e vivemos exatamente a 61 anos de uma longa Ditadura Militar e a exatos 110 anos de criação oficial do primeiro Partido Fascista da história humana, mesmo que o movimento com características ou marcas fascistas, tenham registro a partir de 1915, durante a Primeira Guerra Mundial e 1919 pós-guerra (ATTANÁSIO, 2019). Na atualidade, existem influentes interferências políticas extremistas e ou totalitárias no cenário internacional, em alguns países estas forças políticas conservadoras ascendem ao poder e ameaçam os princípios e valores democráticos. No Brasil desde 2016, com o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e a chegada ao poder de Jair Bolsonaro (PL), vemos as ondas extremistas ameaçando nossas instituições, soberania nacional e o Estado Democrático de Direito.

Na atualidade, também predominam práticas políticas de militarismo ditatorial, intolerância e ódio contra grupos minoritários e contra as ideologias ditas “comunistas ou socialistas”, aos grupos étnicos, também populações LGBTQ+ entre outros ao exemplo de fechamento de fronteiras para refugiados, movimentos de xenofobia, nacionalismo, separatismo e fundamentalismos sejam cristãs, sionistas ou islâmicos. Também estão na ordem do dia, atentados e práticas genocidas contra minorias étnicas, fortes ataques de grupos suprematistas brancos, contra populações negras etc.

Para entendermos estes movimentos políticos precisamos ler primeiramente autores como Pisier (2004), que nos leva para as origens dos conceitos centrais e ideias primárias do clássico pensamento político em autores que vão de Platão a Foucault ou de Aristóteles a Rocoeur, nos chamando para um racionalismo lógico das diferentes abordagens políticas da contemporaneidade, período histórico em que devemos situar tanto o fascismo, quanto o nazismo e demais sistemas políticos totalitários, tendo em Rocoeur as mais profundas análises da experiência humana de quem experimentou os campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e viveu para se tornar um dos mais brilhantes filósofos políticos, com reflexões e contribuições para a fenomenologia, hermenêutica, ciências humanas e sociais.

Não poderemos generalizar como nazifascistas, aqueles que estão a frente ou mobilizam populações aos atos antidemocráticos, mas é possível registrarmos algumas marcas deste antigo regime que nasceu na Itália e na Alemanha no início do século XX e se espalhou por todo mundo, mesmo tendo uma vida curta que perdurou entre a primeira e segunda guerras mundiais (1914/1918 e 1939/1945), ainda notamos germes dessa ideologia que chegaram até aos nossos dias, inclusive com posicionamentos assumidos em redes sociais e até mesmo em ambientes públicos (Pisier, 2004).

Entre 1920 e 1945, chegaram a existir partidos com ideário nazifascistas em dezenas de países da Europa com destaque para a Itália, Alemanha, Áustria, Hungria, Albânia, França, Espanha, Portugal, Inglaterra e até no Brasil e vários outros países das Américas. Pesquisam apontam que também existiram partidos com programas fascistas na Ásia e na Oceania, com destaque para o Partido Nacionalista Chinês (Pisier, 2004). No Brasil, essas ideologias continuam camufladas em partidos de direita e extrema direita e basta um desses líderes chegarem ao poder, que suas práticas golpistas e autoritárias afloram e contaminam a sociedade e a política como um todo.

A História e a Geografia Política do Brasil foram marcadas por vários golpes político-militares, desde a Colonização entre 1500-1822, com um grande massacre e escravização dos povos indígenas e africanos, que perderam seus territórios e suas riquezas para os invasores portugueses e outros (Prado Jr., 2011).

Entre 1822-1889, tivemos um governo imperial monarquista, que parecia pregar a independência do território, mais continuou preso ao mesmo sistema colonialista de exploração, comandado pela Família Real Orleans de Bragança de Portugal e raiz também Francesa, com D. Pedro I e D. Pedro II. Esse foi um período de grandes lutas e de resistências populares em todas as regiões do país. Mas o regime imperial autoritário da época, sufocou todos os grupos e movimentos independentistas.

Entre 1889-1930, um golpe militar, com forças oriundas do próprio império, derrubou a monarquia brasileira e implantou uma república de marechais e oligarquias rurais. A república mudou o nome das províncias para Estados e implantou os três poderes. Nascia o federalismo, republicano presidencialista, os governadores e as bases para o municipalismo político-territorial e administrativo.

