Você já fez uma compra on-line por impulso e depois se arrependeu amargamente? Eu posso dizer que sou uma vítima consciente do que vem sendo chamado de “corrida do ouro” da indústria de produtos para a menopausa. No meu caso, ainda é a perimenopausa.
Outro dia chegou – pelo Instagram, lógico -, o anúncio de um hidratante corporal para o ressecamento da pele nessa fase da vida. Comprei. O creme é bom, o cheiro e a textura são ótimos e deve de fato funcionar. Mas eu quase não uso hidratante corporal. Comprei porque era para mulheres na perimenopausa. Era pra mim! Acabou sendo mais um presente para a estante do meu banheiro.
O mercado global da menopausa deve alcançar aproximadamente US$ 24 bilhões até 2030, segundo Grand View Research. Já um relatório do Female Founders Fund, que investe exclusivamente em empresas fundadas por mulheres, é ainda mais otimista: a estimativa é que ele represente uma oportunidade de US$ 600 bilhões.
A oportunidade é gigante: hoje, a saúde das mulheres – 50% da população mundial – representa apenas aproximadamente 5% do total de investimentos em pesquisa.
Finalmente a ciência está passando a olhar, pesquisar e avançar em uma área negligenciada por séculos. E isso é bárbaro. Por outro lado, a demanda crescente vem alimentando um mercado de grandes proporções. E é aí que mora o perigo: “menopausa” começa a aparecer em tudo o que é rótulo de produto e serviço, especialmente no mercado de beleza.
A variedade é gigante. Na pesquisa aqui apareceram pulseiras de resfriamento de alto padrão que entram em ação durante uma onda de calor, pijamas que refrescam, aplicativos com orientações alimentares, dispositivos que monitoram sintomas, hormônios e temperatura corporal, suplementos que prometem regular humor e temperatura corporal como se fossem um termostato interno.
Se funcionam? Aí é outra história.
Falar no assunto tem nos ajudado a derrubar um tabu cultural, mas a falta de informação ainda é grande. E problemática. Se o tema é pouco falado pelas vias oficiais, sobra espaço para influenciadores crescerem nesse terreno – oferecendo aos seguidores sensação de pertencimento, identificação e, em muitos casos, venderem soluções sem comprovação científica.
Segundo um estudo recente da University College London, que alerta para a “corrida do ouro da menopausa”, empresas não regulamentadas estariam explorando a falta de informações confiáveis. Os pesquisadores defendem a implementação de um programa nacional de educação após constatarem que um número significativo de mulheres não se sente bem informado sobre a menopausa.
Minha sugestão? Faça o que eu não fiz. Um produto ou serviço chamou sua atenção? Faz o print, manda pro seu médico. O meu foi para a estante, mas tem coisa que pode fazer mal mesmo.
Maria Prata (Colaborou: Lígia Nogueira)