O Brasil era o grande celeiro de tendencias extremistas, tanto de direita, quanto de esquerda, devido à grande onda imigratória de italianos, alemães, poloneses e muitos outros grupos que vieram para a América, fugindo da extrema pobreza e das guerras violentas do longo século XIX e duas primeiras décadas do século XX.

Essa síntese de datas e fatos políticos são apenas uma visão geral que deu base e sustentação para o que vivemos até os dias atuais, pois desde os séculos anteriores que os militares com superpoderes e regalias, as elites agrárias e urbano-industriais, com fortes poderes políticos e econômicos, em um mundo caótico e marcado por guerras coloniais, primeira guerra mundial e crise do capitalismo mundial. Esse período deu base para regimes autoritários, totalitários e extremistas de direita, com ares de nacionalismo patriótico tardio, em diferentes partes do mundo, em especial na Europa, onde nasceu o fascismo e nazismo, como tendências políticas capitalistas ou anticomunistas.

De 1930-1945 tivemos a famosa era Vargas, um misto de Revolução popular e golpes de Estado, com governos que continuavam dando privilégios e regalias aos militares, enquanto mantinha o status das elites e oligarquias agrárias. Um misto de nacionalismo populista interno e a abertura econômica para grupos econômicos multinacionais. Uma época de fortalecimento e aceleração da extrema direita europeia e o nazi fascismo já se encontrava em alta em países como Alemanha, Itália, França, Espanha e muitos outros. O mundo capitalista em crise, entrou mais uma vez na caótica Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Esse mundo em guerra dava margem para a instalação ou continuidade de governos autoritários em diferentes partes do mundo. Enquanto as democracias eram sufocadas, os direitos políticos individuais dos cidadãos eram roubados em nome da segurança nacional. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, governos autoritários e golpes de estados eram comuns em todo o mundo, em especial na América Latina e Central, pois o discursos nazifascista, mesmo que derrotados pela União Soviética, prevaleceram e esse novo momento político eram os primeiros acordes da “guerra-fria”, onde o bloco capitalista capitaneado pelos EUA, atacava o mundo soviético e a ideologia era clara e objetiva, impedir os avanços dos “comunistas” nas américas que eram áreas de influência dos norte-americanos.

Entre 1946-1992 passamos a viver uma forte disputa político ideológica entre os países identificados com as potências capitalistas liberais e os países ditos socialistas. Esse período era identificado como “Guerra Fria”, pois as duas superpotências geopolíticas (USA X URSS), não se atacavam diretamente, mas defendiam seus interesses geoestratégicos nos diferentes continentes e regiões. Guerras em escala regionais ocorreram em diferentes partes do mundo a começar pelos territórios coreanos, vietnamitas, africanos, do Oriente Médio e algumas áreas da América Latina (Mariano Neto, 2022).

Como políticas para conter o avanço de um ou do outro bloco em territórios estratégicos, os dois regimes apoiaram e contribuíram para a instalação de governos e regimes ditatoriais em quase todos os continentes. As ditaduras militares, também se tornaram comuns em países africanos que conseguiam conquistar suas independências coloniais, gerando o que podemos afirmar como governos que eram obrigados a seguir este ou aquele bloco internacional. Nestes países, tanto os movimentos socialistas, quanto os movimentos de independência colonial, apostavam em governos ditatoriais.

De acordo com Marcuse (1999), existe uma gigante aproximação entre a tecnologia, a guerra e fascismo. Todos os tipos de mecanismos foram usados com a introdução de regimes totalitários e diante dos horrores da Segunda Guerra Mundial, em especial com as atrocidades contra os judeus na Alemanha, o fascismo e o nazismo foram derrotados durante a Segunda Guerra Mundial, tanto pelos países capitalistas liberais (Reino Unido, França, USA entre outros, quanto pela URSS. Com isso, todos os partidos fascistas e nazistas do ocidente e do oriente foram dissolvidos e colocados na ilegalidade. Nas várias constituições de base democrática, o fascismo ou o nazismo foram banidos e qualquer partido que tentasse incluir estes termos em suas cartas programas ou manifestos políticos eram barrados legalmente (BOBBIO, 2000).

As ditaduras militares geraram uma espécie de governos totalitários governados por generais, que em todas as situações se mantinham no poder com apoio geopolítico e geoestratégico das potências capitalistas imperialistas e nas zonas de influência da URSS, seguia-se a mesma lógica. Diante destes cenários políticos e geopolíticos internacionais e nacionais, percebemos que os germes do fascismo e até mesmo do nazismo, ainda continuavam no imaginário político das diferentes sociedades.

BRASIL, 1964 NUNCA MAIS!

Entre 1945-1964-1990 dezenas de ditaduras militares foram implantadas em quase todos os países da América Latina. Eram regimes autoritários com forte articulação dos EUA e das elites econômicas nacionais. Estava tudo dominado e no Brasil, sucessivos governos com ideias mais democráticas e de apoio popular, eram sufocadas rapidamente. Nem precisava ter ideias socialistas, bastava querer fortalecer a economia popular, falar em educação, reforma agrária ou direitos da classe trabalhadora e eram fortemente massacrados pelos meios de comunicação como esquerdistas querendo implantar o perigoso comunismo na América Latina.

O estado capitalista manteve o status cor das elites agrárias e dos grupos capitalistas urbanos. Nestes países, ao longo da guerra fria, apesar dos avanços tecnológicos, aumentaram as desigualdades sociais entre as classes dominantes e o proletariado. A pobreza, o analfabetismo, a falta de moradia, educação, saúde e de segurança pública criaram um verdadeiro fosso entre riqueza e pobreza (CASTRO, 1956). O autor denuncia essas desigualdades em seu livro “Geopolítica da Fome”, tendo sido o mesmo perseguido e cassado do seu mandato de Deputado Federal (PTB) pelo AI-1, com a instalação da Ditadura Militar que passou a vigorar no Brasil entre 1964-1985.

Por onde anda o fascismo e o nazismo, em meio a este longo período de Guerra Fria? Se fossemos mapear ou identificar as marcas do fascismo no Brasil, teríamos que voltar para as décadas de 1930, com o Movimento Ação Integralista Brasileira (1932-1937), que mesmo não tendo chegado oficialmente ao poder executivo do Brasil, foi base para que Getúlio Vargas, usasse os integralistas em suas bases políticas para em seguida, lhes colar na ilegalidade política e na dissolução do partido (AZAMBUJA, 2008).

Se para Raffestin (1993), as disputas políticas e territoriais devem levar em consideração as forças populares, para além da dominação política do estado-nação, vemos que em situações de autoritarismo ou de ditaduras militares, os regimes antidemocráticos, impedem a participação popular direta, suscitando movimentos de resistência, que quase sempre, são sufocados pelas forças militares controladas por aqueles que estão no poder.

O Brasil é um dos melhores exemplos para entendermos onde estão as marcas nazifascistas que atualmente emergem com tanta força em diferentes países do mundo e que inclusive, são alimentadas por grupos conservadores e extremistas instalados em países como Estados Unidos, Brasil ou Ucrânia, considerados como exemplos bem atuais.

No Brasil, tivemos vários momentos em que o país foi politicamente estruturado com base em regimes ditatoriais. No império que era centralizado na figura do imperador (1822-1889), com a destituição do império com um golpe militar promovido pelos marechais (1889-1930), identificado como Primeira República. A também conhecida como República Velha, foi constituída por um regime militar e por uma elite agrária controlada pelos grandes produtores de café (PRADO JR. 2011), com publicação original em 1956. A velha tradição, “Deus, Pátria, Família e Propriedade”, reascendeu ao poder no Brasil, tanto durante a Ditadura Militar, quanto agora com a volta da extrema direita ao poder e suas tentativas frustradas de golpe militar.

Para Prado Jr. (2011), Vargas tolerou os integralistas (nazifascistas brasileiros) até 1937, se utilizando de algumas das suas ideias nacionalistas, centralizadoras e autoritárias, mais em 1937 colocou o movimento integralista na ilegalidade e dissolveu a AIB (similar ao Partido Nacional Fascista italiano). Mas será que o movimento foi de fato dissolvido, em meio ao Estado Novo, implementado por Getúlio Vargas? Um indício de que não foi, podecser mencionado no misterioso suicídio de Vargas e do teor de sua carta testamento.

Chiavenato (2008), destacou que Vargas vacilou entre 1937 e 1940, em relação a uma posição oficial do Brasil, diante da Segunda Guerra mundial, com grande tendência em apoiar o Nazifascismo (Alemanha e Itália), vale lembrar que no Brasil, existiam milhões de imigrantes italianos e alemães e que de repente poderiam estar dispostos a lutar ao lado dos seus compatriotas, caso fosse necessário. Mas a pressão internacional, especialmente vinda dos Estados Unidos, fez o governo Vargas recuar e entrar na Guerra ao lado dos americanos, inclusive com a seção territorial de Natal e Parnamirim (RN) para a instalação de uma base militar americana para ações geopolíticas durante a segunda guerra mundial.

Para Prado Jr. (1970), multinacionais americanas passaram a se interessar pelo território brasileiro e as oligarquias rurais ainda eram fortes grupos políticos que disputavam controle político e econômicos regionais, cada vez mais nacionais. O Brasil ainda mantinha grande isolamento territorial e atraso de desenvolvimento urbano industrial. Sua balança comercial ainda era predominantemente dependente de gêneros agrícolas e extrativismo.

Podemos dizer que os ideários nazifascistas do slogan “Deus, Pátria e Família” ainda estavam bem arraigados nas tradições políticas oligarcas que controlavam os estados e municípios em todo o país, e mesmo não podendo se constituir enquanto partido organizado, com dizeres fascistas ou nazistas, passaram a adotar princípios do conservadorismo da chamada extrema direita, voltadas para o discurso do cristianismo e do anticomunismo que se propagavam enquanto ideologias do imperialismo capitalista americano.

Para Prado Jr. (1970), palavras como família tradicional cristã, conservadorismo, amor à pátria e defesa incondicional da propriedade privada, se tornaram palavras de ordem de alguns grupos que passaram a se agrupar em torno de alguns partidos que surgiram entre 1945 e 1964.

Granja (2021), destaca que além de três partidos com capilaridade nacional representados como Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), União Democrática Nacional (UDN) e Partido Social Democrático (PSD), surgiram ou se reagruparam outros partidos menores como: Partido Social Progressista (PSP); Partido Republicano (PR); Partido Democrata Cristão (PDC) e a antiga Ação Integradora Brasileira (AIB) que agora estava organizada como Partido da Representação Popular (PRP), que era liderado por Plínio Salgado (Granja, 2021).

Granja (2021) alerta para a ideia de que no Brasil, se instalou um golpe militar com uma ditadura militar-fascista. “vale recordar o 13 de março de 1964, quando o presidente João Goulart pronunciou o famoso discurso do comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Conhecido também como o Comício das Reformas de Base, nele Jango comprometeu o governo com um programa de mudanças estruturais no país” (Granja, 2021, p.1).

O autor aponta que, entre as reformas estruturantes ou de base estavam: Reforma Agrária em terras federais que se encontravam as margens das rodovias, ferrovias e açudes; investimento de 15% da renda em educação com base no método Paulo Freire; controle da remessa de lucros das multinacionais para o exterior, reforma tributária, com redução progressiva das alíquotas do Imposto de Renda (IR), de acordo com a renda do cidadão, reforma eleitoral com direitos para analfabetos e militares e coerção à interferência do poder econômico em campanhas eleitorais (Granja, 2021).

Para Granja (2021) estes foram os elementos políticos que desencadearam o golpe militar do dia 1º de abril de 1964/1985. Em plena Guerra Fria, estas medidas golpistas se tornam comuns em dezenas de países da América Latina, com direta interferência dos centros de informação dos Estados Unidos e total apoio das elites nacionais e dos grupos de extrema-direita que já tinha espaço político no cenário nacional. Os grandes jornais de circulação nacional como: Folha de São Paulo, Jornal do Brasil e Jornal O Globo, além de jornais regionais da imprensa burguesa nacional, passou a desferir fortes ataques ao governo Jango, com apoio declarado ao Golpe Militar (Granja, 2021).

Os militares assumiram o poder e passaram a atacar fortemente os grupos considerados de esquerda, movimentos operários, sindicais, camponeses e estudantis. Com o fechamento do Congresso Nacional e a cassação de mandatos parlamentares, além do fechamento de assembleias legislativas, além da perseguição a partidos como o Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), parlamentares do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Socialista Brasileiro (PSB) entre tantos outros que se colocaram contrários ao golpe militar. Governos estaduais comandados por partidos de esquerda foram completamente desmantelados, com as lideranças e governadores presos ou exiliados.

De acordo com Granja (2021), foram criados vários cenários de protestos das elites dominantes, inclusive com apoio de conservadores cristãos ou católicos e dos movimentos de Deus, Pátria e Família, base de sustentação fascista no Brasil, todos estiveram na linha de frente com o pedido de intervenção militar no país.

Rádios e Jornais da direita conservadora garantiram a propaganda golpistas e antidemocrática, os Estados Unidos deram o suporte e até forças armadas para impedir alguma resistência ao golpe estavam mobilizadas para este fim. Nesse sentido, Granjas (2021) recupera um editorial do Jornal o Globo (02 de abril de 1964), da manhã seguinte a derrocada da ordem democrática, clamarente afavor do Golpe Militar.

Foram 21 anos de um Regime militar autoritário, com presidentes escolhidos por um congresso completamente submisso ao regime, baseado em um bipartidarismo e a um Supremo Tribunal da Justiça Militar. Os governadores de Estados eram biônicos, ou seja, indicados pelo presidente de República, sempre era escolhido por uma junta militar, entre generais e indiretamente aprovado pelo Congresso Nacional.

O bipartidarismo era formado pela Aliança Nacional Renovadora (ARENA), que era a reunião de todos os grupos políticos da direita a extrema-direita, elitista, conservadora oligarca do país. O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) era um grupo de oligarcas que pousavam de oposição democrática, que não fazia oposição em quase nada ao regime. Claro que em escala regional, alguns grupos da esquerda conseguiram se infiltrar no MDB e tentavam sobreviver ao difícil período antidemocrático. Nas décadas finais, o MDB virou um guarda-chuva que agrupava diferentes correntes e lideranças que já não aguentava mais ser perseguida pelo regime autoritário.

Milhares de intelectuais, artistas, juristas e políticos de esquerda foram obrigados a se exiliarem em diferentes países e outros milhares foram presos, torturados, mortos ou desaparecidos nos porões da Ditadura Militar. Os grupos políticos de esquerda passaram a fazer resistência ao regime autoritário, através de movimentos guerrilheiros urbanos e rurais, com ações armadas. Quando algum militante era preso, rapidamente seu rosto era estampado em jornais, como Comunistas e inimigo da pátria. Artistas passaram a produzir uma cultura de resistência e de protestos velados a Ditadura Militar e em muitos casos tinham suas composições e eventos censurados.

De acordo com Marcondes Filho (1990), a violência política está no seio dos regimes totalitários e antidemocráticos que se instalaram mundialmente, sempre com um discurso que estão agindo em defesa dos interesses e desígnios da própria sociedade. Então estas práticas comuns aos regimes autoritários em países como o Brasil, Argentina ou Chile durante a Ditadura Militar de Pinochet (1972/1987), com direto apoio norte-americano, desenrolam marcas de uma profunda aproximação entre o militarismo autoritário e o fascismo político.

Para os fascistas, a prisão, tortura morte ou desaparecimento de suposto comunista era motivo de festa, de alegria e de realização do regime totalitário, aos moldes do que ocorreu na Itália, Alemanha de Mussolini e Hitler. Propagandas anticomunistas eram constantes em rádios, jornais e cartazes, com estímulos para que a população entregasse supostos clandestinos e fugitivos da justiça militar brasileira.

As marcas do fascismo estão em diferentes cenas da vida política ocidental e oriental da Europa, durante décadas pós-segunda guerra mundial e, por incrível que pareça, ganhou solo fértil em países capitalistas subdesenvolvidos que eram controlados ou influenciados geopoliticamente pelos Estados Unidos. Foi assim no Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Venezuela, Colômbia, Panamá, entre outras dezenas, isso apenas na América Latina (Olic, 1992).

BRASIL 2025, 61 ANOS DO GOLPE MILITAR-FASCITA A BRASILEIRA

Aportamos em 2025 e estamos a exatos 61 anos de autoritarismo, golpes e tentativas, pois em 31 de março de 1964-1985, foi instalada um Ditadura Militar no Brasil, em uma sequência de dezenas de outras ditaduras militares na América Latina. No Brasil como o maior país do continente Sul-Americano, os impactos da ditadura foram muito fortes e ainda povoam o imaginário de milhares de pessoas que foram atingidas diretamente pelo golpe.

Gostaria de dedicar estes slides ao Deputado constituinte Agassiz Almeida, um perseguido pela Ditadura e que fez importantes registros em defesa da democracia dos direitos constitucionais. Ele nos contou em uma entrevista que ” – Na madrugada de 1° de abril de 1964, os generais golpistas cometeram vários crimes previstos na legislação que vigorava na época (Lei nº 1.802/ 53), a exemplo da promoção de insurreição armada contra os poderes do Estado (reclusão de 3 a 9 anos) ou de atentado contra a vida, a incolumidade e a liberdade do Presidente da República (reclusão de 10 a 20 anos). O Brasil foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, em 2010, por crimes contra a humanidade praticados durante a ditadura militar de 1964″.

Várias imagens que estão compondo esse artigo, fazem parte dos slides de Geografia Política e Geopolítica, para tratar sobre os temas da Geopolíticas, Regimes Totalitários e Ditaduras Militares ou Geografia da Violência. Escolhemos essas imagens para destacar que uma das mais violentas ações do regime autoritário de 1964, ocorreu contra a classe trabalhadora, em especial contra o Movimento das Ligas Camponesas, com o assassinato de líderes como João Pedro Teixeira da Liga de Sapé/PB. Os crimes continuaram e ainda ocorrem como antes, ao exemplo da líder sindical Margarida Maria Alves (Alagoa Grande/PB) ou Marielle Franco (mulher negra e da periferia. Vereador do Psol do Rio de Janeiro).

 

Grandes líderes mundiais estiveram na linha de frente, lutando contra os regimes autoritários, coloniais e racistas. Mahatma Gandhi (Índia); Martin Luther King Jr. (Estados Unidos) e Nelson Mandela (África do Sul). Ainda hoje esses líderes representam os milhares de movimentos pacifistas e democráticos em todo o mundo. Suas lutas não foram em vão, mas milhões de pessoas foram mortas nestes países e em locais onde eram instaladas ditaduras militares, fossem de direita ou de esquerda. Na américa Latina, foram instaladas dezenas de ditaduras em quase todos os países:

As imagens que seguem são todos do Arquivo Nacional e para os negacionistas e golpistas da atualidade, a história e a memória, quando registradas em imagens, textos e contextos da realidade, desde que não sejam retiradas de contextos, se tornam inquestionáveis. Existiu ditadura violenta e os golpistas do passado, continuam tentando novos golpes.

(memoriasreveladas.arquivonacional.gov.br/Arquivo Nacional)

Quando lemos do filosofo Confúcio ao afirmar que “uma imagem vale por mil palavras”, ele se referia a ideogramas chineses que expressavam alguma comunicação política e ética da vida cotidiana. Essa fotografia da época da Ditadura Militar brasileira, que se estendeu de 1964 a 1985, vale por milhares de palavras, pois estamos diante de um civil desarmado sendo atacado por dois militares armados. Para aqueles que afirmam que durante o regime militar golpista não houve violência, basta mostrar essa imagem.

 

Alguma dúvida quanto à violência praticada contra a sociedade civil durante a Ditadura Militar brasileira? Constantemente encontramos youtuberes tentando construir uma outra versão sobre o período autoritário da história do Brasil e desavisados, em muitos casos reproduzem esse discurso de que o regime militar salvou o brasil dos comunistas e melhorou as condições de vida do país. Como demonstra o artigo de Marcelo Freire (Uol de 2015), durante a Ditadura Militar, ocorreram grandes atos de corrupção, que foram abafados e encoberto da sociedade, pois os principais meios de comunicação eram violentamente censurados ou simplesmente cooptados para noticiar o golpe como uma revolução necessária.

Como observamos em imagens anteriores, a Rede Globo, sempre esteve do lado errado da história. De acordo com relatórios da Comissão da Verdade, a imprensa, artistas e os agentes culturais eram perseguidos, as universidades e escolas secundárias eram vigiadas e os estudantes e professores que protestassem eram perseguidos, presos, torturados e muitos desapareceram nos porões da Ditadura Militar.

 

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PANORAMA GEOPOLÍTICO – DEMOCRACIA, GOLPES E DITADURAS NO BRASIL